Clínica pediátrica Mon Petit
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Magno Veras

Magno Veras

O Dr. Magno Veras graduou-se pela Universidade de Brasília (UnB) em 1999. Na graduação apresentou desde cedo seu interesse pela Pediatria e se destacou sendo homenageado e obtendo o prêmio da Sociedade Brasileira de Pediatria por trabalho apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Pediatria e Simpósio Internacional de Pediatria realizado no Rio de Janeiro em 1997.

Realizou residência médica em pediatria e gastroenterologia pediátrica e nutrição pela renomada Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui ainda residência médica em endoscopia digestiva pela UNICAMP. Após este período acompanhou um dos maiores serviços de endoscopia digestiva pediátrica do Brasil no Instituto da Criança da Universidade Estadual de São Paulo (USP). Ministrou aulas de semiologia pediátrica para alunos de graduação da UNICAMP.

É mestre em Saúde da Criança e do Adolescente, na área de gastroenterologia pediátrica. Sua tese ganhou destaque internacional na mais importante revista científica da área, o JPGN ( Journal of Pediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition).

Possui os reconhecidos e conceituados títulos de especialista conferidos pela Associação Médica Brasileira (AMB) em Pediatria, Gastroenterologia Pediátrica (Sociedade Brasileira de Pediatria), Nutrologia (Associação Brasileira de Nutrologia) e Endoscopia Digestiva (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva).

É membro titular da Sociedade Paulista de Gastroenterologia Pediátrica e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.

Ex-chefe da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do maior centro onco-hematológico pediátrico da América Latina, o Centro Infantil de Investigações Hematológicas Domingos Boldrini (UNICAMP- SP) onde atuou como Gastroenterologista Pediátrico e Endoscopista. Ainda nesta instituição participou da elaboração de protocolos que se tornaram referência e proferiu palestras para médicos e residentes.

Realizou palestras e apresentou inúmeros trabalhos em Congressos Brasileiros e ainda possui publicações de artigos em revistas brasileiras e internacionais de grande impacto científico.

Mudou-se para Belo Horizonte em meados de 2007 onde atua como Pediatra membro da equipe do Pronto Socorro do Hospital Mater Dei e como Gastroenterologista Pediátrico e Endoscopista Infantil do Hospital Mater Dei.

É coordenador da área de Pediatria do curso Pré-residência® onde ministra aulas de pediatria para médicos recém-formados que prestam concursos de residência médica em todo país.

É autor de 5 livros na área de pediatria direcionado a alunos de medicina e médicos residentes em pediatria.

Na Mon Petit oferece serviço diferenciado e humanizado, procurando ajudar as crianças e suas famílias com o que há de mais avançado e atual na área.

Pediatria

A Pediatria é a especialidade médica dedicada à assistência à criança e ao adolescente, nos seus diversos aspectos, sejam eles preventivos (Puericultura) ou curativos. Aspectos preventivos envolvem ações como aleitamento materno, imunizações (vacinas), prevenção de acidentes, além do acompanhamento e das orientações necessárias a um crescimento e desenvolvimento saudáveis (puericultura). Os curativos correspondem aos diversos procedimentos e tratamentos das mais variadas patologias, exclusivas ou não da criança e do adolescente.

O Pediatra é o médico com formação dirigida exclusivamente aos cuidados da criança e do adolescente, com uma período de especialização que compreende no mínimo dois anos (residência médica). Esse período pode ainda ser complementado por um ou mais anos de especialização em uma das muitas áreas de atuação na Pediatria. Atualmente, o conhecimento necessário para o exercício da clínica pediátrica vai muito além dos ensinamentos aprendidos na Faculdade de Medicina, variando desde competências técnicas até conhecimentos na área de direito, educação e ciências sociais.

O ato pediátrico depende fortemente de um esforço para compreender uma queixa de um indivíduo com poucas margens para a comunicação. Dessa forma, o Pediatra busca compreender a família, suas angústias e o contexto social e emocional de cada criança.

Com a expectativa de vida podendo chegar até os 100 anos, o grande desafio do Pediatra é a prevenção de doenças crônicas dos adultos e idosos (tais como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, pneumopatias, etc), modificando hábitos nocivos à saúde futura, os quais se estabelecem na faixa etária pediátrica. É essencial que toda criança seja acompanhado por um especialista em Pediatria desde os primeiros dias de vida, e que mantenha esse acompanhamento por toda a infância e adolescência, mesmo na ausência de doenças.

  • A gastroenterologia pediátrica

    • Área de atuação na pediatria em que o profisssional se especializa em doenças relacionadas direta ou indiretamente ao aparelho digestivo, atuando também na prevenção e tratamento de distúrbios alimentares, contribuindo para melhoria da qualidade de vida da criança, do adolescente e do futuro adulto.

      As principais afecções estudadas são: distúrbios alimentares, refluxo gastro-esofágico, dor abdominal, constipação intestinal, alergia alimentar, diarréias crônicas, desnutrição, doenças do fígado e vesícula biliar, úlceras pépticas, fibrose cística, doença celíaca entre outras.

      PRINCIPAIS EXAMES REALIZADOS NA ÁREA DE GASTROENTEROLOGIA PEDIÁTRICA

      1. Análise de suco duodenal
      2. Alfa1 anti-tripsina nas fezes
      3. Auto anticorpo anti-endomísio e Antitransglutaminase tecidual
      4. Anticorpos contra estruturas citoplasmáticas do neutrófilo (pANCA) e contra o Saccharomyces cerevisiae (ASCA)
      5. Biópsia retal por sucção
      6. Biópsia hepatica transparietal
      7. Biópsia jejunal peroral por cápsula
      8. Biofeedback retal
      9. Cápsula endoscópica
      10. Cintilografia: esvaziamento gástrico para sólidos e líquidos
      11. Cintilografia para aspiração pulmonar
      12. Cintilografia para esvaziamento esofágico e refluxo gastroesofágico
      13. Cintilografia para pesquisa de sangramento
      14. Colangiografia (CPRE)
      15. Colonoscopia
      16. Cultura de fezes ou Coprocultura (diversos meios para agentes específicos)
      17. Densitometria óssea
      18. Dissacaridases em biópsia jejunal
      19. Endoscopia digestiva alta
      20. Esteatócrito
      21. Enema opaco
      22. Enema com ar ou duplo contraste
      23. Esofagograma (REED)
      24. Enteroscopia por duplo balão
      25. Hormônios: dosagem de VIP, gastrina etc.
      26. Impedância bioelétrica - Bioimpedância (para análise da composição corporal) – Realizado na Mon Petit
      27. Impedância luminal multicanal (Impedânciometria)
      28. Imunohistoquímica de biópsia jejunal
      29. Manometria esofágica, anorretal, colônica e antro-duodenal
      30. Perfil de fezes
      31. Pesquisa de rotavírus nas fezes
      32. Pesquisa de gordura nas fezes (esteatócrito, Van der Kamer)
      33. Pesquisa de sangue oculto nas fezes
      34. pHmetria Esofágica
      35. Polissonografia com pHmetria
      36. RAST para diversos alimentos, Prick test e Pacth test
      37. Substâncias redutoras nas fezes
      38. Tempo de trânsito intestinal
      39. Tempo de trânsito colônico com marcadores radiopacos
      40. Testes expiratórios: H. Pylori, intolerância à lactose e supercrescimento bacteriano
      41. Teste de Tolerância à Açúcares (Lactose/Frutose) - dosagem da glicemia ou teste expiratório
      42. Teste do Suor – dosagem de cloro e sódio
      43. Trânsito intestinal
      44. Ultrassonografia de abdome (refluxo gastro-esofágico, contratilidade da vesícula biliar, etc)
      45. Videofluoroscopia da deglutição
      46. Xilosemia/Xilosúria
  • NUTROLOGIA

    • Nutrologia é a especialidade médica clínica que se dedica ao diagnóstico, prevenção e tratamento de enfermidades nutricionais e do comportamento alimentar. Os médicos nutrólogos não devem ser confundidos com nutricionistas.

      Nutrólogos procuram dar orientações sobre a alimentação mais equilibrada para correção do peso e manutenção da saúde, recuperação de estados deficitários, aumento da longevidade e acompanhamento de pessoas com necessidades especiais (atletas, idosos, crianças etc.), estudando os benefícios e malefícios para a saúde, dos nutrientes existentes nos alimentos. Auxilia ainda no atendimento de crianças com sonda nasoenteral e ostomizadas em regime hospitalar ou ambulatorial.

      A parte da prescrição dietética, por lei, cabe ao nutricionista, profissional habilitado e com formação exclusivamente voltada para tal ato.

      A alimentação e nutrição são imprescindíveis à vida de todos os seres, razão pela qual a Nutrologia tem ação de considerável importância na maioria dos setores que regem o crescimento, desenvolvimento e a saúde dos indivíduos, o que torna a função do Nutrólogo de excepcional valia e larga amplitude nas várias áreas abrangidas por esta especialidade.

      Nessa área é de grande importância uma abordagem multidisciplinar, fazendo com que a nutrologia sempre esteja associada a outras especialidades, a exemplo da endocrinologia, gastroenterologia, medicina esportiva, nutrição, psicoterapia, educação física, fisiatria e terapia ocupacional.

  • ENDOSCOPIA DIGESTIVA PEDIÁTRICA

    • Área de atuação da gastroenterologia pediátrica em que o profissional se especializa na realização do exame de endoscopia digestiva em crianças, bem como na realização de procedimentos endoscópicos quando necessários (gastrostomia endoscópica, esclerose de úlceras, ligadura de varizes de esôfago, etc.).

      Saiba como é realizada a endoscopia digestiva.


Saiba mais sobre o TESTE DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE OU TESTE DO HIDROGÊNIO EXPIRADO pelo hidrogênio expirado e agende seu exame. Para mais informações utilize o formulário de contato ao lado.

Orientaçoes

Alimentação do seu filho
  • Transição alimentar
    • Novos conhecimentos sobre a alimentação ideal de crianças menores de 2 anos tornaram ultrapassados muitos conceitos e recomendações que fizeram parte da prática.

      O que evitar?

      1. Leite de vaca
      2. Estados Unidos: recomendam (quando a histórico familiar de alergia alimentar) evitar ovo, amendoim, nozes e peixe no primeiro ano de vida.
      3. Ovo deve ser dado antes da vacina de febre amarela e idealmente antes da vacina de influenza.
      4. Não oferecer mel no primeiro ano de vida (risco maior de botulismo)
      5. Não oferecer mingau no primeiro ano de vida (não acrescentar leite nas papas).
      6. Não adicionar cereais à mamadeira.
      7. Alimentos industrializados (refrigerantes, café e chás contendo xantinas, embutidos, dentre outros) durante os primeiros 2 anos de vida.

      Qual a sequência de introdução dos novos alimentos?

      1. Suco de Frutas
      2. Papa de Frutas
      3. Papa de cereais
      4. Papa de legumes e raízes
      5. Papa de cereais com carne
      6. Introdução da gema do ovo (aos 8 meses e aos poucos)
      7. Papa de cereais, carne, legumes, verduras e gema de ovo

      Obs: Entre sete e oito meses, respeitando-se a evolução da criança, deverá ser introduzida a segunda refeição de sal. Do 9º ao 11º mês gradativamente passar para a comida da família e no 12º mês idealmente, introduzir a comida da família.

      Qual deve ser o cardápio básico de uma criança?

      1. Café da manhã: leite ou derivados (posteriormente cereais)
      2. Lanche da manhã: suco ou fruta
      3. Almoço: cereais, leguminosas, verduras, carne, fruta
      4. Lanche da tarde: fruta (dependendo do perfil são também permitidos: pão, leite ou derivados)
      5. Jantar: Igual o almoço
      6. Ceia: Leite ou derivados

      Como montar a papinha? Qual a composição ideal?

      1. cereais e tubérculos (arroz, milho, macarrão, batata, mandioca, inhame, cará);
      2. leguminosas (feijão, soja, ervilha, lentilha, grão de bico;
      3. proteína animal (vaca, ovo, frango, porco, peixe ou vísceras, em especial, o fígado);
      4. hortaliças (verduras e legumes).

      Óleo vegetal e sal devem ser usados em menor quantidade, assim como, deve-se evitar caldos e temperos industrializados.

      Legumes: são vegetais cuja parte comestível não são folhas. Por exemplo: cenoura, beterraba, abóbora, chuchu, vagem, berinjela, pimentão.

