Juliana Beatriz dos Santos Nunes é graduada em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002). Durante a graduação interessou-se pela área pediátrica e realizou o seu internato em Pediatria pela Universidade Autônoma de Barcelona, no Hospital Germans Trias e Pujol, ainda como acadêmica. Ingressou na residência em Pediatria em 2003 no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/ UFMG).Durantes seus dois anos de residência desenvolveu particular interesse pela área de Alergia e Imunologia. Em 2005 obteve o título de especialista em Pediatria e iniciou residência em Alergia e Imunologia também no HC/UFMG. Em 2006 deu continuidade a seus estudos ingressando no curso de especialização em Alergia e Imunologia pediátricas do Instituto da Criança da Universidade de São Paulo (USP).
Em 2008 retornou ao Hospital das Clínicas/UFMG, onde atualmente trabalha no Ambulatório de Imunodeficiências Primárias, no Serviço de Alergia e Imunologia. Além disso, é médica alergista concursada pela Prefeitura de Betim e faz parte da equipe médica de Pediatria do pronto socorro do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte.
Na clínica Monpetit atende crianças e adolescentes com doenças alérgicas ou com suspeita de imunodeficiência devido a infecções de repetição.
Alergia e Imunologia é a especialidade médica que estuda a fisiopatologia das doenças alérgicas, visando sua prevenção, diagnóstico e tratamento.Estuda também as doenças que cursam com comprometimento no sistema imunológico ( que é responsável pela defesa do organismo às infecções), tratando de pacientes que apresentam infecções de repetição, tendo como base patologias conhecidas como imunodeficiências.
É importante ressaltar que os quadros alérgicos são a expressão de alterações no sistema imunológico. Na verdade, as doenças alérgicas representam uma resposta exacerbada do sistema imunológico ao contato com antígenos, seja inalados, ingeridos ou no contato com a pele, resultando nas patologias mais frequentemente acompanhadas nesta especialidade: asma, rinite alérgica, dermatite atópica, urticárias e alergia alimentar.
As manifestações das doenças alérgicas ( obstrução e prurido nasais, espirros, sibilância, dificuldade respiratória, prurido cutâneo, edema subcutâneo e de mucosas), comprometem a qualidade de vida dos pacientes e, muitas vezes, podem levar a quadros graves, principalmente em casos de asma , alergia alimentar ou de reações alérgicas a medicamentos.
Em crianças, particularmente, sabe-se que os quadros alérgicos são causa de falta à escola, dificuldade na prática de atividades físicas , restrições alimentares,sendo estas últimas, muitas vezes, instituídas sem critério.A longo prazo, podem determinar dificuldades escolares, atraso no crescimento e desenvolvimento e comprometer a sociabilização da criança.
Desta forma , torna-se fundamental o diagnóstico precoce e instituição do tratamento adequado, visando evitar o comprometimento da saúde e do desenvolvimento da criança e a interferência em sua qualidade de vida.
Além da importância das doenças alérgicas no que tange ao comprometimento da qualidade de vida , sabe-se sua ocorrência é bastante comum, acometendo cerca de 20 a 25% da população, e que está aumentando nas últimas décadas.
Hereditariedade e fatores ambientais estão envolvidos na gênese das doenças alérgicas. Filhos de pais alérgicos têm 60 a 70% de chance de desenvolver alergias; se apenas um dos pais é alérgico as chances são de 30 a 35%.Além disso, exposição ambiental a alérgenos é determinante na forma de apresentação, época de aparecimento e gravidade dos sintomas alérgicos, principalmente os de manifestação respiratória.. Desta forma, torna-se de extrema importância a investigação da história familiar e da presença de alérgenos no domicílio ( animais domésticos, fumaça de cigarro, locais de acúmulo de ácaros, como tapetes, cortinas, bichos de pelúcia), para identificação das crianças com risco de desenvolver quadros alérgicos e iniciar sua prevenção.
São alterações no sistema imunológico que comprometem seu funcionamento normal, dificultando ou impedindo sua capacidade de defesa contra agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos), resultando em infecções recorrentes. A função do imunologista é identificar qual alteração está comprometendo o funcionamento do sistema imune , instituir o tratamento adequado e orientar os pacientes quanto aos cuidados para ajudar a prevenir as infecções.
Sabe-se que vários fatores podem prejudicar o funcionamento normal do sistema imunológico, dentre os quais medicamentos imunossupressores, corticóides, doenças crônicas ( cardiopatias, hepatopatias, doenças renais), desnutrição, HIV. Estas são causas de imunodeficiências secundárias. As chamadas imunodeficiências primárias ( que são as acompanhadas pelo imunologista) têm base genética e são doenças raras. Existem critérios que indicam a necessidade de investigação destas patologias.
É fundamental que os pais e todos os profissionais de saúde saibam que infecções em vias aéreas superiores (otites, amigdalites, sinusites) são freqüentes na infância, devido à imaturidade do sistema imunológico na criança e ao contato inicial com diversos patógenos, principalmente quando a criança começa a freqüentar a escola. Sendo assim, são consideradas normais até 8 infecções em vias respiratórias superiores no período de 1 ano, sendo que muitas vezes tratam-se de quadros virais, com duração auto-limitada e sem necessidade de antibióticos. À medida que a criança cresce e seu sistema imunológico se desenvolve, sendo criadas respostas adequadas aos patógenos aos quais ela tem contato, diminui sensivelmente a ocorrência de infecções. . É importante ainda ressaltar que doenças alérgicas como asma e rinite alérgica são um dos principais agentes predisponentes a infecções de repetição em vias aéreas superiores, devido ao acúmulo de secreções que essas patologias provocam, fornecendo um local propício para proliferação bacteriana. Nestes casos, o tratamento adequado das doenças alérgicas proporcionará a diminuição das infecções em vias aéreas superiores.
O bom profissional de saúde deve ter a sensibilidade de entender a angústia dos pais frente a crianças com infecções recorrentes e ser capaz de orientá-los. Deve ainda, ser capaz de identificar as crianças que precisam ser investigadas para imunodeficiência. Essa investigação pode ser feita inicialmente pelo pediatra da criança, através de anamnese e exame físico minuciosos e de exames laboratoriais de fácil acesso e interpretação, como hemograma, Rx tórax, dosagem de imunoglobulinas, dosagem de anticorpos vacinais. Uma vez constatadas quaisquer alterações, a criança deve ser referenciada a um imunologista para investigação aprofundada.