Clínica pediátrica Mon Petit
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Pediatria Geral

Estas orientações foram escritas pela Drª. Letícia Lima.

As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.

Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.

  • A escolha do pediatra ideal para seu filho
    • Escolher o pediatra adequado é uma das mais importantes decisões de qualquer casal que acaba de ter um filho. Uma das mais importantes e difíceis. Geralmente, esta escolha tende a ser feita durante a gravidez, chegando-se a uma conclusão no sétimo ou oitavo mês de gestação, tendo por base conselhos e opiniões de amigos, conhecidos e familiares ou do próprio obstetra que segue a mãe durante a gravidez. Quando indicado por amigos, trata-se de pessoas que já passaram pela tarefa de eleger um pediatra para acompanhar os filhos, e estão mais ou menos habilitadas a sugerir o nome deste ou daquele médico. Embora essas sugestões sejam muito importantes (até decisivas), tanto você como o seu parceiro não devem se esquecer de ponderar sobre algumas questões práticas que podem ajudar no momento da escolha.

      São elas:

      1. Flexibilidade de horário do pediatra.
      2. Disponibilidade do pediatra em situações de emergência.
      3. Localização do consultório e facilidade de estacionamento.

      Embora seja uma situação desagradável e constrangedora, os pais do bebê não devem hesitar em mudar de pediatra, caso este não corresponda às suas expectativas. Uma vez que, em média, o pediatra é visitado uma dezena de vezes até ao primeiro ano de vida do bebê, convém que seja merecedor da confiança e respeito dos pais.

      O Check Up médico

      O bebê deve ser acompanhado por um especialista, pelo menos, uma vez por mês, até completar os quatro meses de idade.

      Estas consultas têm por objetivo apurar sobre o seu estado de saúde e grau de desenvolvimento. Para o efeito, o pediatra deve também ter em atenção eventuais considerações que você possa fazer acerca do seu filho (acha que ele come pouco, tem muita tosse, etc).

      Ao examinar um bebê com um mês de idade - momento em que decorre, normalmente, a primeira consulta de pediatria -, o seu pediatra deverá:

      1. Pesar e medir o bebê para assegurar que o seu crescimento está em sintonia com os padrões normais.
      2. Verificar se a ferida umbilical está cicatrizando bem e sem problemas.
      3. Eventualmente, vacinar o bebê contra a hepatite, se o considerar necessário naquela idade. Regra geral, a primeira grande etapa de vacinações acontece aos dois meses.
      4. Examinar a vista e a audição do bebê.
      5. Questionar a mãe sobre aspectos pontuais da alimentação, do crescimento e desenvolvimento do bebê.

      Nas consultas posteriores, o procedimento é mais ou menos o mesmo, sendo que, no quarto mês, o pediatra deve medir o crânio do bebê e comparar essa medida com os valores-padrão.

  • Cuidados com o cordão umbilical
    • O cordão umbilical representa a ligação anatômica do bebê com a mãe. É cortado no nascimento do bebê e deve ser tratado com muito cuidado para que cicatrize bem, pois é um dos locais com maior risco de infecções para os recém-nascidos. Os bebês recebem os nutrientes e o oxigênio através do cordão umbilical quando estão no ventre das mães. O cordão está ligado à placenta, que por sua vez se encontra associada à parede interna do útero materno, que lhe fornecerá os nutrientes e outras substâncias necessárias ao bebê e que se encontram no corpo da mãe.

      O cordão umbilical é considerado um importante elo de ligação do bebê com a mãe, mas é também, por vezes, uma preocupação bastante grande por ser um local de risco de infecções e por demorar algum tempo a cicatrizar, obrigando a cuidados especiais por parte dos pais.

      Depois do parto, um dos primeiros procedimentos se o bebê está respirando normalmente e tem as vias respiratórias libertas, é cortar o cordão umbilical. O médico coloca duas pinças no cordão e corta-o pelo meio. O procedimento é totalmente indolor para o bebê.

      Posteriormente, o resto do cordão umbilical que ficou preso ao nível do abdome do bebê é cuidado pelos médicos, para que cicatrize mais facilmente.

      Cuidados

      Os cuidados com o cordão umbilical a partir do nascimento aplicam-se tanto aos profissionais de saúde, que tratam do bebê nos primeiros dias, como aos pais, já em casa.

      O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco, colocando em cima uma compressa esterilizada e uma banda apropriada. Para que a fralda não interfira com o resto do cordão que permanece agarrado ao abdome do bebê, a colocação da fralda deve deixar o umbigo ao ar e nunca em contato com a urina.

      A roupa mais apropriada para o bebê nos primeiros dias, desde que o clima não esteja muito frio, será bastante leve e larga de forma a permitir que o ar seque o cordão e o faça a cair mais depressa. Se demorar muito tempo a cicatrizar, é normal que apareçam pequenas partes de tecido agarradas ao cordão, mas não são motivo para preocupações e desaparecem com o tempo.

      Sinais de risco e infecção

      Dada a fragilidade do cordão umbilical, é necessário verificar periodicamente se aparecem alguns sinais de risco. Os mais comuns são:

      1. A criança apresenta febre ou aparenta não estar bem de saúde.
      2. A zona do umbigo tornou-se inchada e vermelha.
      3. Aparecimento de pus na base do umbigo.

      Se for detectado algum destes sinais, é necessário recorrer ao médico, uma vez que o bebê tem uma infecção que deve ser tratada com antibióticos. Dada a fragilidade da saúde do bebê nos primeiros dias, um tratamento precoce é essencial.

      A queda do resto do cordão umbilical ocorre cerca de 10 a 21 dias após o parto, ficando o bebê com um umbigo, como o característico de todas as pessoas. Poderão aparecer alguns vestígios de sangue nas fraldas do bebê ao nível do umbigo resultantes da queda do cordão, mas esse é um sinal perfeitamente normal.

  • Como prevenir as assaduras
    • A pele do bebê é muito sensível. Ela é cinco vezes mais fina do que a dos adultos e os bebês ainda não estão prontos para combater os problemas de pele, por isso, estão mais sujeito às assaduras.

      O que é assadura?

      A assadura é uma reação da pele ao contato com substâncias como a urina e as fezes acumuladas nas fraldas.

      A assadura é mais frequente em bebês que urinam demais e evacuam a cada mamada. A urina e as fezes, com os germes, formam um pH diferente do da pele. Ela reage e surge a assadura. Quanto mais calor, pior é, pois a fralda abafa a região do bumbum e as bactérias aumentam.

      Sintomas

      1. Avermelhamento da pele, parece uma queimadura leve
      2. Feridas
      3. Infecções com pus e crostas

      Pode prejudicar as evacuações do bebê, se não for tratada rapidamente.

      1. Muita dor
      2. Febre
      3. Choro

      Tratamento

      1. Higienizar o bebê e aplicar uma pomada contra assaduras.
      2. Tomar antibióticos ou antifúngicos se indicados pelo médico.

      Prevenção

      1. Após cada troca de fralda limpe corretamente o bumbum e os órgãos genitais com algodão molhado em água morna.
      2. Evite tirar o excesso de cocô com a fralda descartável, pois o atrito pode irritar a pele do bebê.
      3. Se possível, deixe o bebê sem fralda por alguns instantes para ventilar bem a região.
      4. Tomar sol antes das 10 e depois das 15 horas na região do períneo por cerca de 15 minutos.
  • Cólicas no Bebê
    • Momentos que atormentam os bebês e preocupam os pais. A presença de cólicas atinge 50% dos recém-nascidos e desaparece por volta dos 3 meses. As causas ainda não foram descobertas pelos médicos, mas acredita-se que o problema seja decorrente da imaturidade do sistema gastrointestinal, além de outros fatores que podem colaborar, como por exemplo, o ar aspirado pelo bebê durante a amamentação e alimentos ingeridos pela mãe que causam fermentação durante a digestão.

      Algumas características são típicas no recém-nascido

      1. Apresenta o rosto avermelhado.
      2. Chora muito, pára e após minutos chora novamente.
      3. Se retorce.

      Não há medicação para tratar as cólicas. E os analgésicos são contra-indicados.

      Existem medidas preventivas que os pais podem fazer para ajudar

      1. Massagens na região do abdome para eliminar os gazes.
      2. Fazer o bebê arrotar para expelir o ar que entrou enquanto mamava.
      3. Compressas com fralda aquecida ou bolsa de água quente sobre a região da barriga.
      4. Fazer exercícios com as pernas do bebê.
      5. Ficar atento à alimentação.

      Dica: Muitas mães dizem que chás de erva-doce e de camomila ajudam, mas não devem ser adoçados com açúcar, para que não ocorra a fermentação e a situação piore ainda mais.

  • Amamentação
    • A primeira, primordial e insuperável forma de alimentar o recém nascido é o aleitamento materno.

      A recomendação pela Sociedade Brasileira de Pediatria, órgãos do governo e pela Organização Mundial de Saúde é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses e complementado pelo menos até os dois anos de idade.