      Hortaliças: são vegetais cuja parte comestível são as folhas. Por exemplo: agrião, alface, taioba, espinafre, serralha, beldroega, acelga, almeirão.

      Tubérculos: são caules curtos e grossos, ricos em carboidratos. Por exemplo: batata, mandioca, cará, inhame.

      Qual a consistência

      A papa deve ser amassada, sem peneirar, nem liquefazer (NÃO USAR LIQUIDIFICADOR)

      A carne não deve ser retirada, mas sim, picada e oferecida à criança.

      Assim que possível, os alimentos não precisam ser muito amassados, evitando-se, desta forma, a administração de alimentos muito diluídos para propiciar oferta calórica adequada.

      Considerações

      1. Recomenda-se que os alimentos sejam oferecidos separadamente, para que a criança identifique os vários sabores e, desta forma, aceite-os melhor posteriormente (8-10 meses).
      2. A exposição freqüente a um determinado alimento facilita a sua aceitação. Em média, são necessárias de 8 a 10 exposições ao alimento para que ele seja aceito pela criança.
      3. Deve-se estar atento para o grande aprendizado que esse momento de introdução de novos alimentos representa para o bebê. A maneira como será conduzida a mudança do regime de aleitamento materno para essa multiplicidade de opções, que ora se apresentam poderá determinar a curto, médio ou longo prazo, atitudes favoráveis ou não em relação ao hábito e comportamento alimentares.
      4. Nessa fase inicial, seguramente, manifestar-se-ão as predisposições genéticas como a preferência pelo sabor doce, a rejeição aos sabores azedos e amargos e uma certa indiferença pelo sabor salgado (ASPECTOS MUITO INDIVIDUAIS)
      5. O respeito ao tempo de adaptação aos novos alimentos, às preferências e aos volumes que desejam ser consumidos, permitirão a atuação dos mecanismos reguladores do apetite e saciedade. Estes devem ser praticados, desde a introdução, sob o risco de interferirmos negativamente na capacidade de auto-regulação da ingestão alimentar (O ÓBVIO: NÃO QUER MAIS – NÃO OFEREÇA MAIS).
      6. As evidências sugerem que, embora a ingestão em refeições individualizadas possa ser um tanto quanto irregular, o consumo energético em 24hs costuma ser adequado. Sendo assim, atitudes excessivamente controladoras e impositivas podem induzir ao hábito de consumir porções mais volumosas do que o necessário e à preferência por alimentos hipercalóricos. Esta condição é apontada como uma das causas preocupantes do aumento das taxas de obesidade infantil que se tem observado nos últimos anos, além de também ser uma das causas de inapetência na infância.
      7. A alimentação complementar, embora com horários mais regulares, deve inicialmente, seguir o modelo que vinha acontecendo no período do aleitamento materno, no sentido de continuar permitindo a atuação do mecanismo fisiológico da regulação da ingestão alimentar. Mantendo, assim, a percepção correta das sensações de fome e saciedade, característica imprescindível para a nutrição adequada, sem excessos ou carências.
  • Comportamento alimentar
    • Aspectos importantes da evolução do comportamento alimentar na infância:

      1. Crianças em fase de formação do hábito alimentar, não aceitam novos alimentos prontamente. Essa relutância em consumi-los é conhecida como neofobia, isto é, a criança nega-se a experimentar qualquer tipo de alimento desconhecido e que não faça parte de suas preferências alimentares. Para que esse comportamento modifique-se, é necessário que a criança prove o novo alimento, em torno de 8 a 10 vezes, mesmo que seja em quantidade mínima. Somente dessa forma, a criança conhecerá o sabor do alimento e estabelecerá seu padrão de aceitação.
      2. O apetite é variável, momentâneo e depende de vários fatores, entre eles, idade, condição física e psíquica, atividade física, temperatura ambiente, ingestão na refeição anterior. Criança cansada ou superestimulada com brincadeiras pode não aceitar a alimentação de imediato, assim como também, no verão, seu apetite pode ser menor do que no inverno.
      3. Os alimentos preferidos pela criança são os de sabor doce e muito calóricos. Essa preferência ocorre porque o sabor doce é inato ao ser humano, não necessitando de aprendizagem como os demais sabores. É normal a criança querer comer apenas doces, cabe aos pais, portanto, colocar os limites quanto ao horário e quantidade.
      4. A criança tem direitos fundamentais na alimentação, tais como, à quantidade que lhe apeteça, às preferências e aversões e à escolha do modo (utensílios) como o alimento lhe é oferecido.
      5. Devem ser respeitadas as preferências alimentares individuais tanto quanto possível. Quando a criança recusa insistentemente um determinado alimento, o ideal é substituí-lo por outro que possua os mesmos nutrientes, ou variar o seu preparo, se ele for fundamental.
      6. Comportamentos como recompensas, chantagens, subornos, punições ou castigos para forçar a criança a comer, devem ser evitados, pois podem reforçar a recusa alimentar da criança.
      7. As refeições e lanches devem ser servidos em horários fixos diariamente, com intervalos suficientes para que a criança sinta fome na próxima refeição. Um grande erro é oferecer ou deixar a criança alimentar-se sempre que deseja, pois assim, não terá apetite no momento das refeições. O intervalo entre uma refeição e outra deve ser de duas a três horas.
      8. É necessário que se estabeleça um tempo definido e suficiente para cada refeição. Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a refeição deverá ser encerrada e oferecido algum alimento apenas na próxima.
      9. É muito freqüente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que a criança consegue ingerir. O ideal é oferecer uma pequena quantidade de alimento e perguntar se a criança deseja mais.
      10. Oferecer a sobremesa como mais uma preparação da refeição, evitando utilizá-la como recompensa ao consumo dos demais alimentos.
      11. A oferta de líquidos nos horários das refeições deve ser controlada porque o suco, a água e, principalmente, o refrigerante distendem o estômago, podendo dar o estímulo de saciedade precocemente. O ideal é oferecê-los após a refeição, de preferência água ou sucos naturais.
      12. A monotonia alimentar, sem variações do tipo de alimento e de preparações é um fator que pode tirar o apetite e o interesse da criança pelo alimento. Assim, uma alimentação equilibrada deve ser representada por uma refeição com grande variedade de cores, texturas, formas interessantes e colocação no prato de forma atrativa.
  • Sucos e Sabores
    • O processo de introdução deve ser gradual. Afinal, a única coisa que o bebê conhece em termos de alimentação é o leite.

      Ao contrário do que acontecia quando éramos crianças, hoje em dia não existem restrições quanto ao tipo de fruta utilizada nos sucos. Na verdade, qualquer uma vale. É claro que as melhores frutas para elaborar sucos são aquelas ricas em vitamina C, pois essa vitamina tem um poder maior de absorver o ferro dos outros alimentos. Mas isso não quer dizer que o pequeno não possa ingerir sucos de maçã ou pêra, por exemplo. O que importa é que a fruta esteja fresquinha...

      Você pode usar qualquer fruta para fazer o suco do bebê, como: laranja pera, laranja bahia, laranja lima, melão, mexerica, melancia, goiaba, manga, abacaxi e outras.

      As melhores frutas são as da época, porque elas têm mais vitaminas, são mais saborosas e foram cultivadas sem muitos agrotóxicos.

      O ideal é que o bebê só coma açúcar ou mel após um ano de idade (ideal após os 2 anos), então, não devemos dar sucos que precisam ser adoçados como limão e maracujá azedo.

      Como os sucos devem ser oferecidos nos intervalos das mamadas, o melhor é prepará-los várias vezes ao dia, em pequenas quantidades, cerca de 50-100 ml. Ou seja, em vez de fazer uma jarra de suco de laranja e ir oferecendo aos poucos para o bebê, procure preparar antes da administração. Assim, além de ficar mais fresquinho, o suco não irá perder vitamina C - essa vitamina sofre forte oxidação pela exposição à luz - e o verdadeiro sabor, pois existem frutas, como a laranja, que depois de serem espremidas amargam com o tempo. Outras, como a pêra, ficam escuras. E não se espante se o pequeno tomar tudo ou rejeitar. O importante é que ele vá, aos poucos, se habituando com o novo sabor que cada fruta lhe apresenta.

      Experimentando

      Uma observação importante: nunca dê, no mesmo dia, sucos diferentes. O certo é oferecer um de uma única fruta. Se o baixinho aprovar, não tiver nenhum problema de alergia ou intestino (cólicas, distensão abdominal ou diarréia), você pode, no segundo ou terceiro dia, tentar outro tipo de fruta. Afinal, nessa fase, o que vale é experimentar todas elas.

      Depois que o bebê conhecer o sabor de várias frutas, você pode misturá-las. Por exemplo, suco de laranja com mamão; laranja com goiaba, com maçã, tomate, etc. Alguns legumes devem sim ser oferecidos em forma de suco. Os mais usados são a cenoura e beterraba. Para introduzi-los, você deve seguir o mesmo procedimento adotado com as frutas. Se a criança gostar, pode misturá-los com frutas: cenoura com caju; beterraba com laranja; tomate com maçã. Apesar de parecerem misturas estranhas, ficam gostosas e são bem nutritivas.

      Preparação

      Além de selecionar as melhores frutas, é preciso ter alguns cuidados com a preparação dos sucos - isso vale também para a preparação das papas de frutas. Depois de lavar cada item com água e detergente e enxaguar com água corrente em abundância, seque e descasque a fruta ou o legume - se você não for processá-los em uma centrífuga. Os utensílios: faca, colher, copo, liquidificador, peneira, coador, jarra, etc., que serão usados, devem ser bem limpos. Esse cuidado deve ser tomado até a criança completar um ano de vida. A melhor maneira de aproveitar praticamente toda a fruta são as centrífugas. Alimentos como beterraba, cenoura, pêra e maça devem ser centrifugados. No caso de laranjas e limão, o espremedor elétrico é melhor. Já o liquidificador deve ser usado para frutas como maracujá, uva, abacaxi, melão, melancia, mamão, jaca e figo, entre outras.

      Já o uso de polpas congeladas deve ser evitado (mas não é proibido), apenas porque a fruta fresca é mais rica em vitaminas e sais minerais.

      Dicas:

      Você deve começar com sucos de frutas ricas em vitamina C. As melhores são: acerola, caju, melancia, goiaba, laranja serra d’água (menos ácida e mais adocicada) e laranja pêra. Em relação à quantidade, o melhor é começar com 50 ml e ir aumentando gradativamente, até chegar a 150 ml por dia (extremamente variável)

      Procure oferecer frutas em temperatura ambiente. Afinal, a criança está acostumada ao leite na temperatura ambiente e não frio ou gelado.

      Não é preciso adoçar o suco, pois as frutas têm frutose, que é um açúcar natural. Apenas as frutas mais ácidas, como limão e maracujá, devem ser adoçadas, e mesmo assim, com pouca quantidade de açúcar, de preferência não refinado (mascavo por exemplo).

      Procure estabelecer um equilíbrio entre frutas consideradas como aceleradoras do transito intestinal ( laranja e outras cítricas, mamão, melão, banana nanica) e as que retardam o trânsito (goiaba, banana maçã, maçã).

      Crianças de 2 a 3 anos de idade devem consumir três porções diarias de frutas (200 a 300g), enquanto para as menores de 2 anos é aconselhável consumir 2 porções (100 a 150g).

      Sucos - idéias

      Cenoura com laranja

      Bata no liquidificador o suco de duas laranjas lima ou pêra mais uma cenoura média. Se você tiver centrífuga, faça o suco da cenoura e depois misture com o de laranja.

      Mamão especial

      Bata no liquidificador o suco de duas laranjas, uma fatia média de mamão e meia maçã.

      Beterraba com caju

      Descasque um caju médio e bata no liquidificador com meia beterraba pequena, sem a casca e os talos. Se necessário, acrescente 20 ml de água filtrada e fervida.

      Maracujá com pêra

      Bata no liquidificador a polpa de um maracujá com meia pêra, sem casca. Se necessário, acrescente 20 ml de água. Depois, coe o suco antes de servir.

      Tomate com maçã

      Escolha dois tomates médios maduros, tire as cascas e as sementes. Pique em pequenos pedaços e bata no liquidificador com 40 ml de água filtrada e fervida. Depois acrescente meia maçã, sem casca e sem caroço e bata mais um pouco.

      Uva com abacaxi

      Separe dez uvas sem caroço e bata no liquidificador com uma rodela de abacaxi. Se necessário, acrescente 20 ml de água filtrada e fervida ou o suco de uma laranja.

