Fernanda Minafra graduou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2006. Durante a faculdade, fez estágios em diversas áreas como cardiologia e terapia intensiva (Hospital Mater Dei) e endocrinologia (Santa Casa). No entanto, sua admiração pela Pediatria sempre prevaleceu, quando fez parte do Programa de Iniciação à Docência pelo Departamento de Pediatria da UFMG e do Núcleo de Assistência à Saúde do Adolescente da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG.
Em 2007, ingressou na Residência Médica em Pediatria no Hospital das Clínicas da UFMG. Em seguida, optou pelo 3º ano de Residência Medica em Alergia e Imunologia Pediátrica com o objetivo de aperfeiçoar o atendimento na Pediatria, devido à grande prevalência de doenças alérgicas.
Durante a especialização em Alergia, foi convidada e foi Membro do Grupo de Discussão de Casos Clínicos do Curso de Pneumologia do XII Congresso Mineiro de Pediatria. Foi apresentadora de Relato de Casos no X Congresso Mineiro de Pneumologia e Cirurgia Torácica e também de diversos Pôsteres no II Simpósio Internacional de Imunodeficiências Primárias, além de autora e apresentadora de Tema Livre no 11º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia em Pediatria. Concluindo essa subespecialização em 2010.
Nesse mesmo ano, obteve o título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatra, de onde é membro.
Atualmente, é médica do Ambulatório de Imunodeficiências Primárias do Serviço de Alergia e Imunologia do Hospital das Clínicas da UFMG, onde deu início ao seu projeto de Mestrado. Faz parte da Unidade Funcional de Pediatria do HC-UFMG, atuando na Enfermaria e no CTI pediátrico. Além de ser membro do corpo clínico da Pediatria do pronto-socorro do Hospital Mater Dei.
Na Clínica Mon Petit, atua tanto como Pediatra Geral como Alergista e Imunologista, atendendo crianças, adolescentes e suas famílias de forma personalizada e humanizada, com objetivo de aprimorar a qualidade de vida dos mesmos.
A Pediatria é a especialidade médica dedicada à assistência à criança e ao adolescente, nos seus diversos aspectos, sejam eles preventivos (Puericultura) ou curativos. Aspectos preventivos envolvem ações como aleitamento materno, imunizações (vacinas), prevenção de acidentes, além do acompanhamento e das orientações necessárias a um crescimento e desenvolvimento saudáveis (puericultura). Os curativos correspondem aos diversos procedimentos e tratamentos das mais variadas patologias, exclusivas ou não da criança e do adolescente.
O Pediatra é o médico com formação dirigida exclusivamente aos cuidados da criança e do adolescente, com uma período de especialização que compreende no mínimo dois anos (residência médica). Esse período pode ainda ser complementado por um ou mais anos de especialização em uma das muitas áreas de atuação na Pediatria. Atualmente, o conhecimento necessário para o exercício da clínica pediátrica vai muito além dos ensinamentos aprendidos na Faculdade de Medicina, variando desde competências técnicas até conhecimentos na área de direito, educação e ciências sociais.
O ato pediátrico depende fortemente de um esforço para compreender uma queixa de um indivíduo com poucas margens para a comunicação. Dessa forma, o Pediatra busca compreender a família, suas angústias e o contexto social e emocional de cada criança.
Com a expectativa de vida podendo chegar até os 100 anos, o grande desafio do Pediatra é a prevenção de doenças crônicas dos adultos e idosos (tais como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, pneumopatias, etc), modificando hábitos nocivos à saúde futura, os quais se estabelecem na faixa etária pediátrica. É essencial que toda criança seja acompanhado por um especialista em Pediatria desde os primeiros dias de vida, e que mantenha esse acompanhamento por toda a infância e adolescência, mesmo na ausência de doenças.
Alergia e Imunologia é a especialidade médica que estuda a fisiopatologia das doenças alérgicas, visando sua prevenção, diagnóstico e tratamento. Estuda também as doenças que cursam com comprometimento no sistema imunológico (que é responsável pela defesa do organismo às infecções), tratando de pacientes que apresentam infecções de repetição, tendo como base patologias conhecidas como imunodeficiências.