      1. O bebê deve ser colocado para sugar logo após o nascimento. Mesmo que não sugue, deixá-lo sobre o corpo da mãe.
      2. O leite humano muda de composição e de características nas duas primeiras semanas.
      3. O bebê mama toda hora durante o primeiro mês, inclusive durante toda a noite. Isto não significa que o leite é fraco.
      4. Manter postura confortável, com vestimentas que não incomodem mãe nem bebê.
      5. O corpo do bebê deve ficar em contato com o tórax da mãe. Seus braços não devem se interpor entre seu corpo e o corpo da mãe, mas o bebê deve estar firmemente apoiado no colo ou nos braços da mãe.
      6. A mãe segura o seio com a mão em “C” e aproxima o bebê do mamilo. Assim que o bebê abre a boca, leva-o a abocanhar o mamilo. É ele quem se aproxima da mama e não a mama que se aproxima dele – esta posição evita dores e desconforto nas costas.
      7. O bebê deve abocanhar toda a aréola, com o queixo tocando a mama e os lábios curvados para fora.
      8. O bebê deve esvaziar toda a mama, o que ocorre por volta de 15 minutos após o início da mamada. Ao retirar o bebê da mama, a mãe, com o dedo mínimo, provoca uma pequena abertura no canto da boca do bebê para modificar a pressão interna e não causar lesões ao mamilo; espera o bebê arrotar e em seguida o coloca na outra mama, até ele se satisfazer, o que pode acontecer sem esvaziar completamente a segunda mama.
      9. Na próxima mamada, a mãe deve oferecer primeiro a segunda mama da mamada anterior.

      Para evitar lesões no mamilo

      1. Realizar a técnica correta de amamentação e a forma de cessá-la, colocando o dedo mínimo no canto da boca do bebê.
      2. Expor as mamas ao ar livre e/ou a luz solar diariamente, por cerca de 15 minutos.
      3. Não usar álcool, sabões, ou produtos que ressecam a pele.
      4. Dar de mamar ao bebê com bastante freqüência, nos primeiros meses, em livre demanda, ou seja, na hora em que o bebê solicitar.

      É importante lembrar:

      1. Mastite não contra indica a amamentação. Trata-se com antibiótico, analgésico e o esvaziamento da mama, o que não prejudica a saúde do bebê.
      2. O uso de qualquer droga pela mãe deve ser informado ao pediatra do bebê, para que este avalie e oriente adequadamente sobre a interrupção ou não do aleitamento.
  • Prevenção de acidentes
    • É fundamental que os pais tenham conhecimento em relação a segurança da criança a fim de prevenir de lesões não intencionais. Segue abaixo, algumas orientações divididas por idade de 0 a 5 anos.

      Recém nascido

      1. Aleitamento natural ou artificial – Esperar a criança arrotar pós a mamada antes de deita-la, evitando o refluxo e aspiração de leite.
      2. Aleitamento artificial – Checar a temperatura da mamadeira antes de oferecê-la a criança.
      3. Não aquecer a mamadeira no forno de microondas.
      4. O bico da mamadeira não pode ser grande demais, para que não deixe passar quantidade excessiva de líquido.
      5. Não deixar a criança mamando sozinha no berço para que adormeça.

      Banho

      1. Manter a temperatura da água do banho em aproximadamente 37ºC.
      2. Jamais deixar a criança sozinha durante o banho, evitando o risco de afogamento (o que é possível mesmo em banheira infantil contendo pouca água).

      Sono

      1. Usar cobertores leves e travesseiros firmes.
      2. A grade do berço deve ter uma distância de 6 cm entre cada ripa.
      3. A criança não deve dormir entre duas pessoas.
      4. A criança deve ser colocada para dormir em posição supina ( toda região das costas na cama), mas a posição de lado também é aceita. NUNCA de bruços.

      Transporte

      1. Não carregar o bebê e líquidos ou bebidas quentes ao mesmo tempo.
      2. Não deixar que a criança seja carregada por outra criança maior.
      3. Quando levado em automóvel o recém nascido deve ser transportado, desde a maternidade, em assento infantil apropriado para sua idade, o qual deverá ser mantido preso por cinto de segurança na posição de costas para a frente do veículo, no banco traseiro.
      4. Não carregar a criança em veículos de tração animal, bicicleta ou motocicleta.

      Ambiente doméstico

      1. Não ter plantas tóxicas dentro ou no entorno de casa.
      2. Manter o número do telefone do Centro de informações toxicológicas – CIT a vista de todos – n° 0800 780 200

      Seis meses

      1. Idem aos aspectos anteriores.

      Aleitamento natural ou artificial, banho, sono e transporte

      1. Não transportar a criança em carrinho de supermercado sem o cinto de segurança.
      2. Não deixar a criança desatendida em carrinho de supermercado mesmo com o cinto de segurança.

      Ambiente doméstico

      1. Não deixar ao alcance de crianças objetos pequenos, cortantes ou pontiagudos, sacos plásticos, cordões, fios nem barbantes.
      2. Proteger arestas pontiagudas de móveis e manter vedadas tomadas elétricas.
      3. Instalar travas de segurança “a prova de crianças” em portas e gavetas de armários que guardem utensílios domésticos, produtos sanitários e de higiene, cosméticos e medicamentos, além de ter preferência para adquirir produtos com embalagem a prova de crianças.
      4. Instalar portões com trinco automático na entrada de escadas e rampas, bem como na cozinha e banheiro, além de rede de proteção em sacadas e janelas.
      5. Evitar o contato da criança com animais domésticos, conhecidos ou não.
      6. Para aliviar o desconforto dos dentes de erupção, oferecer brinquedos corados com substâncias atóxicas e compostos por peças inteiras, os quais podem ser mordidos sem risco de intoxicação ou engasgo.
      7. Não expor a criança ao sol entre 10 e 16 horas.
      8. Instituir o uso de boné e protetor solar com FPS 15 contra raios UVA e UVB, reaplicando-o a cada 2 horas, mesmo em dias nublados.

      Alimentação

      1. Não oferecer alimentos que possam ser engolidos inteiros e causar engasgos, como grãos, caroços, sementes ou pipocas.

      Primeiro ano de vida

      1. Idem aos aspectos anteriores.

      Deslocamento

      1. Manter portões e cancelas trancados, com trincos de segurança, e escadas protegidas por grade.
      2. Não colocar a criança em andador.

      Lazer

      1. Observar permanentemente a criança que estiver brincando na água, seja em banheira, piscina, lagoa, rio ou mar.
      2. Manter todos os brinquedos e acessórios para piscina fora d’água sempre que não estiverem sendo usados.
      3. Construir cerca em volta da piscina com 1,40 m de altura, e cujo portão tenha fechamento automático.
      4. Instalar pontos elétricos em volta da piscina somente a partir de 30 m de distância.
      5. Quando levada em bicicleta, a criança deve usar capacete e ser levada em assento adequado com cinto de segurança preso ao mesmo.
      6. Em bicicleta, a criança deve usar calçado fechado, e a roda deve ter uma proteção para não prender os pés do passageiro.

      2° ano de vida

      1. Idem aos aspectos anteriores.

      Ambiente domestico

      1. Impedir o acesso da criança ao fogão, fósforos, isqueiros, ferro de passar, aquecedores e ventiladores.

      Deslocamento

      1. Atravessar a rua sempre de mãos dadas.

      Lazer

      1. A criança deve incorporar o hábito de utilizar equipamentos de proteção para prática de esportes ou brincadeira (capacete, cotoveleira, joelheira, protetor de pulso, protetor de boca).
      2. Não deixar a criança brincando sozinha ou com outras crianças em praças ou na rua sem a supervisão de um adulto.

      4° ao 5° ano de vida

      1. Idem aos aspectos anteriores.
      2. Ensinar a criança a nadar.

Alergia pediátrica

Estas orientações foram escritas pela Drª. Juliana Nunes.

As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.

Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.

Rinite
  • O que é rinite?
    • A rinite é a inflamação da mucosa nasal, manifestando-se por um ou mais dos seguintes sintomas: espirros, coriza, prurido e congestão nasal. É importante esclarecer que nem sempre os sintomas da rinite são decorrentes de exposição a alérgenos. Dentre outras causas desses sintomas podemos citar infecções ( p.ex. por vírus como Influenza); uso de medicamentos ( rinite medicamentosa, principalmente decorrente do uso indiscriminado de descongestionantes nasais tópicos); obstrução anatômica, que pode ocorrer em casos de desvio de septo ou pela presença de pólipos nasais; e corpo estranho nas narinas, este mais comum em crianças.

      O alergista deve definir se o paciente apresenta rinite alérgica através do quadro clinico e da investigação dos fatores desencadeantes e , muitas vezes, com a ajuda de testes alérgicos que são indicados de acordo com a história clínica.O que é rinite?

  • Quais são os principais desencadeantes de rinite alérgica?
    • No nosso meio os ácaros (presentes na poeira) são identificados como os principais agentes desencadeantes dos sintomas de rinite alérgica, mas também têm grande importância alguns tipos de fungos ( mofo) , antígenos de barata e descamação de epitélios de animais, principalmente cão e gato.

      Perfumes e outras substâncias com odores fortes ( produtos do petróleo, solventes orgânicos, fumo) têm efeito irritativo, podendo desencadear sintomas em pacientes com rinite não-alérgica e exacerbar os sintomas nos pacientes com rinite alérgica.

      Pode-se realizar testes específicos com alérgenos ( ácaros, fungos, barata, epitélio de cão e gato, por exemplo), mas não existem testes alérgicos para agentes irritativos ( perfume, fumo, fumaça de carros).