      Goiaba com laranja

      Escolha uma goiaba madura, de preferência vermelha. Tire a casca e veja com cuidado se no interior da fruta não há bichinhos. Faça o suco de duas laranjas e bata no liquidificador com a goiaba.

  • Meu filho não come nada...
    • O quer precisamos saber?

      1. 1) O mundo das crianças é muito mais interessante que o alimento que ela come. Às vezes a criança não consegue focar em apenas uma brincadeira. Imagine então focar na comida!!!
      2. 2) A criança é imediatista. Nós adultos comemos muitas vezes mesmo sem ter realmente fome, pois sabemos que precisamos nos alimentar (mesmo inconscientemente), que teremos um dia cheio pela frente, que se não comermos vamos sentir fome mais tarde. A criança não se programa desta forma.
      3. 3) O maior estímulo ao prazer da alimentação é a fome. Não ofereça alimentos o tempo todo, não fale de alimento o tempo todo com a criança, principalmente com “ar” bravo ou estressado. A criança precisa ter horário regular de alimento e de jejum. A rotina alimentar é muito importante para o corpo e para a aquisição de bons hábitos alimentares.
      4. 4) Um grande erro é oferecer ou deixar a criança alimentar-se sempre que deseja, pois assim, não terá apetite no momento das refeições. O que a criança come aos poucos normalmente é erroneamente quantificado pelos pais, que imaginam não ter sido “quase nada”.
      5. 5) A rotina alimentar desenvolvida neste período pode trazer benefícios ou malefícios que podem perdurar por toda a vida. A forma como o adulto se “relaciona” com o alimento (horário, quantidade, qualidade) aos 40-50 anos tem origem nesta fase da vida.
      6. 6) A rotina familiar hoje é marcada pela falta de tempo... E muitas vezes o maior tempo que ficamos ao lado do nosso filho é no momento da alimentação e não saímos de perto dele até que coma (isso pode levar cerca de 1 hora em algumas famílias...). Quando a criança termina de comer os pais vão fazer outra coisa. Não sentam para brincar... Ficam com a criança de forma mais intensa no momento do banho, no escovar dos dentes, no comer e pouco tempo no lazer.
      7. 7) Seu filho tem peso e altura normais e está seguindo a “curva” do pediatra = A QUANTIDADE QUE ELE ESTÁ COMENDO ESTÁ ADEQUADA PARA O CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DELE. A QUALIDADE NEM SEMPRE...
      8. 8) Doces e guloseimas induzem mais saciedade, impedem a alimentação saudável, criam um hábito errado para o resto da vida (lembrar da associação entre alimentação e alguns tipos de câncer, pressão alta, obesidade, resistência à cárie, etc...).
      9. 9) A seletividade na alimentação é natural do desenvolvimento NORMAL da criança... Sabidamente o paladar fica mais “apurado” com o tempo.

        FÓRMULA MATEMÁTICA BEM CONHECIDAS:

        Oferecer o alimento sem estresse, em menor tempo = X

        Oferecer o alimento com estresse + dispender grande tempo na alimentação = x + 3 colheres

        Obs: as 03 colheres a mais (fruto do estresse, da insistência exaustiva e do grande tempo de alimentação) não farão seu filho ganhar peso e não compensa o estresse para os pais e para a criança podendo até gerar uma relação ruim da criança com o alimento.

        90% do que seu filho come é nos primeiros 20-30 minutos, gastar mais tempo que isto não vale à pena....

      10. 10) Vitamina não aumenta o apetite em crianças sadias.
      11. 11) Comportamentos como recompensas, chantagens, subornos, punições ou castigos para forçar a criança a comer, devem ser evitados, pois podem reforçar a recusa alimentar da criança.
      12. 12) Existe uma diferença entre o que os pais gostariam que a criança comesse e o que realmente ela necessita.
      13. 13) OBESIDADE está aumentando no mundo, sendo frequente a procura de meninos e meninas adolescentes obesos nos consultórios médicos. Causas? Sedentarismo, alimentação abundante, qualidade da alimentação e cultura do bebê gordo.

      "ROTINA QUANDO É BOA É HÁBITO, QUANDO É RUIM É VÍCIO."

      O que fazer?

      1. Estabeleça horários para as refeições e para os lanches, com intervalos de 3 horas para crianças entre 1 e 6 anos e de 3-4 horas para os que estão em fase escolar;
      2. Não troque a refeição principal por outro alimento. Se a criança não quiser comer, insista carinhosamente e sem perder a paciência (o tempo de alimentar-se não deve passar de 20-30 minutos, em geral o estresse ocorre após este período). Caso não coma nada, ficará em jejum até a próxima refeição que não deverá ser adiantada ou aumentada.
      3. As crianças trocam facilmente a refeição por sucos. Por isso, limite a ingestão de líquidos (sucos, água e leite) durante a refeição. A capacidade gástrica dos meninos é limitada e não vale a pena enchê-la com líquido. Depois vai faltar espaço para a comida. Espere a criança comer parte da refeição para então oferecer suco ou água;
      4. Seja um bom exemplo. A influência do ambiente em que ela vive, o exemplo dos pais e as experiências positivas ou negativas podem ser mais fortes que a genética.
      5. Não insista demais. A oferta de um volume de alimentos maior do que a capacidade gástrica da criança diminui o prazer de comer do bebê e aumenta a ansiedade dos pais.
      6. Evite artifícios como o aviãozinho. Inventar técnicas para fazer o filho comer, como distrair com um brinquedo ou com a televisão ligada e camuflar o alimento não educam para o prazer de se comer bem. Podem até funcionar na hora, mas perdem rapidamente seu efeito e haja criatividade!! A hora de comer é hora só de comer, prestando atenção aos sabores, texturas, aromas, cores.
      7. Substitua o alimento recusado por outro do mesmo grupo nutricional. Se você insiste nos brócolos mas o bebé cospe tudo ou provoca ânsia de vómito? Tente dar espinafre. Rejeita o feijão? Ofereça a lentilha ou grão-de-bico. Insistir exageradamente num alimento específico pode diminuir o prazer com o ato de comer, reforçando a falta de apetite;
      8. Não tenha medo de impôr limites. Resista às birras e estabeleça limites, seguindo horários fixos para fazer as refeições e insistindo numa alimentação nutritiva;
      9. Não ceda à chantagem da greve de fome. Ele não quer comer o jantar balanceado e insiste em comer bolachas. Para não deixar o pequeno de barriga vazia, você aceita a chantagem e deixa ele se lambuzar à vontade, depois de prometer que vai comer direitinho na próxima refeição. Sabe o que vai acontecer? No dia seguinte, o seu espertíssimo filhote vai recorrer à mesma tática, negando-se a comer o que é certo, em troca dos seus alimentos preferidos. Não caia nisso.
      10. Não deixe os lanchinhos estragarem a disciplina. Na hora do almoço ele não quis comer nada, mas uma hora depois pede o lanche e se enche de bolachas (e você oferece, afinal de contas... tadinho ele não comeu nada...). Não deixe! Seja firme: se a criança disse que estava sem fome no almoço, vai ter que esperar até a hora certa do lanche e quando ela chegar, vai ter que se contentar com a quantidade correta, mesmo que a fome seja maior. Continua com vontade? Ensine-lhe a guardar a "fome" para o jantar.
  • Meu filho não come verduras. Como incentivar o consumo de frutas, legumes, verduras e cereais pelas crianças?
      1. Disponibilizando estes alimentos tendo-os sempre em casa
      2. Programar passeios em locais onde existam plantações de frutas, legumes, hortaliças, cereais para contato direto das crianças com a matéria prima
      3. Sempre que possível evitar passeios em fast-foods.
        Eventualmente quando ocorrer, escolher um sandwiche pequeno que associe legumes e verduras, sem acréscimo de condimentos artificiais, como maionese, catchup e mostarda. Para a sobremesa incentivar o consumo de saladas de frutas e sorvetes de frutas tipo picolé.
      4. Exercer a criatividade no preparo dos alimentos: combinar cereais com frutas que as crianças gostem, iogurtes com frutas laxativas, bolinhos de vegetais, preparo de alimentos empanados com farelos (farelo de trigo), feijão acrescido de cereais (linhaça e farelo de trigo), sucos de frutas naturais sem coar.
  • Mingau para crianças pode?
    • Crianças abaixo de 1 ano não devem consumir mingau. Análise em 12 produtos, feita pela Pro Teste, mostra que eles contêm excesso de açúcar e menos nutrientes do que informam nos rótulos.

      O tradicional mingau deve ser evitado antes de o bebê ter 1 ano de idade. A afirmação é da Associação Brasileira do Consumidor (Pro Teste), que testou 12 complementos alimentares à base de cereais para crianças. Os produtos contêm excesso de açúcar e quantidade inadequada de nutrientes. Segundo a Pro Teste, para uma nutrição adequada, cada produto tem uma idade recomendada que, muitas vezes, não é a que o fabricante aponta. O que chamou mais atenção no teste foi o Cremogema, que para os pesquisadores só deve ser consumido por crianças a partir de 7 anos, por ter o mais alto nível de açúcar entre os produtos avaliados.

      A Maizena Arrozina Amido de Milho com Farinha de Arroz é o único dos produtos analisados que traz no rótulo indicação correta da idade ideal para o consumo (3 anos). Os três mingaus Mucilon pesquisados, da Nestlé, têm na embalagem a indicação de que podem ser consumidos a partir dos 6 meses de idade. E os demais produtos não trazem qualquer indicação de idade.

      O Ministério da Saúde recomenda que até os 6 meses os bebês sejam alimentados apenas com leite materno. O mingau não deve substiyuir o almoço ou o jantar e deve ser sempre substituído por frutas quando possível.

      A Nestlé e a Unilever (responsável pela fabricação do Cremogena) alegam cumprir parâmetros internos de qualidade. As demais empresas não comentaram a pesquisa.

      Idades

      Veja abaixo a relação de produtos adequados a cada faixa etária:

      A PARTIR DE 1 ANO

      Quaker Aveia Flocos Finos, Yoki Creme de Arroz, Neston Aveia Flocos Finos, Quaker Farinha de Aveia, Maizena Amido de Milho.

      A PARTIR DOS 3 ANOS

      Maizena Arrozina Amido de Milho com Farinha de Arroz. Este é o único dos produto pesquisados que apresenta a idade correta para consumo na embalagem.

      A PARTIR DOS 4 ANOS

      Vitalon Turma da Mônica Mingau de 6 Cereais, Vitalon Turma da Mônica Arroz, Mucilon Arroz, Mucilon Arroz e Aveia, Mucilon Multicereais.

      A PARTIR DOS 7 ANOS

      Maizena Cremogema (à base de milho)."

      O cereal não deve colocado na mamadeira ou adicionado à fórmula infantil, pois é nutricionalmente inadequado. , aumentaria a consistência do leite, que deve adquirir o hábito de receber a fórmula infantil ou o leite materno sob a forma líquida. Além disso, o aumento da consistência da mamadeira favoreceria o uso de bicos com maiores diâmetros de escape e maior risco de broncoaspiração.

      Não se deve substituir os alimentos complementares por alimento lácteo (MINGAU OU PAPA) após a fase de transição; este erro alimentar, muito comum no nosso meio, prejudica qualitativamente a alimentação da criança.

  • Alimento e o ferro
    • Não basta conhecermos qual alimento possui mais ou menos ferro. Mais importante é conhecer a sua biodisponibilidade (capacidade do ferro do alimento ser realmente aproveitado pelo organismo).