É importante ressaltar que os quadros alérgicos são a expressão de alterações no sistema imunológico. Na verdade, as doenças alérgicas representam uma resposta exacerbada do sistema imunológico ao contato com antígenos, sejam inalados, ingeridos ou no contato com a pele, resultando nas doenças mais frequentemente acompanhadas nessa especialidade: asma, rinite alérgica, dermatite atópica, urticárias e alergia alimentar.
As manifestações das doenças alérgicas (obstrução e prurido nasais, espirros, sibilância ou “chieira”, dificuldade respiratória, prurido cutâneo, edema subcutâneo e de mucosas), comprometem a qualidade de vida dos pacientes e, muitas vezes, podem levar a quadros graves, principalmente em casos de asma, alergia alimentar ou de reações alérgicas a medicamentos.
Em crianças, particularmente, sabe-se que os quadros alérgicos são causa de falta à escola, dificuldade na prática de atividades físicas, restrições alimentares, sendo estas últimas, muitas vezes, instituídas sem critério. No longo prazo, podem determinar dificuldades escolares, atraso no crescimento e desenvolvimento e comprometer a sociabilização da criança.
Desta forma, torna-se fundamental o diagnóstico precoce e instituição do tratamento adequado, visando evitar o comprometimento da saúde e do desenvolvimento da criança e a interferência em sua qualidade de vida.
Além da importância das doenças alérgicas no que tange ao comprometimento da qualidade de vida, sabe-se sua ocorrência é bastante comum, acometendo cerca de 20 a 25% da população, e que está aumentando nas últimas décadas.
Hereditariedade e fatores ambientais estão envolvidos na gênese das doenças alérgicas. Filhos de pais alérgicos têm 60 a 70% de chance de desenvolver alergias. Além disso, exposição ambiental a alérgenos é determinante na forma de apresentação, época de aparecimento e gravidade dos sintomas alérgicos, principalmente os de manifestação respiratória. Desta forma, torna-se de extrema importância a investigação da história familiar e da presença de alérgenos no domicílio para identificação das crianças com risco de desenvolver quadros alérgicos e iniciar sua prevenção e tratamento medicamentoso adequado.
São alterações no sistema imunológico que comprometem seu funcionamento normal, dificultando ou impedindo sua capacidade de defesa contra agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos), resultando em infecções recorrentes. A função do Imunologista é identificar qual alteração está comprometendo o funcionamento do sistema imune, instituir o tratamento adequado e orientar os pacientes quanto aos cuidados para ajudar a prevenir as infecções.
Sabe-se que vários fatores podem prejudicar o funcionamento normal do sistema imunológico, dentre os quais medicamentos imunossupressores, corticóides, doenças crônicas (cardiopatias, hepatopatias, doenças renais), desnutrição, HIV. Essas são causas de imunodeficiências secundárias. As chamadas imunodeficiências primárias (que são as acompanhadas pelo Imunologista) têm base genética. Existem critérios que indicam a necessidade de investigação dessas doenças.
Rotineiramente, rotulam-se crianças como portadoras de “defesa baixa”, devido a infecções respiratórias usuais da infância. Sendo assim, são consideradas normais até 8 infecções em vias respiratórias superiores no período de 1 ano, sendo que muitas vezes tratam-se de quadros virais, com duração auto-limitada e sem necessidade de antibióticos. À medida que a criança cresce e seu sistema imunológico se desenvolve, são criadas respostas adequadas aos patógenos aos quais ela tem contato, diminuindo sensivelmente a ocorrência de infecções. É importante ainda ressaltar que doenças alérgicas como asma e rinite alérgica são um dos principais agentes predisponentes a infecções de repetição em vias aéreas superiores, devido ao acúmulo de secreções que essas patologias provocam, fornecendo um local propício para proliferação bacteriana. Nestes casos, o tratamento adequado das doenças alérgicas proporcionará a diminuição das infecções em vias aéreas superiores.
O bom profissional de saúde deve ter a sensibilidade de entender a angústia dos pais frente a crianças com infecções recorrentes e ser capaz de orientá-los. Deve ainda, ser capaz de identificar as crianças que precisam ser investigadas para imunodeficiência. Diante da suspeita de imunodeficiência, a criança deve ser referenciada a um Imunologista para investigação aprofundada.
A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são duas condições clínicas diferentes, que não devem ser confundidas pelos pais, embora frequentemente isso aconteça.
Deve-se ser cauteloso com o diagnóstico de alergia ao leite de vaca, pois se cria um estigma devido à importante alteração na dieta das crianças.
Pediatria geral