  • Quais as medidas para evitar ácaros?
      1. Cobrir colchões e travesseiros com capa impermeável
      2. Lavar toda a roupa de cama e secar em secadora ou à luz do sol ( não deixar úmida)
      3. Retirar tapetes, animais peludos e materiais amontoados, principalmente nos quartos
      4. Passar aspirador de pó pela casa pelo menos uma vez por semana
      5. Evitar móveis estofados ( dar preferência ao couro)
Imunoterapia
  • O que é Imunoterapia?
    • Imunoterapia é a administração repetida de alérgeno(s) específico(s) em concentrações gradualmente crescentes em pacientes com doenças sabidamente alérgicas ( mediadas por IgE), com o objetivo de criar tolerância a estímulos alérgicos. Um termo mais apropriado tem sido utilizado: vacina contra alérgenos. Tais vacinas podem ser administradas por via oral ou subcutânea, entretanto os estudos até o momento mostram eficácia comprovada principalmente com as vacinas aplicadas por via subcutânea.

  • Quais são as indicações da Imunoterapia?
    • A Imunoterapia está indicada para o tratamento de doenças alérgicas, principalmente em rinite, asma e alergia a picada de insetos himenópteros (formiga, abelha, vespa).Pode estar indicada também em alguns casos de conjuntivite alérgica não responsiva ao tratamento farmacológico, mas não é utilizada no tratamento de dermatite atópica. Nos casos de asma grave está contra-indicada.

      Os pacientes devem ser orientados sobre os riscos e benefícios da Imunoterapia, seu custo e tempo de tratamento ( geralmente 3 a 5 anos). É fundamental o esclarecimento de que inicialmente devem ser tentadas as medidas de controle ambiental e o tratamento farmacológico e que a Imunoterapia pode ou não ser eficaz.

Dermatite Atópica
  • O que é dermatite atópica?
    • Dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por ressecamento da pele, prurido extremo, descamação e formação de crostas. Pode apresentar períodos de melhora e recidiva e sua localização varia de acordo com a idade do paciente. Em lactentes é mais comum na face, pescoço e superfícies extensoras de braços e pernas. Em crianças maiores as lesões ocorrem nas superfícies flexoras, pescoço, mãos e pés. Os adultos podem ter mais acometimento das mãos e pode haver associação com a atividade ocupacional.

  • Quais são os desencadeantes da dermatite atópica?
    • Sabões, detergentes, água muito quente, amaciantes de tecido, tempo muito frio, suor podem ser desencadeantes ou agravantes de lesões de dermatite atópica, pois causam ressecamento da pele e podem ter ação irritativa.

  • Quais as recomendações a pacientes com dermatite atópica?
      1. Evitar banhos muito quentes e demorados
      2. Evitar uso de sabonetes e não esfregar a pele com esponjas ( usar sabonete neutro ou indicado pelo médico)
      3. Usar creme hidratante ( prescrito pelo médico) diariamente em todo o corpo
      4. As roupas devem ser leves e não oclusivas. O algodão é menos irritante que o poliéster e a lã.

Endocrinologia pediátrica

Estas orientações foram escritas pela Dr Rafael Mantovani.

As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.

Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.

Adrenais
  • Hiperplasia Congênita das Supra-renais
    • A hiperplasia congênita das supra-renais é uma doença genética, causada por uma deficiência enzimática, levando à deficiência do cortisol e o conseqüente acúmulo dos seus precursores (hormônios androgênicos).

      A sua forma mais comum é causada pela deficiência da enzima 21-hidroxilase, responsável por até 95% dos casos. Destaca-se ainda a forma perdedora de sal (75% dos casos), o que confere à doença um caráter emergencial para diagnóstico e tratamento.

      O diagnóstico precoce da doença é fundamental para se evitar as graves consequëncias metabólicas e psicológicas.

      O diagnóstico é realizado pelo exame clínico e pela dosagem de hormônios específicos (17-OH-Progesterona, androstenediona e testosterona), que se encontram persistentemente elevados.

      Geralmente, as meninas têm seu diagnóstico realizado ainda no hospital, logo ao nascimento, pois apresentam ambigüidade genital. No entanto, casos leves da doença podem passar desapercebidos, sendo diagnosticados tardiamente. Da mesma forma, os casos graves, que cursam com uma virilização intensa, também podem não ser identificados precocemente, pois o aspecto masculino da genitália pode induzir a classificação da criança como do sexo masculino.

      Os meninos compõem um grupo de risco para o sub-diagnóstico da doença, já que não apresentam sinais precoces de virilização, que poderiam induzir a uma investigação ao nascimento. Muitas fezes morrem com um quadro de vômitos e desidratação sem que haja um diagnóstico.

      A perda de sal geralmente se manifesta a partir da 2a semana de vida, com vômitos, desidratação, perda de peso e risco iminente de morte. Os exames laboratoriais mostram alterações hidroeletrolíticas, como perda de sódio e acúmulo de potássio.

      Em longo prazo, caso não haja tratamento adequado, a doença pode provocar o fechamento precoce das cartilagens de crescimento, levando à baixa estatura, além da virilização corporal (excesso de pêlos, virilização da genitália, voz grave, hipertrofia muscular etc), alterações da puberdade e distúrbios de fertilidade. As conseqüências psicológicas nesses casos são desastrosas.

      O tratamento envolve a reposição dos hormônios deficientes (hidrocortisona e fludrocortisona), apoio psicológico e correção cirúrgica da genitália, nos casos necessários. O objetivo do tratamento é reestabelecer um balanço hormonal fisiológico, evitando-se a desidratação e o excesso de hormônios androgênicos. Assim, a criança e o adolescente poderão levar uma vida normal, com crescimento e desenvolvimento adequados.

      O endocrinologista pediátrico é o profissional habilitado a identificar e tratar as crianças com hiperplasia congênita das supra-renais. A participação de uma equipe multi-disciplinar (enfermeiro, assistente social, psicólogo, cirurgião pediátrico, endocrinologista pediátrico e pediatra) e o envolvimento da família no tratamento são fundamentais para o controle da doença.

Crescimento
  • Curvas de crescimento – Organização Mundial de Saúde
    • O material aqui disponível é fruto de um trabalho iniciado em 1997 pela Organização Mundial da saúde, para o desenvolvimento de gráficos e curvas para a avaliação do crescimento, do estado nutricional e o desenvolvimento motor de crianças e adolescentes.

      O estudo contou com a participação de vários centros em todo o mundo, incluindo o Brasil, Gana, Índia, Noruega, Oman e os Estados Unidos, de modo a representar as seis principais regiões geográficas do mundo. No Brasil, o estudo contou com o apoio do Ministério da Saúde.

      A característica mais marcante dessas curvas é o fato de terem sido construídas com crianças em aleitamento materno até os 4 meses e por terem como critérios de inclusão um conjunto de fatores que favorecem o pleno desenvolvimento de suas potencialidades de crescimento.

      As curvas, assim como a descrição completa da metodologia de sua construção, estão disponíveis para download nos endereços:

      http://www.who.int/childgrowth/en

      http://www.who.int/childgrowth/standards/en

      Para facilitar o seu trabalho, a Mon Petit disponibiliza aqui as principais curvas da OMS, para download e impressão. As curvas representam os percentis por idade e sexo, para comprimento/estatura, peso, perímetro cefálico e índice de massa corporal.

      É necessária a instalação prévia do programa Acrobat Reader, para a leitura dos arquivos em PDF.

      Sexo masculino:

      1. Comprimento para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      2. Estatura para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      3. Estatura para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      4. Peso para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      5. Peso para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      6. Peso para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      7. IMC para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      8. IMC para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      9. IMC para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      10. Perímetro cefálico para idade – 0 a 13 meses download (pdf)
      11. Perímetro cefálico – 0 a 5 anos download (pdf)

      Sexo feminino:

      1. Comprimento para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      2. Estatura para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      3. Estatura para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      4. Peso para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      5. Peso para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      6. Peso para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      7. IMC para idade – 0 a 2 anos download (pdf)
      8. IMC para idade – 0 a 5 anos download (pdf)
      9. IMC para idade – 5 a 19 anos download (pdf)
      10. Perímetro cefálico para idade – 0 a 13 meses download (pdf)
      11. Perímetro cefálico – 0 a 5 anos download (pdf)
  • A criança pequena para a idade gestacional
    • Quando as crianças nascem, são classificadas na maternidade com base no seu peso e estatura de acordo com a idade gestacional. Tal classificação permite identificar recém-nascidos com maior risco de complicações neonatais imediatas, como hipoglicemia, icterícia, infecções, etc.

      Nos últimos anos, o avanço dos cuidados neonatais tem permitido uma maior sobrevivência de crianças nascidas prematuras e com baixo peso. Estima-se que cerca de 3% das crianças nascidas vivas sejam pequenas para a idade gestacional (PIG). Dessas, a grande maioria efetua um crescimento de recuperação (catch up) antes dos 2 anos de idade. No entanto, sem nenhum tratamento, aproximadamente 10% dos PIG permanecerão baixos, formando uma grande parcela dos adultos (cerca de 20%) com estatura inferior ao percentil 3 em relação à população de referência.

      As crianças nascidas PIG podem ainda apresentar um maior risco de alterações da composição corporal, da puberdade, atraso do desenvolvimento neuro-motor e transtornos da aprendizagem, pubarca prematura, hiperandrogenismo ovárico e desenvolvimento da síndrome metabólica.

      Dessa forma, o acompanhamento do seu crescimento e desenvolvimento torna-se peça fundamental para a detecção das crianças sob maior risco de problemas associados à prematuridade e ao baixo peso ao nascer e então para uma intervenção médica precoce, por medidas preventivas ou terapêuticas.

      O endocrinologista pediátrico desempenha um importante papel no acompanhamento dessas crianças. Ele é o profissional habilitado para a identificação precoce e tratamento dos distúrbios do crescimento, da puberdade e do metabolismo glicêmico que essas crianças muitas vezes apresentam.