      Abaixo listamos alguns alimentos prontos para o consumo considerados como fontes de ferro e sua biodisponibilidade:

      Teor de ferro Biodisponibilidade
      Alimento mg/100g Medida caseira
      Carnes
      Bovina (magra)4,04 colheres de sopa ou 1 bife médio e fino Alta
      Suína (lombo)3,21 bife médio e fino Alta
      Peixes (anchova)1,41 filé médio Alta
      Galinha1,74 colheres sopa rasa Alta
      Vísceras
      Fígado bovino5,11 bife médio e fino Alta
      Coração5,41 xícara chá rasa Alta
      Língua1,52 pedaços médios Alta
      Miúdos de galinha4,31 xícara chá rasa Alta
      Ovo
      Gema2,35 gemas Baixa
      Inteiro “poached”2,22 ovos Baixa
      Leite
      Humano0,51 xícara de chá Alta
      Vaca pasteurizado0,11 xícara de chá Baixa
      Leguminosas
      Lentilha2,112 colheres de sopa Baixa
      Soja3,412 colheres de sopa Baixa
      Soja (farinha)8,810 colheres de sopa Baixa
      Feijão vermelho2,412 colheres de sopa Baixa
      Ervilha1,812 colheres de sopa Baixa
      Cereais
      Cereais matinais12,51 xícara de chá Alta
      Farinha láctea4,07 colheres de sopa Alta
      Aveia (farinha)4,57 colheres de sopa Baixa
      Aveia (flocos)3,57 colheres sopa Baixa
      Hortaliças
      Nabo0,43 médios Alta
      Brócolis1,31 xícara de chá Alta
      Couve crua/cozida2,2/ 0,710 folhas médias Média
      Batata inglesa0,52 batatas médias Média
      Cenoura crua/cozida0,7/0,62 cenouras médias ou 1 xícara de chá Média
      Espinafre3,24 colheres de sopa Baixa
      Beterraba0,81 xícara de chá Baixa
      Frutas
      Suco de limão0,64 colheres de sopa Alta
      Açaí (polpa)11,81 colher sobremesa Alta
      Laranja0,71 pequena Alta
      Banana prata2,01 média Média
      Manga0,85 pedaços médios Média
      Abacate0,7Meio médio Baixa
      Outros
      Açúcar mascavo3,45 colheres de sopa Alta
      Rapadura4,24 porções pequenas Alta
Alergia Alimentar
  • O que é alergia alimentar? Qual a diferença entre alergia, intoxicação, intoxicação alimentar e intolerância?
    • Muitas pessoas confundem a alergia alimentar como qualquer reação anormal após a ingestão de alimentos, como diarréia, dor abdominal, vômitos, enxaqueca, tosse, ou qualquer outro sintoma que ocorra como resultado da ingestão de alguma comida. Não é bem assim...

      A reação adversa ao alimento inclui qualquer reação anormal após a ingestão de alimentos e pode ser resultado de:

      1. Intolerância (ex: crianças que não toleram o leite, pois não conseguem fazer a digestão completa do açúcar do leite: a lactose)
      2. Intoxicação (toxinas contaminantes que resultam em envenenamento)
      3. Ação de substâncias farmacológicas contidas nos alimentos (ex: tiramina contida nos queijos velhos, por exemplo, pode “fazer mal” a algumas pessoas)
      4. Aversão (crianças que têm náuseas e até vômitos ou outros sintomas apenas de “pensar” em determinado alimento por diversos possíveis motivos)
      5. Alergia alimentar ( reação adversa ao alimento que compreende um mecanismo imunológico, ou seja produção de anticorpos e/ou outras células de defesa do nosso corpo contra determinados alimentos, causando os mais variados sintomas).
  • Quais alimentos podem causar alergia?
    • Qualquer alimento pode causar alergia. No entanto dados de países desenvolvidos mostram que os alimentos mais frequentemente implicados são: leite, ovo, amendoim, nozes, peixe e mariscos em geral.

  • Qual o alimento que mais causa alergia alimentar nas crianças?
    • Nas crianças, a alergia alimentar mais comum é a alergia à proteína do leite de vaca, que afeta cerca de 6% das crianças abaixo de 3 anos. Normalmente as manifestações se iniciam no primeiro ano de vida e em 80% dos casos a criança desenvolve tolerância até os 5 anos, ou seja, nessa idade ela melhora e pode voltar a ingerir o leite de vaca.

  • Existem tipos diferentes de alergia alimentar?
    • Divide-se a alergia alimentar de acordo com o mecanismo imunológico envolvido. Pode ser mediado por um anticorpo denominado IgE (neste caso normalmente as reações são imediatas, acontecendo logo após a ingestão), mediado por IgE e por células (mista) ou apenas por células.

  • Quais os sintomas e apresentações da alergia alimentar?
    • Podem ser os mais variados e podem ser divididos de acordo com o mecanismo imunológico envolvido:

      1. Alergia mediada pelo anticorpo IgE:

        Lesões vermelhas na pele (urticária), prurido, “inchaço” nas pálpebras e/ou nos lábios, edema ou “inchaço” na glote (obstrui a entrada de ar aos pulmões), choque anafilático (quadro grave que compromete a circulação e a oxigenação), hipersensibilidade gastrintestinal imediata (náuseas, vômitos ou diarréia que acontecem logo após a ingestão do alimento) e rinite.

      2. Alergia mediada pelo IgE e por células (mista):

        Inclui algumas doenças como a dermatite atópica (lesões de pele), asma, esofagite eosinofílica (pode apresentar dor, vômitos e dificuldade de engolir) e gastroenteropatia eosinofílica (pode apresentar os mais variados sintomas gastrointestinais além de perda de peso, ascite e “inchaço” no corpo).

      3. Mediada por células apenas (não IgE):

        Proctite ou proctocolite (sangue nas fezes em criança aparentemente saudável), enteropatia (diarréia, vômitos, baixa estatura, desnutrição, anemia, distensão abdominal, enterocolite (similar à enteropatia, no entanto, com manifestações mais graves) e doença celíaca.

  • Quanto tempo depois de ingerir o alimento pode ocorrer a reação alérgica?
    • É variável e depende do mecanismo envolvido. Como visto acima apenas aqueles casos de alergia envolvendo o anticorpo IgE são imediatos (segundos a poucas horas após a ingestão). Em outros casos, no entanto, pode demorar semanas ou meses.

  • Meu filho pode ter alergia a algum alimento que já é acostumado a comer?
    • Sim. Não é pelo fato que nunca teve alergia a determinado alimento que esta não possa ocorrer em qualquer período da sua vida.

  • Posso das apenas uma pequena quantidade do alimento que causa alergia para meu filho? Ele gosta tanto...
    • Não. A alergia alimentar ocorre na maioria das vezes, independente da quantidade. Podem ocorrer casos graves de alergia às vezes apenas com uma gota da substância respingando na pele.

  • Quais os alimentos que mais causam urticária aguda?
    • Os alimentos mais causadores de urticária são: ovo, amendoim, nozes, trigo, peixe e marisco. Os corantes alimentares também têm sido implicados.

  • Quais sintomas podem estar relacionados à alergia ao leite de vaca?
    • Os sintomas que podem estar envolvidos são: irritabilidade excessiva, cólica que ultrapassa os 3 meses, regurgitações (golfadas) e vômitos freqüentes, sangue nas fezes, diarréia persistente ou crônica, baixo ganho de peso, recusa alimentar, distensão abdominal, assaduras resistentes ao tratamento, anemia resistente ao tratamento, tosse crônica, problemas de pele, entre outros

  • Quais doenças podem estar relacionadas à alergia ao leite de vaca?
    • Refluxo gastroesofágico, dermatite atópica, asma, cólica do lactente, constipação intestinal, esofagite eosinofílica e gastrenterite eosinofílica. No entanto, não é sempre que o leite de vaca está envolvido nestas situações.

  • Como saber se meu filho tem alergia alimentar?
    • O diagnóstico de alergia alimentar não é tão simples (nem para o médico) e deve ser sempre avaliado por um profissional. O médico baseia-se na história clínica bem detalhada, em alguns exames laboratoriais (nem sempre necessários), algumas vezes no teste de provocação (realizado com o paciente internado em muitos casos) e até biópsia intestinal (poucas vezes indicado).

      O médico ainda exclui outras possíveis causas dos sintomas, avalia a gravidade do caso, prepara os pais para possível reação futura (cuidados e medicamentos necessários) e realiza a adequação nutricional (caso ocorra restrição de algum alimento importante para nutrição da criança).

  • Meu filho é alérgico ao ovo. Quais vacinas devo evitar?
    • As vacinas de rubéola, caxumba e sarampo (tríplice viral) são geralmente seguras para crianças alérgicas ao ovo, mas as vacinas de influenza e febre amarela podem conter quantidades relevantes de proteínas do ovo e causar reações alérgicas.

  • O que fazer caso ocorram sintomas da alergia?
    • Entre em contato imediato com o pediatra de seu filho.

  • Como são realizados os testes de alergia?
    • Existem testes realizados através de exames de sangue (chamados de RAST) e os testes cutâneos que podem ser de escoriação (Prick teste; em que se “raspa” a pele e coloca-se a substância própria a ser testada, chamada de antígeno), intradérmicos (injeta a substância sob a pele, contudo, hoje estes testes não são mais utilizados) ou através da oclusão do “alimento” na pele (Patch teste; em que se “gruda” o antígeno na pele).

      Estes testes devem ser realizados apenas por profissional capacitado e NUNCA realizados em casa.

  • Os testes alérgicos são confiáveis? Por que meu médico não pede estes exames
    • Os testes alérgicos nem sempre são necessários e precisam ser avaliados com cautela. Embora úteis, em algumas situações podem gerar falsos negativos (quando o exame é negativo, mas a criança apresenta a alergia) e em outras pode gerar falsos positivos (quando o exame é positivo, mas não se trata de alergia). A interpretação destes resultados depende da idade da criança, tipo de doença associada e manifestação clínica da alergia.

  • Qual o melhor profissional para acompanhar meu filho?
    • O melhor profissional é o pediatra em que os pais confiam. Usualmente os profissionais que mais estudam os casos de alergia alimentar são o alergologista ou imunologista pediatra e o gastroenterologista pediatra. Quando a manifestação é gastrointestinal normalmente é o gastroenterologista pediatra o profissional mais procurado.

  • Existe tratamento para alergia alimentar?
    • O tratamento é a exclusão total do alimento que causa a alergia. Dependendo da manifestação alérgica algumas medicações são utilizadas para controle do processo como, por exemplo: anti-histamínicos, corticóides, cromoglicato e inibidor de leucotrienos.

  • E as "vacinas" funcionam?
    • As vacinas utilizadas para melhora da alergia buscam fazer a criança tolerar o alimento de maneira mais rápida. Na alergia alimentar ainda não existe comprovação de aceitável risco/benefício em seu uso. Deve ser utilizado com muito critério por profissional habilitado em raríssimas circunstâncias.

  • Homeopatia cura alergia?
    • Não. Nem homeopatia nem nenhuma outra medicação halopata curam a alergia. Até o momento não existe cura, apenas controle. O que ocorre muitas vezes é que a criança melhora “sozinha” com tempo, pois desenvolve um fenômeno conhecido como tolerância (passa a tolerar o alimento que anteriormente desencadeava alergia).

  • Meu filho tem alergia à lactose. o que fazer?
    • Não ocorre alergia à lactose (açúcar do leite) e sim à proteína do leite. Provavelmente seu filho tem intolerância à lactose que se trata de outro distúrbio digestivo. Na alergia ao leite de vaca, não adianta dar apenas leite sem lactose. Em alguns casos a criança com alergia ao leite de vaca melhora com leite de soja, mas não é porque o leite de soja não tem lactose e sim porque apresenta uma proteína diferente.

  • Meu filho tem alergia ao leite de vaca. Quais leites podem ser oferecidos para substituí-lo?
    • Os leites que visam substituir o leite de vaca na alimentação das crianças menores de 2 anos de idade são aqueles que apresentam uma proteína diferente como o leite de soja ou os leites hidrolisados (em que ocorre quebra artificial da proteína). O tipo de leite depende da manifestação clínica e do tipo de reação envolvida. Em alguns casos não deve nem ser tentado o leite de soja. O leite de cabra não é recomendado em nenhuma circunstância devido à chamada “reação cruzada” (ou sensibilização simultânea – quando ocorre alergia a proteína do leite de vaca também ocorre à proteína do leite de cabra). O mesmo fenômeno pode ocorrer com o leite de soja.

  • O leite recomendado pelo meu médico é muito caro. Existe algum programa de ajuda do governo?
    • Em alguns casos é possível contar com a ajuda do município ou do Estado. No Estado de São Paulo existe um programa específico para os casos de alergia ao leite de vaca. Em Minas Gerais, até o momento é preciso adquirir em juízo. Seu gastropediatra saberá lhe guiar através dos processos necessários.

  • Meu filho é alérgico ao leite de vaca e está amamentando. Quais os rótulos que devo evitar?
    • Ingredientes derivados de leite

      Esses são os ingredientes que não podem ser consumidos por pessoas com ALV. Esta lista deve fazer parte da sua rotina de compras de alimentos. Verifique sempre se os alimentos que você está comprando possuem alguns desses ingredientes em sua composição.