      O tratamento com hormônio de crescimento das crianças nascidas PIG

      O hormônio de crescimento humano (GH) é classicamente administrado na infância para o tratamento da baixa estatura relacionada à deficiência de GH, Síndrome de Turner e insuficiência renal crônica. O emprego do GH para aumentar a estatura de crianças nascidas PIG foi recentemente aprovado nos Estados Unidos, em 2001, e na Europa, em 2003.

      Os objetivos do tratamento das crianças PIG com GH são de recuperar seu crescimento o mais cedo possível, a manutenção do crescimento normal na infância e adolescência e adquirir uma estatura adulta dentro da normalidade, reduzindo o risco de alterações psicológicas secundárias a uma altura patológica.

      Em 2006, durante um Fellowship clínico no Hospital Infantil Universitário Niño Jesús, em Madri (Espanha), adquiri experiência no tratamento com GH das crianças nascidas PIG. Mensalmente, dezenas de crianças eram acompanhadas por nossa equipe, um time de especialistas que envolvia o trabalho de endocrinologistas pediátricos, psicólogos, nutricionistas e enfermeiros. Pude ver pessoalmente como o GH melhorou a estatura e a auto-estima das crianças e adolescentes em tratamento. Além disso, o tratamento mostrou-se seguro e bem tolerado, o que é confirmado por vários estudos clínicos.

      O acompanhamento do tratamento com GH das crianças nascidas PIG deve ser feito exclusivamente pelo especialista em Endocrinologia Pediátrica, pois envolve a avaliação rigorosa do crescimento, dosagens hormonais periódicas e, freqüentemente, a mudança de dose do GH.

      Como identificar as crianças nascidas PIG

      Para se classificar as crianças de acordo com o peso e comprimento para a idade gestacional, deve-se usar gráficos apropriados. As curvas de Usher & McLean, de 1969, são as mais utilizadas no Brasil, assim como em vários países. As crianças são consideradas PIG quando seu peso e/ou comprimento estão abaixo do percentil 3, ou seja, menos 2 desvios-padrão (DP).

      Clique aqui para fazer o download e impressão das curvas de peso e comprimento de acordo com o sexo e idade gestacional. É necessária a instalação prévia do programa Acrobat Reader, para a leitura dos arquivos em PDF.

  • Dormir muito faz crescer mais?
    • Não.

      Apesar de haver uma maior secreção do hormônio de crescimento durante a noite, o aumento das horas de sono não se relaciona a um maior crescimento.

      A boa saúde do sono deve ser estimulada em todas as faixas etárias, especialmente na infância, de forma a prover todas as condições para um crescimento saudável.

  • Quem joga basquete cresce mais?
    • Não.

      O fato de haver mais jogadores altos praticando esportes como basquete e vôlei é explicado pela seleção de atletas de maior rendimento devido à sua estatura.

      A prática de atividades físicas deve ser estimulada em todas as idades, pois além dos benefícios relacionados ao risco cardiovascular, promove a socialização dos jovens, com melhora da sua auto-estima e bem-estar. As atividades devem ser divertidas, adequadas à idade e direcionadas ao interesse e condições das crianças e adolescentes.

  • Qualquer criança com baixa estatura pode usar o hormônio de crescimento?
    • Não.

      A seleção das crianças candidatas ao uso do hormônio de crescimento (GH, do inglês growth hormone) é um processo complexo, dependente de uma rigorosa avaliação clínica, que envolve dados do nascimento, da infância e da família, do exame físico, dentre outras questões. Os testes específicos para a avaliação hormonal devem ser solicitados pelo Endocrinologista Pediátrico nas situações em que são suspeitadas endocrinopatias, como a deficiência do hormônio de crescimento.

      No Brasil, o uso do GH é liberado para o tratamento da deficiência do hormônio do crescimento (isolada ou associada a outras deficiências hormonais), assim como na síndrome de Turner, na insuficiência renal crônica, na baixa estatura das crianças nascidas pequenas para a idade gestacional e na baixa estatura idiopática. Esse último grupo compreende as crianças e adolescentes nas quais não se encontrou uma justificativa para seu déficit estatural, após a realização de extensa avaliação diagnóstica.

Diabetes
  • Bomba de Insulina
    • O sistema de infusão contínua de insulina, ou "bomba de insulina", foi criado para resolver duas das questões mais importantes do tratamento do diabetes: conforto e segurança. Uma de suas principais indicações, além da questão da comodidade, é o tratamento de crianças que apresentam uma maior sensibilidade à insulina (como os lactentes e crianças mais jovens), com maior risco de hipoglicemia grave.

      As bombas de insulina são computadores em miniatura. Do tamanho de um pager, podem ser usados no cinto ou no bolso. A bomba envia uma quantidade medida e constante de insulina através de um tubo plástico flexível para uma pequena agulha que fica inserida na pele. Ao comando do paciente, a bomba também pode injetar doses extras de insulina (em bólus), caso necessário, como logo antes das refeições. Pode-se ainda pré-determinar diferentes dosagens da infusão contínua de insulina ao longo do dia, dependendo da idade e do metabolismo do paciente.

      O equipamento tem um sistema de alarme, caso haja algum problema técnico, como entupimento do catéter, desconexão ou pilha fraca.

      Apesar de promover um tratamento menos incômodo, sem as múltiplas aplicações subcutâneas de insulina, a bomba de insulina não dispensa um dos principais princípios da terapia diabética: a auto-monitorização. A glicemia capilar deverá ser realizada da mesma forma que no tratamento convencional, pois permite um ajuste de dose adequado.

      O equipamento custa aproximadamente R$10.000,00 e ainda é preciso uma manutenção mensal de aproximadamente R$ 700, incluindo a insulina, os conjuntos de infusão e os suprimentos para exame de sangue. Além disso, a realização de um treinamento prévio é indispensável (fornecido gratuitamente pelos fabricantes), com equipe multi-disciplinar, de forma a prevenir o seu mau uso e como conseqüência o descontrole metabólico.

  • Algumas informações sobre o Diabetes mellitus
    • O que é o diabetes?

      O diabetes é uma doença em que há aumento da glicemia (açúcar no sangue). Ocorre porque o pâncreas não produz insulina suficiente ou porque a insulina não age bem no organismo.

      O diabetes mellitus tipo 1 aparece como resultado de uma destruição das células beta produtoras de insulina, por uma resposta auto-imune. Este tipo de reação também ocorre em outras doenças, como Lupus, esclerose múltipla e doenças da tireóide.

      A única fonte de insulina do organismo, as células beta, vão diminuindo em quantidade, já que não ocorre regeneração significativa para compensar sua perda. Assim, o diabetes tipo 1 é caracterizado por uma destruição seletiva e quantitativa de células beta.

      Já o diabetes tipo 2 ocorre porque o corpo cria uma resistência à insulina, dificultando sua ação de baixar os níveis glicêmicos. Geralmente acomete as pessoas mais velhas e com sobrepeso. No entanto, na última década, a incidência de diabetes tipo 2 tem aumentado muito na faixa etária pediátrica.

      Como se desenvolve o diabetes?

      Quando nos alimentamos, o pâncreas libera uma quantidade maior de insulina para permitir que a glicose que consumimos durante a refeição sirva como fonte de energia para o organismo, mantendo os níveis de açúcar no sangue dentro da normalidade.

      A insulina é um hormônio que age transportando a glicose do sangue (absorvida da alimentação) para dentro da célula, para que sirva como fonte de energia. Trata-se de um hormônio essencial para a sobrevivência do organismo.

      Pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem apresentar:

      1. Muita sede;
      2. Vontade de urinar diversas vezes;
      3. Perda de peso (mesmo sentindo mais fome e comendo mais do que o habitual);
      4. Fome exagerada;
      5. Visão embaçada;
      6. Infecções repetidas na pele ou mucosas;
      7. Lesões de pele que demoram a cicatrizar;
      8. Fadiga (cansaço inexplicável);

      Como é realizado o diagnóstico?

      O diagnóstico é realizado com base na história e nos sintomas clínicos – emagrecimento, hálito cetônico, desidratação, etc. Exames laboratoriais são essenciais para a sua confirmação. Segundo os critérios da Associação Americana de Diabetes (ADA) e da Sociedade Internacional para o Diabetes na Infância e Adolescência (ISPAD), o diagnóstico é confirmado quando a glicemia de jejum é ≥ 126 mg/dl (confirmada por uma segunda medida), ou quando uma medida casual da glicemia é ≥ 200 mg/dl, associada a sinais e sintomas sugestivos da doença. Nos casos duvidosos, um teste de sobrecarga com dextrosol pode ser solicitado pelo médico.

      A dosagem de anticorpos específicos, principalmente nos casos com dificuldade de diferenciação entre diabetes tipo 1 e 2, pode ser de grande utilidade.

      Tratamento

      O tratamento do diabetes tipo 1, na maioria dos casos, consiste na aplicação diária de insulina, uma vez que o organismo não produz mais o hormônio, além da prática regular de exercícios físicos e uma alimentação balanceada e disciplinada.

      A quantidade de insulina necessária dependerá do nível glicêmico. Naturalmente, o controle da alimentação também é muito importante. Os métodos mais atuais de tratamento aliam a dosagem de insulina para uma quantidade pré-determinada de carboidratos da dieta, a chamada “contagem de carboidratos”. Exercícios físicos regulares são essenciais ao tratamento, pois ajudam a manter um melhor controle glicêmico, assim, diminuindo a necessidade de insulina.