      1. Lactoalbumina
      2. Lactoglobulina
      3. Fosfato de lactoalbumina
      4. Lactoferrina
      5. Lactulose
      6. Caseína
      7. Caseína Hidrolisada
      8. Caseinato de cálcio
      9. Caseinato de potássio
      10. Caseinato de amônia
      11. Caseinato de magnésio
      12. Caseinato de sódio
      13. Leite (integral, semi-desnatado, desnatado, em pó, condensado, evaporado)
      14. Leitelho
      15. Nata / creme de leite
      16. Soro de leite
      17. Soro de leite deslactosado / desmineralizado
      18. Gordura de leite
      19. coalhada
      20. Proteína de leite hidrolisada
      21. lactose

      Ingredientes que podem indicar a presença de leite

      1. Corante / saborizante caramelo
      2. Sabor de açúcar mascavo
      3. Chocolate
      4. Saborizantes naturais ou artificiais
      5. Sabor artificial de manteiga
      6. Nougat

      Ingredientes que NÃO contêm leite

      Apesar de seus nomes, os ingredientes abaixo listados podem ser consumidos por pessoas com alergia às proteínas do leite.

      1. Lactato de cálcio
      2. Lactato de sódio
      3. Estearoil Lactilato de Sódio
      4. Estearoil Lactilato de Cálcio
      5. Cremor de Tártaro
      6. Manteiga de cacau
      7. Leite de coco
      Produtos que contêm leite ou derivados Produtos que PODEM conter leite/derivados
      Iogurte
      Manteiga
      Maionese industrialisada (pode conter leite em pó)
      Margarina (pode conter leite em pó ou outro derivado de leite)
      Biscoitos recheados
      Creme para café (coffe-creamer)
      queijos
      kefir
      Nata / creme de leite
      Requeijão
      Coalhada
      Pudim / Manjar
      Sorvete e alguns sorbets
      Sopas instantâneas cremosas
      Molhos cremosos para salada
      Purê de batatas / aipim / batata soutê
      Salgadinhos (batatinha frita e similares)
      Empanados
      Achocolatados ( o Nescau, apesar de não conter leite ou derivados em sua composição, hoje já está sendo rotulado como “contém traços de leite”)
      Cereais matinais
      Barras de cereais
      Tofu (pode conter caseína)
      Molhos cremosos
      Sopas prontas / instantâneas cremosas
      Alguns pães
      Atum / sardinha enlatada
      Frios (presunto, mortadela, e similares)
      Patês (pode conter caseína)
      Salsichas (pode conter proteínas do leite)
      Salames (pode conter proteínas do leite)

      Importante: Lembre-se que estas listas não são completas e os ingredientes dos produtos podem ser alterados a qualquer momento pelos fabricantes.

      Referências:

      1. Material produzido pelo governo canadense em parceria com Health Canada, Canadian Society of Allergy ad Clinical Immunology, Anaphylaxis Canada, Allergy Asthma Information Association
      2. FAAN – The Food Allergy and Anaphylaxis Network, US
  • Quais alimentos não podem ser consumidos?
    • Tabela de alimentos que contêm leite
  • A alergia melhora com o tempo ou é para sempre?
    • Em alguns casos é para sempre sim (como na maioria dos casos de alergia ao amendoim, nozes, frutos do mar e morango). Mas em muitos casos a criança desenvolve tolerância clínica ao alimento, podendo voltar a consumi-lo sem problemas (maioria dos casos de alergia a leite). O momento mais adequado para testar de novo o alimento (quando necessário) é definido pelo seu médico. Algumas vezes este teste conhecido como teste da provocação deve ser realizado com a criança internada, sob supervisão médica.

  • Estou grávida. Como prevenir ou diminuir a chance do meu filho ter alergia alimentar?
    • Neste momento ainda não existem estudos conclusivos indicando que a dieta materna durante a gravidez ou a restrição de determinados alimentos irá prevenir a apresentação de alergia alimentar.

      Atualmente, a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica (2008) recomendam que crianças com alto risco de alergia alimentar (forte antecedente familiar) sejam alimentadas com leite materno exclusivo até os 6 meses. Não há evidências que a restrição alimentar na gravidez impeça a sensibilização através do leite materno.

      Existem alguns estudos que mostram que crianças com forte história familiar de alergia e que por algum motivo não podem receber o leite materno se beneficiem de fórmula infantil hidrolisada ou fórmulas de aminoácidos (leite especial).

      Existem ainda algumas substâncias denominadas probióticos que parecem ter algum benefício em situações particulares (mãe lactante com forte histórico familiar de alergia). No entanto, são necessários mais estudos para sua ampla recomendação.

  • Receitas culinárias para quem tem alergia alimentar.
Intolerância à lactose

A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são duas condições clínicas diferentes, que não devem ser confundidas pelos pais, embora frequentemente isso aconteça.

Deve-se ser cauteloso com o diagnóstico de alergia ao leite de vaca, pois se cria um estigma devido à importante alteração na dieta das crianças.

Saiba mais sobre o TESTE DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE pelo hidrogênio expirado e agende seu exame. Para mais informações envie um e-mail para o Dr. Magno Veras.

  • Alergia ao leite da vaca X intolerância à lactose
    • Alergia ao leite da vaca

      A alergia ao leite de vaca é decorrente de uma resposta imunológica do intestino às proteínas do leite de vaca, que são reconhecidas como substâncias estranhas ao organismo, desencadeando a produção de anticorpos. Pode ser caracterizada por sintomas gastrointestinais, respiratórios e/ou dermatológicos. São eles: vômitos, diarréia, sangramento intestinal, constipação intestinal, cólicas, irritabilidade, anemia, dificuldade de ganho de peso, asma, otite, urticária, etc.

      Para o diagnóstico, podem ser utilizados alguns testes laboratoriais e testes alérgicos cutâneos. No entanto, estes podem ser negativos, mesmo em reações alérgicas intensas. Em alguns casos, é necessária a realização de biópsia intestinal. Na verdade, a forma mais comum de fazer o diagnóstico é o teste terapêutico, através da utilização de fórmulas lácteas consideradas hipoalergênicas.

      Em alguns casos de alergia à proteína do leite de vaca, a soja pode ser indicada, mas existem outras situações em que há reações “cruzadas” com outros alimentos. Portanto, para cada situação, há uma orientação alimentar específica. É importante ressaltar que o leite de cabra não é uma opção terapêutica para alergia ao leite de vaca. Além disso, é essecial a suspensão de todos os derivados do leite de vaca da dieta do paciente, lembrando que a alergia é um processo qualitativo e independe da quantidade da substância ingerida, ou seja, pequenas quantidades de leite de vaca ou seus derivados podem desencadear as mesmas reações alérgicas.

      Intolerância à lactose

      A intolerância à lactose caracteriza-se por uma deficiência de uma enzima chamada lactase (produzida no intestino), responsável pela digestão da lactose, que é um açúcar presente no leite de vaca e seus derivados.

      Sem a enzima lactase ou com pouca lactase no intestino, o açúcar lactose pode não ser bem digerido e é fermentado pelas bactérias habitantes do intestino grosso, "puxando a água" e levando à diarréia e à maior produção de gases (cólica, desconforto ou distensão abdominal).

      A intolerância à lactose pode ser primária ou congênita, na qual ocorre ausência total ou parcial da produção de lactase. O mais comum, no entanto, é que ocorra a diminuição gradativa da lactase no decorrer da infância, mantendo-se uma pequena produção da enzima em proporções variáveis, quando a criança (ou o adulto) é capaz de tolerar menores quantidades dos produtos que contém leite de vaca e derivados. O tratamento é realizado através da utilização de fórmulas lácteas à base de leite de vaca que não contenham lactose, ou através de fórmulas de soja. Para os indivíduos com intolerância parcial à lactose, existem leites com baixa lactose. É possível também, para os amantes incondicionais do leite, a ingestão da lactase.

  • Meu filho tem intolerância à lactose. O que tomar?
    • É importante lembrar que a intolerância à lactose (IL) afeta as pessoas em diferentes níveis. Sendo assim, cada pessoa poderá digerir mais ou menos lactose, dependendo do grau de intolerância que possui. Para aquelas pessoas que possuem uma intolerância leve, é importante entender quais produtos possuem maior porcentagem de lactose. Desta forma fica mais fácil saber o que você poderá eventualmente incluir em sua alimentação sem sofrer com os sintomas da IL.

      Algumas dicas importantes que você deve saber:

      1. Como regra geral, quanto maior a quantidade de gordura, menor a quantidade de lactose contida no produto;
      2. Produtos com menos de 2% de lactose podem ser bem tolerados pela maioria das pessoas com IL, contanto que você coma/beba com moderação. Só porque o queijo gorgonzola possui uma média de 1,2% de lactose não saia fazendo macarrão aos 4 queijos!!!
      3. As quantidades de lactose apresentadas abaixo podem variar de marca para marca. Infelizmente as indústrias ainda não fornecem este tipo de informação em seus rótulos, mas esta é pelo menos uma média usada como base;
      4. Queijos envelhecidos geralmente têm menor quantidade de lactose do que queijos frescos.
      5. O item “soro de leite em pó” é um ingrediente muito comum na fabricação de diversos produtos alimentícios. Verifique os ingredientes na embalagem.

      Lista de produtos lácteos - porcentagem média de lactose

      1. Leite integral / semi-desnatado /desnatado – 4,9%
      2. Leite com lactose reduzida a 90% – 1,0%
      3. Chantily – 2,9%
      4. Iogurte integral – 4,5%
      5. Leite condensado – 12,3%
      6. Sorvete elaborado com leite – 5,7%
      7. Manteiga – 0,9%
      8. Margarina elaborada com leite – 0,5%
      9. Leite em pó desnatado – 51,3%
      10. Leite em pó integral – 37,5%
      11. Soro de leite em pó – 69%
      12. Queijo gorgonzola – 1,2%
      13. Queijo brie – 1%
      14. Queijo cheddar – 1%
      15. Queijo camembert – 0,9%
      16. Ricota – 3,6%
      17. Queijo parmesão – 1%
      18. Queijo mozzarella light – 3,1%
      19. Queijo mozzarela de bufala – 2%
      Contém lactose Contém baixo teor de lactose Sem lactose
      1. Leite Condensado integral / desnatado
      2. Creme de leite integral / desnatado
      3. Leite integral / semi-desnatado / desnatado de vaca, cabra, ovelha
      4. Chantilly
      5. Iogurte comum
      6. Requeijão
      7. Queijos frescos
      8. Queijos processados
      9. Barras de cereais com cobertura de chocolate
      10. Maionese industrializada*
      11. Achocolatados*
      12. Pães para cachorro quente / cheeseburguer
      13. Sopa creme instantânea*
      14. Temperos em pó / tabletes*
      15. Biscoitos recheados*
      16. Risoles
      17. Panquecas
      18. Molhos para saladas*
      19. Misturas para bolos
      20. Purê de batatas
      21. Ovos mexidos
      22. Pudins
      23. Souflês
      24. Licores Cremosos
      1. Leite com baixo teor de lactose
      2. Iogurte com lactobacilos vivos
      3. Leites fermentados (Yakult)
      4. Queijos maturados (como o queijo parmesão)
      5. Chocolate meio-amargo* / amargo*
      6. Manteiga
      7. Margarina*
      1. Leite condensado de soja
      2. Creme de leite de soja
      3. Doce de soja
      4. Doce de coco
      5. Chantilly Vegetal
      6. Iogurte à base de soja
      7. Leite de soja
      8. Leite de coco
      9. Pão francês*
      10. Pão de forma integral*
      11. Carnes grelhadas / à milanesa
      12. Biscoitos integrais*
      13. Mostarda*
      14. Maionese caseira
      15. Massas (fettucine, macarrão)
      16. Massa para pastel
      17. Tofu
      18. Sorvetes de fruta*
      19. Cacau em pó
      20. Cereais matinais*
      21. Geléias
      22. Creme de amendoim
      23. Merengue
      24. Quindim
      25. Balas de Coco
      26. Doces em calda
      27. Tahine

      Leites com baixo teor de lactose

      Além dos leites de soja, algumas empresas estão produzindo leites com baixo teor de lactose.