      Existem diferentes tipos de preparação de insulina, as quais se distinguem pela velocidade com que são absorvidas do tecido subcutâneo para o sangue (início da ação) e pela duração da sua ação.

      Monitorização:

      Após ter o diabetes diagnosticado e iniciado o tratamento, é importante considerar alguns assuntos:

      1. Manter-se livre das internações;
      2. Manter-se com boas condições de saúde;
      3. Permitir-se realizar atividades normais para pessoas de sua idade;
      4. Permitir-se viver uma vida longa e feliz;
      5. Permitir-se crescer e desenvolver-se normalmente.

      Para se atingir esses objetivos, é preciso aprender a cuidar do diabetes. E a auto-monitorização (controle domiciliar), testes simples e rápidos para a avaliação dos níveis de glicemia (glicose no sangue) e cetonúria (cetonas na urina), têm papel fundamental neste processo.

      A realização da cetonúria ojetiva identificar a deficiência de insulina, quando então o organismo lança mão da queima de gorduras para tentar obter a energia que não foi conseguida com a utilização de glicose. Formam-se, então, os corpos cetônicos (responsáveis pelo hálito cetônico ou de maçã), que são excretados pela urina e sinalizam que o diabetes já está bastante descontrolado.

      A presença de cetonas na urina é um sinal de alarme, indicativo que a situação metabólica está fora de controle. Por isso é preciso entrar em contato com o Endocrinologista Pediátrico, para a avaliação e conduta necessária. É recomendável que a cetonúria seja realizada sempre que houver persistência de hiperglicemia e/ou na presença de doenças intercorrentes.

      A medida da glicemia capilar é o teste mais importante para o controle metabólico, pois reflete o nível de glicose sangüínea em um momento específico. E orientará a quantidade de insulina a ser aplicada para cada refeição, além de possibilitar o tratamento de hipo e hiperglicemias.

      A monitorização laboratorial é importante para se avaliar o controle metabólico. A hemoglobina glicada (HbA1c) traduz a média das glicemias dos 3 últimos meses, e a frutosamina das 3 últimas semanas. A primeira deve ser realizada, portanto, a cada 3 meses. Seus valores são individualizados para cada faixa etária e devem ser interpretados juntamente com o Endocrinologista Pediátrico.

      A compreensão das informações escritas aqui é muito importante. O bom conhecimento da doença e das formas de monitorização e tratamento são indispensáveis para o bom controle clínico. O papel do Endocrinologista Pediátrico é essencial, no sentido de orientar a família da criança diabética e estabelecer as metas do tratamento.

  • Insulinas no Diabetes Mellitus tipo 1
    • No diabetes mellitus tipo 1, é fundamental a compreensão do tratamento: como o pâncreas não produz insulina, e como este é um hormônio essencial à vida, o tratamento é necessariamente feito com sua reposição via subcutânea, através de seringas ou “canetas”. Não existem ainda preparações que possam ser absorvidas pela via oral. Em 2007, foi lançada uma preparação de insulina absorvida pela via inalatória, já retirada do mercado, após o fracasso de aceitação, elevado preço, além de suspeitas de doenças pulmonares, segundo recentes publicações científicas.

      Para o controle adequado da doença, é necessário a aplicação de uma insulina de ação lenta, e de múltiplas doses de uma insulina de ação rápida (que controlará a glicemia após a refeição).

      Principais tipos de Insulina:

      Insulina de ação ultra-rápida: cristalina e transparente, sua ação se inicia em poucos minutos (5-15 minutos), atinge o pico em 30 minutos, período máximo de ação persistente até 2,5 horas e dura de 3 a 4 horas. Age de maneira mais semelhante à produzida pelo pâncreas normal.

      Insulina NPH: É uma insulina de ação basal. Começa a agir cerca de 2 horas após a aplicação. É usada para controlar a glicemia nos períodos em que não estamos nos alimentando, como durante a madrugada, agindo também durante a alimentação. Para o controle de glicemia pós-prandial, deve ser associada à insulina de ação rápida ou ultra-rápida.

      Insulina de ação prolongada: fabricada através de técnicas de engenharia genética, possuem uma duração em torno de 18 a 24 horas. São as insulinas mais modernas, tentando aproximar-se da insulina basal ideal. É importante observar que os tempos de duração e absorção aqui descritos são apenas aproximados. A absorção da insulina sempre depende de fatores individuais. O tamanho da dose é outro fator: quanto maior a dose, a duração da ação tende a ser maior, na teoria.

      Para um controle adequado, deve-se individualizar cada tratamento. Não existe uma insulina perfeita para todos os pacientes. Procura-se adequar a rotina do diabético e suas individualidades aos horários de aplicação e tipos de insulina. Essa é uma decisão do médico, do paciente e, muitas vezes, há a participação da sua família, que deve ser inserida no contexto do tratamento (principalmente das crianças mais novas).

      É indispensável a participação de um profissional educador em diabetes para o treinamento da técnica correta de preparo e aplicação de insulina, além das orientações quanto ao armazenamento das medicações, uso de glicosímetros, troca de agulhas, etc.

      TIPOS DE PREPARAÇÕES DE INSULINA E PROPRIEDADES SUGERIDAS PELOS FABRICANTES
      Tipos de insulina Início de ação (h) Pico de ação (h) Duração da ação (h)
      Análogos de ação ultra-rápida:
      - Aspart, Glulisina, Lispro

      0,15 – 0,35

      1 – 3

      3 – 5
      Análogos de ação intermediária:
      - NPH

      0,5 – 1

      2 – 4

      5 – 8
      Análogos de ação basal:
      - Glargina
      - Detemir

      2 – 4
      1 – 2

      Nenhum
      6 – 12

      18 – 24
      20 – 24

      Canetas aplicadoras

      Essas seringas têm a mesma aparência de uma caneta. Na extremidade, dão lugar a uma pequena agulha descartável. E no lugar da carga de tinta, há uma carga de insulina. Elas são populares devido à conveniência e precisão de dosagem. Não é preciso se preocupar em encher seringas ou carregá-las quando se está distante de casa. No entanto, as insulinas aplicadas por canetas não poderão ser misturadas para uma aplicação única (por exemplo, na administração de insulina NPH + regular).

Obesidade
  • Obesidade na infância e na adolescência
    • Atualmente, a obesidade é um dos problemas mais graves de saúde pública, tanto na vida adulta quanto na infância e na adolescência. Devido ao crescimento acentuado de sua prevalência nas últimas décadas, é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia global. Além disso, crianças obesas freqüentemente se tornam adolescentes e adultos obesos com sérios riscos para a saúde.

      Dados do IBGE de 2002-2003 mostraram um aumento considerável na proporção dos adolescentes brasileiros com excesso de peso: em 1974-75, estavam acima do peso 3,9% dos meninos e 7,5% das meninas entre 10 e 19 anos; já em 2002-03, os percentuais encontrados foram 18,0% e 15,4%, respectivamente.

      A obesidade pode ser conceituada como um acúmulo corporal de tecido adiposo, por um balanço energético positivo, geralmente devido à ingestão calórica excessiva, associada ao gasto insuficiente de energia. O cálculo do índice de massa corporal (IMC) oferece uma medida razoável para avaliação de obesidade em crianças e adolescentes. Crianças e adolescentes com IMC superior ao percentil 95 para idade e sexo são classificadas como “obesas”. A categoria “sobrepeso” é reservada para aqueles com percentil de IMC entre 85 e 95.

      Para o cálculo do IMC, deve-se dividir o peso (em Kg) pelo quadrado da altura (em metro). Para a identificação das crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade, devem-se utilizar gráficos de IMC apropriados. Clique aqui para baixar os gráficos de IMC para idade e sexo desenvolvidos pela OMS.

      A obesidade está fortemente associada à hipertensão arterial, dislipidemia, intolerância à glicose e marcadores de inflamação crônica, levando a um aumento de fatores de risco cardiovascular, piora da qualidade de vida, e aumento do índice de mortalidade no adulto.

      É de grande importância para prevenção da obesidade infantil, promover um ambiente saudável, tanto domiciliar como escolar, com opções de recreação e psicologicamente propício à prática de atividades físicas.

      Causas

      Há evidências que a obesidade infantil tem, muitas vezes, sua origem no ambiente intra-uterino. Esse, quando adverso, com o conseqüente atraso do crescimento fetal, influencia o acúmulo posterior de gordura e, dessa forma, o desenvolvimento de complicações relacionadas à obesidade. O rápido acúmulo de gordura, nos primeiros anos de vida (especialmente nos primeiros meses), está associado ao desenvolvimento da síndrome metabólica na idade adulta, que se caracteriza pela detecção concomitante de adiposidade abdominal, dislipidemia, hipertensão arterial e intolerância à glicose. Por outro lado, os filhos de mãe obesas (sem diabetes gestacional), classificados como grandes para a idade gestacional, também têm maior risco de obesidade futura e síndrome metabólica.

      Ainda que raras, as causas endócrinas devem ser pesquisadas quando, além de obesidade, houver sinais clínicos sugestivos de algum distúrbio hormonal, como baixa estatura, fraqueza muscular, estrias violáceas, etc.

      Em síntese, a obesidade infantil é o resultado final da influência de fatores ambientais e comportamentais em indivíduos geneticamente susceptíveis. As mudanças na quantidade e na qualidade da alimentação, além da drástica redução da atividade física são os principais fatores responsáveis pelo aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes nos últimos 35 anos.