      Enquanto 1 litro de leite comum possui em média 4,9g de lactose, os leites com baixo teor de lactose possuem apenas 1g, quantidade digerível por muitas pessoas que possuem IL. Para as pessoas que não gostam do sabor da soja, os leites com baixo teor de lactose possuem grande vantagem, pois além de você ingerir os mesmos nutrientes do leite comum, o sabor fica inalterado. Entre as marcas mais conhecidas estão:

      1. Zymil (Parmalat) – leite semidesnatado com 90% menos lactose
      2. Elegê – Baixo Teor de Lactose (Eleva) – leite integral com 90% menos lactose
      3. Sensy (Batavo) – leite semi desnatado com 90% menos lactose
      4. Betania Lactose Reduzida (Betania) – leite semi desnatado com 90% menos lactose
      5. No Lac (Itambé) – leite semidesnatado com baixíssimo teor de lactose e presença de lactase.

      Lembremos que crianças menores de 2 anos não devem ser alimentadas com leites semi-desnatados ou desnatados. Nestes casos, caso necessário, devemos utilizar as fórmulas infantis sem lactose (fórmulas de soja, NAN sem lactose, Aptamil sem lactose, Enfamil sem lactose) pois são nutricionalmente mais completas. Observe que a maioria dos leites sem lactose são semi-desnatados (menos gordura).

      Uso da enzima lactase

      A procura por cápsulas de enzima lactase tem crescido consideravelmente no Brasil. É cada vez maior o número de pessoas que procuram seus médicos, fazem os exames e acabam descobrindo que os sintomas indesejáveis com os quais conviviam eram na verdade conseqüência de uma intolerância à lactose.

      Uma excelente alternativa para quem tem maior dificuldade de se adaptar a novos hábitos alimentares é o uso de cápsulas de lactase. Entretanto, só é possível adquirir a enzima através da importação do produto (Lactaid Fast Act e outros) ou em farmácias de manipulação. Desvantagem da enzima manipulada é o fato que esta deve ser mantida sob refrigeração, o que impede que se coloque as cápsulas no bolso para levá-las aonde formos.

  • Como saber se meu filho realmente tem intolerância à lactose?
Retocolite ulcerativa
  • Retocolite ulcerativa, alimentação e estilo de vida
    • Não ha firme evidência de que o que você come possa verdadeiramente causar Doença Inflamatória Intestinal (DII). Mas certos alimentos ou bebidas podem agravar os seus sintomas, especialmente durante a recorrência da doença. Algumas pessoas com colite ulcerativa necessitam restringir sua dieta todo o tempo, outras somente por algum tempo. Para um número reduzido de pessoas a dieta não faz nenhuma diferença. Assim, lembre-se que cada pessoa pode apresentar uma intolerância alimentar diferente e, portanto, não há uma dieta rígida a ser seguida.

      Como acontece com todos nós a alimentação e o estilo de vida podem fazer toda a diferença, principalmente na vida das pessoas com retocolite.

      É uma boa idéia tentar eliminar de sua dieta qualquer coisa que possa piorar os seus sintomas. Aqui estão algumas sugestões que podem ajudar:

      1. Limite leite e produtos derivados de leite. Da mesma forma que muitas pessoas com DII, você pode estar notando que alguns sintomas como diarréia, dor abdominal e gás melhoram quando você limita ou elimina leite e derivados. Você deve ter intolerância à lactose - ou seja, o seu organismo não pode digerir o açúcar do leite (lactose). Sendo assim, tente substituir o leite e derivados por iogurte ou queijos com pouca lactose como o Swiss e o Cheddar. Ou use um produto que contenha a enzima lactase, como Lactaid, que ajuda a quebrar (digerir) a lactose. Em alguns casos, entretanto, você deve eliminar completamente qualquer leite e qualquer produto derivado.

        Preste atenção ao seu intestino...

      2. Consuma alimentos com pouca gordura. A passagem de gordura pelo intestino pode piorar a diarréia. Alimentos que podem ser especialmente problemáticos incluem manteiga, margarina, creme de amendoim, nozes, maionese, abacate, nata, sorvete, frituras, chocolate e carne vermelha. Mas lembre-se que isto é muito individual.
      3. Experimente reduzir as fibras da dieta. Para muitas pessoas, alimentos ricos em fibra como frutas, vegetais e grãos integrais são a base para uma dieta saudável. Mas se você tem DII, as fibras podem fazer com que a diarréia, a dor e os gazes piorem. Se as frutas e os vegetais crus incomodam, você pode consumí-las cozidas ou assadas. Você também pode notar que tolera mais alguns tipos de frutas e vegetais do que outros. Em geral pode haver mais problemas com os vegetais da família dos crucíferos, como a couve, o repolho, o brócolis e a couve-flor, e com alimentos muito crocantes tais como maçã e cenoura crua.
      4. Experimente proteína. Para algumas pessoas comer uma dieta rica em proteína, tal como carne magra, frango, peixe e ovos, pode ajudar a melhorar os sintomas de DII.
      5. Evite alimentos “problemáticos”. Elimine qualquer outro alimento que possa piorar os seus sintomas. Entre esses podem estar alimentos "gasosos" como feijão, couve e brócolis, frutas e suco de frutas cruas - especialmente frutas cítricas - alimentos condimentados, pipoca, álcool, cafeína, e alimentos e bebidas que contenham cafeína como chocolate e refrigerantes.
      6. Faça pequenas refeições. Você pode se sentir melhor fazendo 5 ou 6 pequenas refeições do que 2 ou 3 refeições copiosas. Beba pelo menos de 8 a 10 copos de líquidos por dia. Água é melhor. Álcool e bebidas que contenham cafeína estimula o seu intestino e pode piorar a diarréia, enquanto bebidas carbonatadas frequentemente produzem gás.

      Se você começar a perder peso ou se a sua dieta está começando a ficar muito limitada, fale com um nutricionista.

      Sobre as fibras:

      Esistem dois tipos de fibras: solúveis (devem ser consumidas) e insolúveis (devem ser evitadas em pessoas com retocolite).

      Insolúveis: pães integrais, casca de maça e uva, pipoca, farelo de trigo, brócolis, repolho, etc. Estas fibras não são digeridas e chegam ao cólon intactas podendo aderir à mucosa inflamada e agravar os sintomas. De modo geral tudo que chega às fezes em partículas não digeridas é considerado fibra insolúvel.

      Solúveis: corpo das frutas (maça e pêra), vegetais cozidos (batata e cenoura), arroz. Podem até ajudar na colite

      Óleo de peixe: benéficos para a colite (sardinhas principalmente)

      Estresse

      Embora estresse não possa causar DII, ele pode fazer com que seus sintomas fiquem muito piores e pode desencadear uma recaída. Eventos estressantes podem ser desde uma pequena incomodação até algo pior.

      Quando você está sob estresse, seu processo digestivo normal muda. Seu estômago se esvazia mais lentamente e secreta mais ácido. Estresse pode também acelerar ou diminuir a passagem de fezes através de seu intestino. Isso pode, também, por si só, causar mudanças no tecido intestinal.

      Embora nem sempre seja possível evitar o estresse, você pode aprender técnicas que ajudem a manejá-lo. Algumas dessas estratégias incluem:

      Exercício. Mesmo exercícios leves podem ajudar a reduzir estresse, aliviar a depressão e normalizar a função do intestino.

      Yoga, hipnose, meditação, controle da respiração, artes marciais: são algumas das práticas praticados por pessoas com retocolite e que ajudam muito no controle da doença.

      Resumindo

      Aprender a evitar alimentos pode dar-lhe um melhor controle de sua doença e permitir uma maior liberdade para desfrutar de uma vida ativa. Apesar do fato não há nenhuma prova científica, muitas pessoas com colite ulcerativa descobriram que um ou mais dos seguintes alimentos podem desencadear seus sintomas:

      1. álcool
      2. cafeína
      3. bebidas carbonatadas
      4. produtos lácteos (Leite integral, leite condensado, creme de leite, leite achocolatado, queijos amarelos - mussarela e prato-, parmesão, cheddar, roquefort; margarina e manteiga.)
      5. feijão, ervilha e legumes
      6. frutas secas, bagas, frutos com polpa ou sementes
      7. alimentos que contenham enxofre ou sulfato
      8. alimentos ricos em fibras, incluindo grãos integrais
      9. molho picante, pimenta e condimentos (páprica, orégano, pimenta-do-reino, pimentas, mostarda, ketchup).
      10. carnes
      11. nozes, crocante manteigas de porca
      12. pipoca
      13. produtos de goma contendo sorbitol (sem açúcar e doces)
      14. vegetais crus e verduras folhosas
      15. açúcar refinado
      16. sementes
      17. alimentos condimentados, molhos
      18. Açúcar em grande quantidade e certos doces (goiabada, marmelada e chocolates).

      Alimentos que normalmente não causam “problemas” nas pessoas com DII:

      1. Carne magra, peixes (sem a pele), aves (sem a pele).
      2. Leites especiais: Modulen® (Nestlé) ou Elegê® (Elegê Alimentos), com baixos teores de lactose.
      3. Pão francês, pão de forma, broa de milho, torradas e bolachas não-recheadas.
      4. Frutas (maçã, pêra, goiaba – todas sem a casca –, banana-maçã, banana-nanica, caju, limão) podem ser ingeridas cruas ou cozidas (como compota) ou na forma de seus respectivos sucos.
      5. Legumes (cenoura, chuchu, abobrinha) devem ser ingeridos cozidos.
      6. Féculas (batata, cará, inhame, mandioquinha e mandioca) devem ser ingeridas cozidas.
      7. Leguminosas (feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha e soja) devem ser ingeridos somente seus respectivos caldos.
      8. Doces: de preferência os dietéticos, que não contêm açúcar.
      9. Ovo: mexido, pochê, cozido, omelete.
      10. Cereais: arroz refinado, macarrão com molho sem condimentos.
      11. Diversos: sal, temperos naturais, vinagre.
      12. Bebidas: água, chá, café, limonada.

      Dica de livro de "dietas" para retocolite: www.colitiscookbook.com

      Para mais listas de alimentos:
      www.crohnszone.org/lowfibre.html
      www.ulcerativecolitis.org.uk

Endoscopia digestiva na criança
  • O que é endoscopia?
    • Endoscopia

      A palavra endoscopia significa "olhar dentro". A endoscopia é um teste diagnóstico desenhado para avaliar a superfície interna do trato gastrointestinal alto, e inclui:

      1. esôfago (tubo que leva o alimento da boca até o estômago)
      2. estômago (onde o alimento é armazenado imediatamente após a refeição)
      3. duodeno (início do intestino delgado onde o alimento passa a ser digerido e absorvido)
      4. Intestino grosso (onde as fezes são processadas, avaliado pela colonoscopia)

      O teste é realizado com um instrumento especial, chamado endoscópio. Um tubo longo e fino, com uma luz brilhante na extremidade e uma câmera de alta definição que transmite as imagens do interior do trato digestivo para um monitor, onde o médico interpreta as imagens, fotografa e realiza biópsias se necessário.

  • Como é realizada?
    • A prioridade é fazer o exame de maneira segura, com o máximo de conforto e gerando o mínimo de ansiedade aos pais e a criança.

      Para cumprir com estes objetivos o exame deve ser realizado sempre observando os seguintes aspectos:

      1. Adequada indicação médica. Não deve ser realizado sem necessidade ou com indicação imprecisa.
      2. A presença de anestesista com experiência em anestesia infantil
      3. Utilização de aparelho moderno, de alta resolução e com calibre adequado à idade da criança
      4. Tempo de jejum adequado e diferenciado para cada faixa etária e exames realizados preferencialmente pela manhã uma vez que as crianças toleram menos o jejum.
      5. Ambiente seguro, hospitalar, com recursos de última geração voltados à criança, com unidade de terapia intensiva pediátrica.
      6. Sala de exame humana e aconchegante
      7. Explicar todos os passos do procedimento para os pais e para a criança e elucidar toda e qualquer dúvida relacionada ao exame
      8. Permitir que os pais acompanhem a criança durante quase todo o processo. No momento da realização do exame a percepção da criança é que os pais permanecem ao seu lado o tempo todo, gerando segurança e conforto e diminuindo muito a ansiedade do pequeno paciente. Crianças menores podem levar seu brinquedo predileto.
      9. Observar todas as normas nacionais e internacionais de desinfecção dos aparelhos e de segurança para o paciente.

      A endoscopia digestiva em crianças é um procedimento rápido e seguro, sem desconforto para a criança desde que observados todos os requisitos listados acima.