      Conseqüências

      As conseqüências da obesidade incluem dislipidemia, hipertensão arterial, problemas ortopédicos, baixa auto-estima, intolerância à glicose ou até o início precoce do diabetes mellitus tipo 2. Freqüentemente, crianças e adolescentes obesos se tornam adultos obesos, com a manutenção dos riscos de doenças metabólicas e cardiovasculares.

  • Tratamento da obesidade infantil
    • O tratamento das crianças e adolescentes obesos visa à redução do peso e à diminuição das complicações associadas. É imprescindível a participação da família e de uma equipe multiprofissional (psicoterapeuta, nutricionista, endocrinologista pediátrico e professor de educação física) no processo de reeducação alimentar e de hábitos de vida.

      O objetivo inicial do tratamento é restaurar o balanço energético, equilibrando a relação ganho/gasto calórico. Nos casos em que é clara a ingestão calórica excessiva, a restrição alimentar deverá ser aplicada, associada a um maior gasto energético, ou seja, aumento da atividade física. Deve-se objetivar, em longo prazo, alcançar o percentil 85 de IMC para sexo e idade, já que a gravidade da obesidade no adulto está relacionada à gravidade e persistência da obesidade na infância.

      Quanto à abordagem nutricional, medidas simples podem ser muito eficazes para aqueles pacientes com erros alimentares graves. O aumento do consumo de frutas e vegetais, a diminuição das porções servidas, o intervalo regular entre as refeições, evitando longos períodos sem se alimentar, são exemplos de orientações que devem ser feitas inicialmente.

      Como parte do tratamento das crianças e adolescentes obesos, recomenda-se o estímulo à atividade física. As atividades devem ser divertidas, adequadas à idade e direcionadas ao interesse e condições da criança. Os benefícios do exercício físico incluem a redução da gordura, o aumento da taxa de metabolismo basal e melhora do metabolismo da glicose e do colesterol.

  • Medicamentos no tratamento da obesidade infantil
    • Quando as mudanças de estilo de vida (sob supervisão médica) falham na redução de peso, o tratamento medicamentoso pode ser indicado aos adolescentes, como adjuvante à terapia comportamental, nos casos selecionados.

      As drogas disponíveis no mercado para o tratamento da obesidade incluem agentes estimulantes (contra-indicados na faixa etária pediátrica), anorexígenos, redutores de absorção de nutrientes e drogas que alteram o metabolismo insulínico (produção e ação).

      As indicações precisas do tratamento medicamentoso, assim como os medicamentos disponíveis e liberados para a faixa etária pediátrica, devem ser avaliadas com cautela pelo Endocrinologista Pediátrico, em conjunto com a família do adolescente.

      É importante ressaltar que o uso de medicamentos não deve substituir o tratamento convencional, ou seja, a restrição alimentar associada à prática de atividades físicas. A farmacoterapia, quando indicada, deve-se somar às medidas comportamentais.

  • Cirurgia bariátrica na adolescência
    • A cirurgia bariátrica se apresenta nos últimos anos como opção para os adolescentes com obesidade mórbida e co-morbidades associadas. Seu sucesso depende de uma integração do paciente, de sua família e da equipe multiprofissional envolvida.

      É recomendável que, previamente à indicação cirúrgica, os pacientes-candidatos estejam psicologicamente preparados, e com uma estrutura familiar bem consolidada, condições mínimas necessárias para uma boa aderência ao tratamento. Uma equipe multidisciplinar deverá participar de todo o processo de seleção, preparo e procedimento cirúrgico, assim como o acompanhamento em curto e longo prazo.

      A cirurgia poderá ser indicada aos adolescentes com no mínimo 6 meses de tratamento médico mal sucedido e que tenham preenchido critérios antropométricos, médicos e psicológicos. As indicações precisas devem ser estabelecidas pelo Endocrinologista Pediátrico que acompanha o adolescente obeso, em conjunto com sua equipe.

  • Dicas para uma alimentação mais saudável
      1. Evite verificar o peso com freqüência durante o tratamento para emagrecer.
      2. Faça de cinco a seis refeições por dia, sendo três refeições principais e dois a três lanches intermediários.
      3. Evite a "alimentação automática": não faça nada diferente quando estiver se alimentando (ver TV ou ler, por exemplo).
      4. Alimente-se sentado, em local adequado. Pouse os talheres entre uma garfada e outra e mastigue devagar os alimentos.
      5. Não coloque as travessas na mesa durante a refeição.
      6. Use uma lista durante as compras e não faça compras em jejum ou com fome.
      7. Procure distinguir fome e desejo. Resista aos desejos e não os inclua na sua lista de compras.
      8. Prepare-se com antecedência para eventos especiais e situações que podem atrapalhar sua alimentação.
      9. Converse com seus familiares para que eles apóiem e auxiliem no seu tratamento, evitando insistir no preparo de alimentos inadequados e não ridicularizando suas atitudes e esforços.
      10. Procure conhecer o valor calórico dos alimentos. Leia atentamente os rótulos e prefira produtos com baixo teor de gordura ou sem gordura.
      11. Procure aumentar a quantidade de fibras (coma frutas com bagaço e verduras).
      12. Procure ingerir pelo menos dois litros de líquido por dia. Sempre que der vontade de comer algo, tome líquidos antes.
      13. Troque sempre as frituras por grelhados, assados ou cozidos. Retire a gordura aparente das carnes.
      14. Coma um prato de salada no almoço, antes do prato principal.
      15. Numa festa, não faça da comida a principal atração. Divirta-se e desvie o seu foco conhecendo pessoas novas, dançando e conversando.
Puberdade
  • A menina pára de crescer quando menstrua?
    • Não.

      Após a menarca (a primeira menstruação), a menina ainda cresce em média 4 a 6 centímetros, mas com um ritmo mais lento, geralmente terminando seu crescimento em 2 a 4 anos.

  • O adolescente pode fazer musculação?
    • Sim.

      A musculação não é contra-indicada na adolescência. Deve-se, no entanto, assegurar que o jovem terá um acompanhamento adequado por um profissional de educação física, que ira privilegiar a prática de exercícios aeróbicos sob sua supervisão direta, até que o adolescente complete seu crescimento. A partir daí, é liberado para exercícios anaeróbicos de maior intensidade.

  • Em que idade é normal o início da puberdade nas meninas?
    • Nas meninas, geralmente o primeiro sinal de puberdade é o aparecimento do broto mamário (telarca), entre 8 e 13 anos (média de 10,7 anos). No entanto, cerca de 10% das meninas apresenta o desenvolvimento de pêlos pubianos (pubarca) como primeira manifestação puberal, também a partir dos 8 anos de idade.

      A puberdade precoce deve ser investigada em toda menina com desenvolvimento puberal antes dos 8 anos de idade, principalmente se houver aumento da sua velocidade de crescimento. O Endocrinologista Pediátrico é o profissional habilitado para essa avaliação, que inclui dados da história clínica, do exame físico e a solicitação de exames laboratoriais específicos.

  • O aparecimento de pêlos pubianos em uma criança pode indicar alguma doença?
    • Sim.

      O desenvolvimento de pêlos pubianos (pubarca) antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 anos nos meninos pode ser o primeiro sinal de uma endocrinopatia, como a hiperplasia congênita das supra-renais (forma não-clássica), tumores virilizantes, puberdade precoce ou mesmo o uso de medicamentos andrógenos. Muitas vezes representa apenas o início da atividade das glândulas supra-renais, sem que haja enfermidade alguma (“adrenarca fisiológica”), geralmente a partir dos 6 anos de idade.

      Informações como a velocidade de crescimento dos pêlos, além da sua distribuição, a velocidade de crescimento da criança, a presença de acne, pelo oleosa e odor corporal são essenciais para a formulação de uma hipótese diagnóstica pelo Endocrinologista Pediátrico. Exames como a radiografia da mão e punho esquerdos (para a idade óssea) e a dosagem dos andrógenos (hormônios sexuais) podem ser úteis no processo diagnóstico.

Teste do pezinho
  • Teste do pezinho para hiperplasia congênita da supra-renais
    • Da mesma forma que o hipotireoidismo congênito, a hiperplasia congênita das supra-renais pode ser diagnostica pelo teste de triagm neonatal ("teste do pezinho").

      A partir do 3o dia de vida, deve-se colher amostra de sangue para a dosagem do hormônio 17-OH-Progesterona, cujas concentrações aumentadas podem indicar a doença. Quando o exame é positivo, deve-se procurar atendimento especializado o mais rápido possível (por Endocrinologista Pediátrico), já que o diagnóstico precoce pode evitar o aparecimento das manifestações graves da doença.

      Na consulta, são colhidas informações sobre o pré-natal, sobre o nascimento da criança e possíveis doenças no período neonatal (como infecções), e é realizado um detalhado exame físico.

      As crianças com maior suspeita da doença são aquelas com dificuldade de ganhar peso, com vômitos e regurgitações recorrentes e sinais de dedidratação (pele e mucosas secas, olhos encovados, fontanela deprimida etc). As meninas apresentam ainda genitália ambígüa, com variados graus de virilização.

      Crianças prematuras, com baixo peso e que apresentaram doenças ao nascimento, com internação prolongada, geralmente apresentam alteração do teste de triagem neonatal para Hiperplasia congênita das supra-renais. Além de ocorrer uma imaturidade do sistema enzimático dessas crianças, há uma elevação fisiológica dos níveis de Cortisol, em resposta ao estresse do organismo. Como a 17-OH-Progesterona é um hormônio precursor do Cortisol, seus níveis também estarãooaumentados nessas situações, podendo levar a um resultado falso-positivo do teste de triagem neonatal.