      Em Belo Horizonte, o Hospital Mater Dei oferece todas estas condições, sendo o local ideal para realização da endoscopia digestiva alta na criança e no adolescente quando indicado.

  • Como o teste é realizado?
    • O teste é realizado sob anestesia ou sedação, dependendo das necessidades da criança e da natureza do procedimento.

      Durante a maioria dos procedimentos são realizadas biópsias. A biópsia significa retirar um minúsculo fragmento da mucosa para que seja avaliada através do microscópio por um médico patologista. A biópsia é indolor e ocorre um sangramento mínimo e limitado.

  • Indicações
    • Dentre as indicações de endoscopia digestiva alta nas crianças, a mais freqüente é a dor abdominal recorrente, sendo realizada quando se suspeita de uma etiologia orgânica, e outras causas já foram excluídas.

      Vômitos persistentes, de causa inexplicada, também correspondem à outra indicação de endoscopia, especialmente quando sugere doença péptica, inflamatória ou obstrutiva intrínseca do tubo digestivo alto.

      A endoscopia é de grande valor na investigação e tratamento do sangramento intestinal, uma vez que além de diagnosticar o sítio de sangramento, permite tratar a maior parte das lesões sangrantes.

      Este exame também é solicitado em unidades de emergência nos casos de ingestão de pequenos objetos, principalmente moedas em crianças pequenas. Situação que traz muita ansiedade para os pais.

      Já a colonoscopia é extremamente útil na avaliação das inflamações do intestino (colites), na investigação de sangramento vivo ou oculto, e na suspeita de pólipos (pequenas "verrugas" no intestino). A indicação mais freqüente em pediatria é o sangramento retal, e sua causa varia conforme a faixa etária.

      São muito poucas as contra-indicações para a endoscopia pediátrica. Uma vez sendo realizada com a aparelhagem adequada e por um profissional treinado, pode ser feita até em recém nascidos e prematuros. As contra-indicações estão mais relacionadas com as condições clínicas da criança. As complicações são raras.

  • O que é colonoscopia?
    • A colonoscopia é o exame que avalia o intestino grosso e o final do intestino delgado. É realizada com as mesmas condições da endoscopia alta, no entanto, o endoscópio de calibre adequado é passado através do ânus. Exige um preparo adequado antes do exame para “limpeza” do intestino. Este preparo é individualizado e depende da idade e das condições clínicas da criança.

  • Os pais podem entrar na sala de endoscopia com a criança?
    • Os pais entram com a criança ou o adolescente na sala de endoscopia e permanecem junto com a mesma, segurando sua mão até a criança dormir ou até o anestesista avaliar como o momento mais adequado.

      Assim que o exame termina o médico pessoalmente avisa os pais na sala de espera e adianta o resultado, caso avalie como pertinente.

      Antes de a criança acordar os pais são chamados para permanecer juntos com a mesma de modo que a sensação que a criança tem é que os pais não saíram de perto, trazendo segurança, conforto e diminuindo a ansiedade da criança.

  • Quais são os riscos da endoscopia?
    • São muito poucos os pacientes que possuem complicações sérias e inesperadas durante ou após a endoscopia diagnóstica. A maioria dos pacientes têm uma dor de garganta leve e um pequeno sangramento na região das biópsias. Este sangramento é auto limitado e não é visível, a menos que o paciente vomite, o que não é comum. Raramente acontece um sangramento maior, podendo então ser necessária nova endoscopia para cauterização da área.

      Perfuração é uma complicação rara e séria que requer internação, antibióticos e numa minoria das vezes cirurgia. A perfuração ocorre com maior freqüência durante procedimentos terapêuticos, mas ainda assim é rara.

      A anestesia também possui seus riscos. Reações alérgicas, tosse, chiado no peito e rouquidão são possíveis. Os pais terão a oportunidade de discutir os aspectos específicos da anestesia com o médico anestesista antes do exame.

      Por isso é muito importante que o exame seja realizado em ambiente hospitalar com todos os recursos disponíveis para tratar de imediato qualquer complicação.

  • A endoscopia dói?
    • Sob anestesia ou sedação a criança não sente absolutamente nenhuma dor e não se recorda de nada relativo à endoscopia. Após o paciente acordar pode sentir uma leve dor de garganta e um pouco de dor abdominal pois o médico injeta ar no estômago para melhor visualização.

  • Quanto tempo demora?
    • O paciente fica na sala de endoscopia por 20 a 40 minutos para a endoscopia alta e por 30 a 120 minutos para a colonoscopia. O tempo de realização do exame é, no entanto, menor.

  • Onde o exame é realizado?
    • No “day-hospital” (segundo andar do bloco novo) do Hospital Mater Dei. Para mais informações contactar a secretaria de endoscopia pelo telefone: (31) 3339-9279

  • O que acontece após o término do exame?
    • A criança permanece na sala de recuperação até passar o efeito da anestesia ou sedação, quando irá para a casa. Neste momento o médico entrega e explica o laudo e as fotografias para os pais que deverão entregar o resultado para o pediatra que solicitou o exame.

      O médico irá lhe informar se há necessidade de uma dieta especial após o exame.

      Atividade normal é permitida quando o efeito da anestesia passar e a criança pode ir à escola normalmente no dia seguinte.

  • Como é a preparação para a endoscopia e colonoscopia?
    • Antes do procedimento, as instruções serão dadas pelo médico. Estas informações se referem ao tempo de jejum e à necessidade de interrupção do uso de medicações. No caso da colonoscopia, serão fornecidos detalhes sobre a “limpeza” do intestino que deve ser realizada antes do exame.

      Nos casos de colonoscopia é sempre necessária uma consulta prévia.

      Caso seja de interesse dos pais, poderá ser realizada uma visita prévia ao local acompanhada pelo médico que realizará o exame.

  • Como marcar o exame?
    • A secretaria de endoscopia funciona em horário comercial para agendamento dos exames (31-33399279).

      Caso seja necessária mudança de horário ou cancelamento do exame favor entrar em contato. Caso a criança apresente febre ou tosse na semana que precede o exame, o mesmo deverá ser reagendado para outro momento.

Constipação
  • O que é?
    • Devemos entender como constipação intestinal crônica a dificuldade de evacuar ou diminuição da freqüência das evacuações. As fezes podem ser endurecidas, ressecadas, volumosas chegando a entupir o vaso sanitário, e até acompanhadas de sangramento intestinal em forma de raias de sangue, devido à formação de fissura anal. Pode ocorrer ainda um escape fecal caracterizado por uma "pasta escura" de fezes e com odor muito ruim na cueca ou na calcinha da criança. Este quadro às vezes é confundido com diarréia.

  • Quanto tempo meu bebê pode ficar sem evacuar?
    • É importante lembrar que o bebê nos primeiros meses de vida pode apresentar um intervalo entre as evacuações de alguns dias, sem ser portador de constipação intestinal, desde que ele evacue fezes amolecidas, pastosas sem a presença de sangue e dor ao evacuar, o intervalo não importa e pode chegar até a 10 dias.

  • Porque acontece a constipação?
    • A constipação intestinal, na grande maioria das vezes, é de causa funcional por distúrbio da motilidade intestinal, e não como se acreditava anteriormente determinada unicamente por problemas emocionais. Na verdade, estes podem exacerbar o quadro.

      Algumas doenças orgânicas também podem levar a constipação intestinal como o megacolon congênito ( doença de Hirschsprung), hipotireoidismo, estenose retal e ânus anteriorizado.

  • Existe uma receita mágica?
    • Não. Esta é uma área onde existem muitos mitos e onde parentes, vizinhos e amigos sempre procuram dar sua "receita" para melhora dos sintomas da criança. Apenas o pediatra do seu filho poderá orientar a melhor conduta e evitar um prejuízo e estresse ainda maior para a família.

  • Como tratar?
    • É muito importante o acompanhamento do pediatra ou do gastroenterologista pediátrico que deverá orientar as medidas dietéticas e comportamentais a serem seguidas e que deverão ser individualizadas para cada criança. A maioria dos casos evolui com sucesso.

      Os laxantes devem ser usados sempre sob orientação médica, já que muitos deles podem ser prejudiciais. Algumas vezes é necessária a realização de lavagens intestinais na presença de fecaloma (impactação de massa de fezes no reto).

Refluxo gastro-esofágico na infância
  • O que é?
    • O refluxo gastroesofágico (RGE) caracteriza-se pelo fluxo retrógrado (que volta) e involuntário do conteúdo do estômago para o esôfago.

      O RGE é reconhecido como fenômeno fisiológico, normal, que ocorre ocasionalmente no ser humano, especialmente após alimentações e é muito freqüente em crianças menores de 1 ano.

      O RGE fisiológico, também chamado de regurgitação infantil caracteriza-se por episódios de refluxos, sem qualquer transtorno maior para a saúde da criança. Normalmente ocorrem em crianças que além das regurgitações não apresentam nenhum sinal de agravo à saúde e nenhuma conseqüência negativa ao seu desenvolvimento (perda de peso, anemia, dor, chiado no peito, tosse crônica, perda da respiração, engasgos, etc). A tendência é de melhora aos 18 meses de idade.

      Hoje existe uma grande preocupação com a excessiva solicitação de exames e o excesso de prescrição de medicamentos ou mudanças de dieta para as crianças que regurgitam. Se a criança não é conduzida de forma adequada (supervalorização ou subvalorização do diagnóstico), isso pode trazer prejuízo à sua saúde.

      Por outro lado, quando o refluxo gastroesofágico está associado a sinais e sintomas que interferem com a qualidade de vida de seu filho é denominado Doença do Refluxo Gastroesofágico - DRGE (pode estar associado a engasgos, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragia digestiva, cianose, apnéia, pneumonias de repetição, chiado, asma, rouquidão, anemia, etc.).

      Quando presente a DRGE é necessário determinar se a doença é primária (sem doença subjacente) ou secundária (com alterações estruturais, metabólicas, infecciosas, neurológicas ou alérgicas que podem ser responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago).

      As crianças com RGE devem ser acompanhadas durante toda a infância, pois embora parte delas irá cessar os sintomas, outras continuarão com os mesmos, ou ainda apresentarão outras alterações clínicas associadas ao refluxo.

      Quanto ao tratamento, é importante ressaltar que não vai curar o RGE e sim evitar as complicações. O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso

      1. Medidas posturais: elevar a cabeceira da cama em um ângulo de 30 a 45º e, na medida do possível, colocar o bebê deitado do lado esquerdo.
      2. Medidas dietéticas: manter aleitamento materno exclusivo; se o bebê receber leite em pó, fracionar as mamadeiras e, em alguns casos, engrossar o leite ou procurar uma formulação mais adequada (segundo orientação médica).
        As mamadeiras devem ser tomadas com o bebê em posição semi-elevada e, após as mesmas, esperar pelo menos quarenta minutos para deitar.
      3. Tratamento medicamentoso: deve sempre ser realizado pelo médico, e consiste de medicamentos que inibem a secreção ácida proveniente do estômago, causadora de muitas complicações, além de remédios que possam tonificar a válvula que se localiza entre o esôfago e o estômago. Os remédios não curam o RGE, mas o controlam.
  • Quando devo me preocupar?
    • O refluxo considerado doença (refluxo patológico ou doença do refluxo gastroesofágico) pode apresentar repercussões clínicas como déficit do crescimento e peso, dor abdominal, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragias digestivas, chiado no peito, tosse crônica, pneumonias de repetição ou complicações relacionadas ao nariz, ouvido, seios da face e garganta.

      A distinção entre refluxo fisiológico e patológico exige habilidade no diagnóstico e atenção na escolha do tratamento mais adequado a cada caso, e deve ser sempre avaliado pelo seu pediatra.

      Entre as crianças que apresentam regurgitações com freqüência preocupante para os pais, apenas 2% necessitarão de investigação.

  • Como o pediatra sabe se o refluxo do meu bebê é normal?
    • Nas primeiras semanas de vida, muitos bebês normais regurgitam uma ou mais vezes por dia, pouco tempo após a alimentação. A regurgitação fisiológica, normal, ocorre quando a criança não apresenta outros sintomas, a evolução do ganho de peso é normal e a diminuição gradativa das regurgitações ocorre ao longo do tempo, cessando por volta dos sete a oito meses de idade.