      Mesmo com uma história não-sugestiva de doença, a criança com alteração do teste de triagem neonatal para hiperplasia congênita de supra-renais deve ser avaliada pelo especialista, para se descartar uma possível forma leve da doença, que pode se manifestar anos após o nascimento.

      Em 2007, o estado de Minas Gerais incluiu no seu programa de triagem neonatal a pesquisa de Hiperplasia congênita das supra-renais, sob coordenação do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (NUPAD), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, órgão credenciado pelo Ministério da Saúde. Desde o início do projeto, tenho trabalhado diretamente no diagnóstico e acompanhamento das dezenas de crianças encaminhadas semanalmente ao Ambulatório São Vicente, da Faculdade de Medicina da UFMG. Juntamente com uma equipe multi-disciplinar, temos adquirido grande experiência com uma doença rara e de difícil diagnóstico, já que o NUPAD atende gratuitamente a população dos 853 municípios de Minas Gerais.

Gastroenterologia pediátrica

Estas orientações foram escritas pela Dr Magno Veras.

As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.

Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.

  • Meu filho não come verduras. Como incentivar o consumo de frutas, legumes, verduras e cereais pelas crianças?
      1. Disponibilizando estes alimentos tendo-os sempre em casa
      2. Programar passeios em locais onde existam plantações de frutas, legumes, hortaliças, cereais para contato direto das crianças com a matéria prima
      3. Sempre que possível evitar passeios em fast-foods.
        Eventualmente quando ocorrer, escolher um sandwiche pequeno que associe legumes e verduras, sem acréscimo de condimentos artificiais, como maionese, catchup e mostarda. Para a sobremesa incentivar o consumo de saladas de frutas e sorvetes de frutas tipo picolé.
      4. Exercer a criatividade no preparo dos alimentos: combinar cereais com frutas que as crianças gostem, iogurtes com frutas laxativas, bolinhos de vegetais, preparo de alimentos empanados com farelos (farelo de trigo), feijão acrescido de cereais (linhaça e farelo de trigo), sucos de frutas naturais sem coar.
  • Alergia ao leite de vaca x intolerância à lactose
    • A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são duas condições clínicas diferentes, que não devem ser confundidas pelos pais, embora frequentemente isto aconteça.

      Alergia ao leite da vaca

      A alergia ao leite de vaca é decorrente de uma resposta imunológica do intestino às proteínas do leite de vaca, que são reconhecidas como substâncias estranhas ao organismo, desencadeando a produção de anticorpos. Pode ser caracterizada por sintomas gastrointestinais, respiratórios e/ou dermatológicos. São eles: vômitos, diarréia, sangramento intestinal, constipação intestinal, cólicas, irritabilidade, anemia, dificuldade de ganho de peso, bronquite, otite, urticária, etc.

      Para o diagnóstico, podem ser utilizados alguns testes laboratoriais, no entanto, eles podem ser negativos, mesmo em reações alérgicas intensas. Em alguns casos é necessária a realização de biópsia intestinal. Na verdade, a forma mais comum de fazer o diagnóstico é o teste terapêutico, através da utilização de fórmulas lácteas consideradas hipoalergênicas.

      Em alguns casos de alergia à proteína do leite de vaca, a soja pode ser indicada, mas existem outras situações em que são necessárias fórmulas lácteas com proteínas de soja ou do leite de vaca que são submetidas industrialmente a um processo de hidrólise, transformando-as em produtos com baixa alergenicidade. O leite de cabra não é uma opção terapêutica para alergia ao leite de vaca. Importante também é a suspensão de todos os derivados do leite de vaca da dieta do paciente, lembrando que a alergia é um processo qualitativo e independe da quantidade da substância ingerida, ou seja, pequenas quantidades de leite de vaca ou seus derivados podem desencadear as mesmas reações alérgicas.

      Intolerância à lactose

      A intolerância à lactose caracteriza-se por uma deficiência de uma enzima chamada lactase produzida no intestino, responsável pela digestão da lactose, que é um açúcar presente no leite de vaca e seus derivados.

      Sem a enzima lactase ou com pouca lactase no intestino, o açúcar lactose pode não ser bem digerido e é fermentado pelas bactérias habitantes do intestino grosso, "puxando a água" e levando à diarréia e à maior produção de gazes (cólica, desconforto e distensão abdominal).

      A intolerância à lactose pode ser primária ou congênita, onde ocorre ausência total ou parcial da produção de lactase. O mais comum, no entanto, é que ocorra a diminuição gradativa da lactase no decorrer da infância, mantendo-se uma pequena produção de proporções variáveis, onde a criança ou o adulto é capaz de tolerar menores quantidades dos produtos que contém leite de vaca e derivados. O tratamento é realizado através da utilização de fórmulas lácteas à base de leite de vaca que não contenham lactose, ou através de fórmulas de soja. Para os indivíduos com intolerância parcial à lactose, existem leites com baixa lactose. É possível também, para os amantes incondicionais do leite a ingestão da lactase.

Endoscopia digestiva na criança
  • O que é endoscopia?
    • Endoscopia

      A palavra endoscopia significa "olhar dentro". A endoscopia é um teste diagnóstico desenhado para avaliar a superfície interna do trato gastrointestinal alto, e inclui:

      1. esôfago (tubo que leva o alimento da boca até o estômago)
      2. estômago (onde o alimento é armazenado imediatamente após a refeição)
      3. duodeno (início do intestino delgado onde o alimento passa a ser digerido e absorvido)
      4. Intestino grosso (onde as fezes são processadas, avaliado pela colonoscopia)

      O teste é realizado com um instrumento especial, chamado endoscópio. Um tubo longo e fino, com uma luz brilhante na extremidade e uma câmera de alta definição que transmite as imagens do interior do trato digestivo para um monitor, onde o médico interpreta as imagens, fotografa e realiza biópsias se necessário.

  • Como é realizada?
    • A prioridade é fazer o exame de maneira segura, com o máximo de conforto e gerando o mínimo de ansiedade aos pais e a criança.

      Para cumprir com estes objetivos o exame deve ser realizado sempre observando os seguintes aspectos:

      1. Adequada indicação médica. Não deve ser realizado sem necessidade ou com indicação imprecisa.
      2. A presença de anestesista com experiência em anestesia infantil
      3. Utilização de aparelho moderno, de alta resolução e com calibre adequado à idade da criança
      4. Tempo de jejum adequado e diferenciado para cada faixa etária e exames realizados preferencialmente pela manhã uma vez que as crianças toleram menos o jejum.
      5. Ambiente seguro, hospitalar, com recursos de última geração voltados à criança, com unidade de terapia intensiva pediátrica.
      6. Sala de exame humana e aconchegante
      7. Explicar todos os passos do procedimento para os pais e para a criança e elucidar toda e qualquer dúvida relacionada ao exame
      8. Permitir que os pais acompanhem a criança durante quase todo o processo. No momento da realização do exame a percepção da criança é que os pais permanecem ao seu lado o tempo todo, gerando segurança e conforto e diminuindo muito a ansiedade do pequeno paciente. Crianças menores podem levar seu brinquedo predileto.
      9. Observar todas as normas nacionais e internacionais de desinfecção dos aparelhos e de segurança para o paciente.

      A endoscopia digestiva em crianças é um procedimento rápido e seguro, sem desconforto para a criança desde que observados todos os requisitos listados acima.

      Em Belo Horizonte, o Hospital Mater Dei oferece todas estas condições, sendo o local ideal para realização da endoscopia digestiva alta na criança e no adolescente quando indicado.

  • Como o teste é realizado?
    • O teste é realizado sob anestesia ou sedação, dependendo das necessidades da criança e da natureza do procedimento.

      Durante a maioria dos procedimentos são realizadas biópsias. A biópsia significa retirar um minúsculo fragmento da mucosa para que seja avaliada através do microscópio por um médico patologista. A biópsia é indolor e ocorre um sangramento mínimo e limitado.

  • Indicações
    • Dentre as indicações de endoscopia digestiva alta nas crianças, a mais freqüente é a dor abdominal recorrente, sendo realizada quando se suspeita de uma etiologia orgânica, e outras causas já foram excluídas.

      Vômitos persistentes, de causa inexplicada, também correspondem à outra indicação de endoscopia, especialmente quando sugere doença péptica, inflamatória ou obstrutiva intrínseca do tubo digestivo alto.

      A endoscopia é de grande valor na investigação e tratamento do sangramento intestinal, uma vez que além de diagnosticar o sítio de sangramento, permite tratar a maior parte das lesões sangrantes.

      Este exame também é solicitado em unidades de emergência nos casos de ingestão de pequenos objetos, principalmente moedas em crianças pequenas. Situação que traz muita ansiedade para os pais.

      Já a colonoscopia é extremamente útil na avaliação das inflamações do intestino (colites), na investigação de sangramento vivo ou oculto, e na suspeita de pólipos (pequenas "verrugas" no intestino). A indicação mais freqüente em pediatria é o sangramento retal, e sua causa varia conforme a faixa etária.

      São muito poucas as contra-indicações para a endoscopia pediátrica. Uma vez sendo realizada com a aparelhagem adequada e por um profissional treinado, pode ser feita até em recém nascidos e prematuros. As contra-indicações estão mais relacionadas com as condições clínicas da criança. As complicações são raras.