      A abordagem diagnóstica do lactente com queixa de regurgitações freqüentes deve ser realizada, inicialmente, verificando-se a experiência materna com a alimentação do bebê. Em seguida, procura-se identificar, pela história e observação da amamentação da criança durante a consulta, se as seguintes situações, que podem causar regurgitação e vômitos, estão presentes: (1) aquelas que favorecem a ingestão excessiva de ar antes ou durante as mamadas como choro intenso, ou orifício do bico da mamadeira muito grande ou muito pequeno; (2) se o lactente em aleitamento artificial, especialmente no primeiro mês de vida, recebe excesso de leite em cada mamada; (3) se a criança é muito manipulada após as mamadas e (4) se o bebê não é colocado para arrotar após as mamadas. Durante os primeiros seis meses de vida, a criança respira durante a sucção e, conseqüentemente, ocorre preenchimento da orofaringe com ar, o qual é levado junto com o alimento para o esôfago e estômago. Esse fato explica a necessidade da criança de arrotar, sendo necessário mantê-la alguns minutos levantada, na posição vertical, após as mamadas. Se a criança é colocada na posição deitada imediatamente após ter mamado, a expulsão do ar por meio do arroto pode causar regurgitação do leite. Esse padrão geralmente cessa a partir dos seis meses de idade, quando a respiração e a sucção passam a ocorrer de forma alternada.

  • Quais os "tipos de refluxo gastroesofágico"?
    • Não existem tipos de refluxo, mas sim uma classificação que busca nos orientar quanto às diversas manifestações clínicas e seu prognóstico.

      FISIOLÓGICO (NORMAL)

      O refluxo fisiológico (normal) é mais comum nos primeiros meses de vida. As regurgitações pós-alimentares apresentam resolução espontânea, na maioria dos casos, até um a dois anos de idade. O crescimento da criança é normal, e não há outros sintomas ou complicações associadas. A freqüência das regurgitações diminui após seis meses de idade, coincidindo com a introdução de dieta sólida (sopinhas) e adoção de postura corporal mais ereta (mais assentadinha) pela criança.

      PATOLÓGICO (DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO)

      Suspeita-se de refluxo patológico quando os vômitos e regurgitações persistem de modo significativo após os seis meses de idade, não respondem às medidas de postura e dietéticas, e quando estão presentes repercussões clínicas como parada do crescimento, perda de peso ou sintomas e sinais sugestivos de inflamação do esôfago (esofagite), principalmente irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, e dificuldade para dormir em lactentes pequenos.

      REFLUXO OCULTO

      O refluxo é denominado oculto quando manifestações respiratórias, otorrinolaringológicas ou indicativas de esofagite ocorrem na ausência de vômitos e regurgitações.

      REFLUXO PRIMÁRIO

      Refluxo primário resulta da disfunção entre a união do esôfago com o estômago, facilitando as regurgitações e vômitos.

      REFLUXO SECUNDÁRIO

      O refluxo secundário ocorre como conseqüência de outras doenças, tais como estreitamento congênito do esôfago, comunicação entre a traquéia e o esôfago, distúrbios da deglutição, alergia ao leite de vaca, infecção urinária, parasitoses intestinais (vermes), fibrose cística, doenças neurológicas entre outras que são responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago.

  • O que as crianças sentem quando têm refluxo?
    • Dependendo da idade de início dos sintomas, o refluxo pode ter vários significados e cursos clínicos distintos.

      Em lactentes (até os 2 anos de idade) a suspeita de inflamação no esôfago (esofagite) ocorre quando há choro excessivo, irritabilidade, distúrbios do sono, agitação e recusa da dieta (a criança passa a ter medo de alimentar-se e sentir dor).

      A criança maior pode queixar-se de queimação sobre o estômago, dor no peito, dor abdominal, dor durante a alimentação e excesso de salivação. O refluxo do adolescente pode ser um prolongamento da primeira, ou aparecer mais tardiamente; tem sintomas persistentes e, quase sempre, necessita de tratamento.

      Outras manifestações clínicas do refluxo são: ruminação (ficar com movimentos mastigatórios contínuos), disfagia (dificuldade de alimentar-se), arrotos, soluços, anemia e sangramentos; chiados no peito de repetição, pneumonias de repetição, laringites, sinusites, infecções do ouvido de repetição e outras.

      O refluxo tem sido associado a vários outros acontecimentos na vida da criança, como morte súbita do lactente, soluços, rouquidão e erosão dentária. Como pode ser constatado, somente o médico poderá fazer o diagnóstico diferencial entre tantas condições clínicas apresentadas pela criança que vomita.

  • Que exames precisam ser realizados?
    • Somente os lactentes e crianças que apresentam sinais e sintomas clínicos sugestivos de complicações de refluxo gastroesofágico deverão ser submetidos à investigação diagnóstica. Em muitos casos não é necessária a realização de exames. Apenas através de uma consulta detalhada e cuidadosa e um exame físico completo é possível estabelecer o tratamento mais adequado para seu filho.

      Não existe um único exame que possa confirmar o diagnóstico de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), na maioria das vezes eles são complementares.

      Exames disponíveis para investigação:

      1. Radiografia de esôfago, estômago e duodeno (REED)
      2. Manometria para medir a pressão da região situada entre o esôfago e o estômago
      3. Cintilografia gastroesofágica
      4. Ultrassonografia do abdome superior
      5. Estudo da deglutição: deglutograma baritado e videofluoroscopia
      6. Endoscopia digestiva alta e biópsia esofágica – indicada principalmente quando se pensa em esofagite e suas conseqüências
      7. Monitorização do pH do esôfago (pHmetria 24 horas)
      8. Impedanciometria esofágica intraluminal
  • Qual o tratamento?
    • A orientação aos pais é de fundamental importância. Eles devem conhecer a evolução do refluxo, suas principais conseqüências, o tempo de evolução e cura, bem como a importância do seguimento periódico de seu filho. Algumas vezes, somente com a orientação adequada, a freqüência das regurgitações e vômitos chega a diminuir.

      O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso.

      MEDIDAS POSTURAIS E DIETÉTICAS

      As modificações dietéticas propostas para reduzir os episódios de refluxo devem respeitar as necessidades nutricionais da criança. O espessamento da mamadeira tem maior eficácia para alívio das regurgitações.

      Alimentos e medicamentos que diminuem o tônus da junção entre o estômago e o esôfago ou aumentem a acidez gástrica devem ser evitados. Como, por exemplo, alimentos gordurosos, frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, etc), tomates, café, álcool, fumo (inclusive fumantes passivos, como as crianças); e alguns medicamentos, devem ser evitados.

      Recomenda-se, em geral, cabeceira do berço ou da cama elevada a 30 graus e manutenção da criança ereta (quase em pé) no período pós-alimentação.

      MEDICAMENTOS

      Cabe ao seu pediatra avaliar qual a medicação mais adequada para seu filho. Entre as medicações disponíveis para o uso estão: domperidona, metoclopramida, bromoprida, eritromicina, inibidores H2 e os bloqueadores da bomba de prótons. Hoje, excepcionalmente a cirurgia está indicada.

Dor Abdominal
  • O que é a Dor Abdominal Recorrente?
    • Qualquer dor localizada no abdome da criança e que se repete com freqüência, causando preocupação aos pais. No mundo científico é definida como três ou mais episódios de dores no abdome, pelo menos nos últimos três meses, intensos o suficiente para prejudicar o dia-a-dia da criança, de alguma maneira, durante o período em que estiver sentindo dor.

  • O que causa esta dor?
    • Pode ser devido à doença orgânica ou funcional. São inúmeras as doenças orgânicas que podem causar estas dores (ex: alergias alimentares, doença celíaca, intolerância a lactose, vermes, câncer, pedra na vesícula e rins, doenças do pâncreas, etc...). Em mais de 90% dos casos, no entanto, a dor é funcional. Nestes casos as crianças relatam a dor, mas todos os estudos e exames que forem feitos sobre a criança irão se mostrar normais, sem ela apresentar qualquer indício de doença orgânica que cause a dor.

  • O que significa Dor Funcional?
    • A dor funcional é aquela que a pessoa sente, mas que os médicos não encontram uma causa específica. Diversos fatores são implicados no surgimento deste tipo de dor. Muitos estudos realizados com pacientes mostram que estas pessoas possuem uma maior facilidade para experimentar sensações dolorosas frente a alguns problemas, e que a distensão intestinal nestas pessoas também se apresenta mais dolorosa quando comparados níveis semelhantes de estímulo entre pessoas “normais”.

      Os receptores de dor destas crianças são mais sensíveis aos estímulos dolorosos e também os mecanismos centrais de modulação da dor agem de forma incompleta no bloqueio de sensações dolorosas de menor intensidade e importância. Por enquanto, os exames que mostram estas alterações somente estão presentes em centros especializados, nos Estados Unidos e Europa. É importante ressaltar que a criança sente uma dor verdadeira, e não está mentindo ou chamando a atenção.

  • Porque esta dor é tão importante?
    • Primeiro, porque é muito frequente. Em segundo lugar, causam muita angústia aos pais que não sabem como lidar com as dores de seu filho (tem períodos que relevam mais a dor e períodos em que voltam ficar preocupados) e acabam por gerar uma infinidade de exames, induzindo a família a longas jornadas de investigação e mudanças frequentes de médicos.

  • Como a Dor Abdominal Recorrente Funcional se manifesta?
    • Na Dor Abdominal Recorrente Funcional podem ser percebidas três formas de manifestações, uma com dor periumbilical (em volta do umbigo) clássica, na qual a criança apresenta em geral apenas os episódios de dor periumbilical, que podem durar de alguns minutos a horas ou dias, não são encontrados outros sinais de acometimento sistêmico, e o exame físico do paciente é em geral normal.

      No segundo tipo, dispéptico, os pacientes podem apresentam vômitos, náuseas, gases e sensação de queimação com localização mais epigástrica porém também periumbilical. A dor piora com o jejum, melhorando com a alimentação.

      Já na Dor Abdominal Recorrente Funcional com dismotilidade intestinal, a dor em geral se localiza na porção inferior do abdome. Pode ocorrer diarréia ou constipação, ocorrendo alívio dos sintomas com o ato de evacuar.

  • É grave?
    • Não, mas pode gerar grande desconforto para a criança e afetar significativamente o seu dia a dia, levando muita angústia aos pais e até aos pediatras.

  • Como sei se meu filho(a) possui a Dor Abdominal Recorrente Funcional?
    • Somente o seu médico poderá dizer com segurança se a dor é funcional ou não. É imprescindível um bom tempo de consulta ou consultas e, dependendo do caso, são necessários alguns exames complementares, que podem ser poucos ou muitos. A necessidade destes exames é variável. Somente após esta avaliação o seu médico poderá fazer o diagnóstico de certeza.

  • Quais os sinais de alerta para uma doença orgânica?
    • Há sinais e sintomas de alerta que sugerem origem orgânica para os episódios isolados de dor abdominal, tais como perda de peso, desaceleração do crescimento, dor distante da região umbilical, manifestações extra-intestinais (febre, erupções na pele, dor articular, aftas recorrentes e dificuldade para urinar), presença de sangue nas fezes, diarréia crônica, anemia, “exames de sangue” alterados e história familiar de doença ulcerosa ou inflamatória do tubo digestivo. A presença dessas alterações, associadas a outras mais específicas de cada causa orgânica, orienta para a realização de exames mais específicos.

  • A Dor Abdominal Recorrente Funcional tem tratamento?
    • Sim. Em primeiro lugar, o diagnóstico deve dado apenas pelo médico após os exames que ele julgar necessários. Uma vez concluída a investigação o médico iniciará o tratamento que inclui: medidas comportamentais, explicação exata da doença, orientação acerca dos sinais de alerta, técnicas para diminuir a intensidade da dor e algumas vezes até medicamentos placebos.

      A criança deve fazer consultas periódicas, principalmente nos primeiros 6 meses, para que sejam reforçados e esclarecidos os conceitos de Dor Abdominal Recorrente Funcional e as maneiras de lidar com a dor. Verificam-se nesses encontros se ainda estão presentes os ganhos secundários, sinais e sintomas de alerta ou outros achados que sugiram doença orgânica.

      A maioria das crianças melhoram após 3 meses de consultas. Grande parte dos pais se despreocupam definitivamente e vivem melhor e mais tranqüilos...

      Mesmo com esta abordagem, algumas crianças apresentarão dores por até cinco anos após o diagnóstico, e outras levarão queixas de dor, além da Dor Abdominal Recorrente Funcional, até a vida adulta, como enxaquecas e dores nas costas.

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