  • O que é colonoscopia?
    • A colonoscopia é o exame que avalia o intestino grosso e o final do intestino delgado. É realizada com as mesmas condições da endoscopia alta, no entanto, o endoscópio de calibre adequado é passado através do ânus. Exige um preparo adequado antes do exame para “limpeza” do intestino. Este preparo é individualizado e depende da idade e das condições clínicas da criança.

  • Os pais podem entrar na sala de endoscopia com a criança?
    • Os pais entram com a criança ou o adolescente na sala de endoscopia e permanecem junto com a mesma, segurando sua mão até a criança dormir ou até o anestesista avaliar como o momento mais adequado.

      Assim que o exame termina o médico pessoalmente avisa os pais na sala de espera e adianta o resultado, caso avalie como pertinente.

      Antes de a criança acordar os pais são chamados para permanecer juntos com a mesma de modo que a sensação que a criança tem é que os pais não saíram de perto, trazendo segurança, conforto e diminuindo a ansiedade da criança.

  • Quais são os riscos da endoscopia?
    • São muito poucos os pacientes que possuem complicações sérias e inesperadas durante ou após a endoscopia diagnóstica. A maioria dos pacientes têm uma dor de garganta leve e um pequeno sangramento na região das biópsias. Este sangramento é auto limitado e não é visível, a menos que o paciente vomite, o que não é comum. Raramente acontece um sangramento maior, podendo então ser necessária nova endoscopia para cauterização da área.

      Perfuração é uma complicação rara e séria que requer internação, antibióticos e numa minoria das vezes cirurgia. A perfuração ocorre com maior freqüência durante procedimentos terapêuticos, mas ainda assim é rara.

      A anestesia também possui seus riscos. Reações alérgicas, tosse, chiado no peito e rouquidão são possíveis. Os pais terão a oportunidade de discutir os aspectos específicos da anestesia com o médico anestesista antes do exame.

      Por isso é muito importante que o exame seja realizado em ambiente hospitalar com todos os recursos disponíveis para tratar de imediato qualquer complicação.

  • A endoscopia dói?
    • Sob anestesia ou sedação a criança não sente absolutamente nenhuma dor e não se recorda de nada relativo à endoscopia. Após o paciente acordar pode sentir uma leve dor de garganta e um pouco de dor abdominal pois o médico injeta ar no estômago para melhor visualização.

  • Quanto tempo demora?
    • O paciente fica na sala de endoscopia por 20 a 40 minutos para a endoscopia alta e por 30 a 120 minutos para a colonoscopia. O tempo de realização do exame é, no entanto, menor.

  • Onde o exame é realizado?
    • No “day-hospital” (segundo andar do bloco novo) do Hospital Mater Dei. Para mais informações contactar a secretaria de endoscopia pelo telefone: (31) 3339-9279

  • O que acontece após o término do exame?
    • A criança permanece na sala de recuperação até passar o efeito da anestesia ou sedação, quando irá para a casa. Neste momento o médico entrega e explica o laudo e as fotografias para os pais que deverão entregar o resultado para o pediatra que solicitou o exame.

      O médico irá lhe informar se há necessidade de uma dieta especial após o exame.

      Atividade normal é permitida quando o efeito da anestesia passar e a criança pode ir à escola normalmente no dia seguinte.

  • Como é a preparação para a endoscopia e colonoscopia?
    • Antes do procedimento, as instruções serão dadas pelo médico. Estas informações se referem ao tempo de jejum e à necessidade de interrupção do uso de medicações. No caso da colonoscopia, serão fornecidos detalhes sobre a “limpeza” do intestino que deve ser realizada antes do exame.

      Nos casos de colonoscopia é sempre necessária uma consulta prévia.

      Caso seja de interesse dos pais, poderá ser realizada uma visita prévia ao local acompanhada pelo médico que realizará o exame.

  • Como marcar o exame?
    • A secretaria de endoscopia funciona em horário comercial para agendamento dos exames (31-33399279).

      Caso seja necessária mudança de horário ou cancelamento do exame favor entrar em contato. Caso a criança apresente febre ou tosse na semana que precede o exame, o mesmo deverá ser reagendado para outro momento.

Constipação
  • O que é?
    • Devemos entender como constipação intestinal crônica a dificuldade de evacuar ou diminuição da freqüência das evacuações. As fezes podem ser endurecidas, ressecadas, volumosas chegando a entupir o vaso sanitário, e até acompanhadas de sangramento intestinal em forma de raias de sangue, devido à formação de fissura anal. Pode ocorrer ainda um escape fecal caracterizado por uma "pasta escura" de fezes e com odor muito ruim na cueca ou na calcinha da criança. Este quadro às vezes é confundido com diarréia.

  • Quanto tempo meu bebê pode ficar sem evacuar?
    • É importante lembrar que o bebê nos primeiros meses de vida pode apresentar um intervalo entre as evacuações de alguns dias, sem ser portador de constipação intestinal, desde que ele evacue fezes amolecidas, pastosas sem a presença de sangue e dor ao evacuar, o intervalo não importa e pode chegar até a 10 dias.

  • Porque acontece a constipação?
    • A constipação intestinal, na grande maioria das vezes, é de causa funcional por distúrbio da motilidade intestinal, e não como se acreditava anteriormente determinada unicamente por problemas emocionais. Na verdade, estes podem exacerbar o quadro.

      Algumas doenças orgânicas também podem levar a constipação intestinal como o megacolon congênito ( doença de Hirschsprung), hipotireoidismo, estenose retal e ânus anteriorizado.

  • Existe uma receita mágica?
    • Não. Esta é uma área onde existem muitos mitos e onde parentes, vizinhos e amigos sempre procuram dar sua "receita" para melhora dos sintomas da criança. Apenas o pediatra do seu filho poderá orientar a melhor conduta e evitar um prejuízo e estresse ainda maior para a família.

  • Como tratar?
    • É muito importante o acompanhamento do pediatra ou do gastroenterologista pediátrico que deverá orientar as medidas dietéticas e comportamentais a serem seguidas e que deverão ser individualizadas para cada criança. A maioria dos casos evolui com sucesso.

      Os laxantes devem ser usados sempre sob orientação médica, já que muitos deles podem ser prejudiciais. Algumas vezes é necessária a realização de lavagens intestinais na presença de fecaloma (impactação de massa de fezes no reto).

Refluxo gastro-esofágico na infância
  • O que é?
    • O refluxo gastroesofágico (RGE) caracteriza-se pelo fluxo retrógrado (que volta) e involuntário do conteúdo do estômago para o esôfago.

      O RGE é reconhecido como fenômeno fisiológico, normal, que ocorre ocasionalmente no ser humano, especialmente após alimentações e é muito freqüente em crianças menores de 1 ano.

      O RGE fisiológico, também chamado de regurgitação infantil caracteriza-se por episódios de refluxos, sem qualquer transtorno maior para a saúde da criança. Normalmente ocorrem em crianças que além das regurgitações não apresentam nenhum sinal de agravo à saúde e nenhuma conseqüência negativa ao seu desenvolvimento (perda de peso, anemia, dor, chiado no peito, tosse crônica, perda da respiração, engasgos, etc). A tendência é de melhora aos 18 meses de idade.

      Hoje existe uma grande preocupação com a excessiva solicitação de exames e o excesso de prescrição de medicamentos ou mudanças de dieta para as crianças que regurgitam. Se a criança não é conduzida de forma adequada (supervalorização ou subvalorização do diagnóstico), isso pode trazer prejuízo à sua saúde.

      Por outro lado, quando o refluxo gastroesofágico está associado a sinais e sintomas que interferem com a qualidade de vida de seu filho é denominado Doença do Refluxo Gastroesofágico - DRGE (pode estar associado a engasgos, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragia digestiva, cianose, apnéia, pneumonias de repetição, chiado, asma, rouquidão, anemia, etc.).

      Quando presente a DRGE é necessário determinar se a doença é primária (sem doença subjacente) ou secundária (com alterações estruturais, metabólicas, infecciosas, neurológicas ou alérgicas que podem ser responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago).

      As crianças com RGE devem ser acompanhadas durante toda a infância, pois embora parte delas irá cessar os sintomas, outras continuarão com os mesmos, ou ainda apresentarão outras alterações clínicas associadas ao refluxo.

      Quanto ao tratamento, é importante ressaltar que não vai curar o RGE e sim evitar as complicações. O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso

      1. Medidas posturais: elevar a cabeceira da cama em um ângulo de 30 a 45º e, na medida do possível, colocar o bebê deitado do lado esquerdo.
      2. Medidas dietéticas: manter aleitamento materno exclusivo; se o bebê receber leite em pó, fracionar as mamadeiras e, em alguns casos, engrossar o leite ou procurar uma formulação mais adequada (segundo orientação médica).
        As mamadeiras devem ser tomadas com o bebê em posição semi-elevada e, após as mesmas, esperar pelo menos quarenta minutos para deitar.
      3. Tratamento medicamentoso: deve sempre ser realizado pelo médico, e consiste de medicamentos que inibem a secreção ácida proveniente do estômago, causadora de muitas complicações, além de remédios que possam tonificar a válvula que se localiza entre o esôfago e o estômago. Os remédios não curam o RGE, mas o controlam.
  • Quando devo me preocupar?
    • O refluxo considerado doença (refluxo patológico ou doença do refluxo gastroesofágico) pode apresentar repercussões clínicas como déficit do crescimento e peso, dor abdominal, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragias digestivas, chiado no peito, tosse crônica, pneumonias de repetição ou complicações relacionadas ao nariz, ouvido, seios da face e garganta.

      A distinção entre refluxo fisiológico e patológico exige habilidade no diagnóstico e atenção na escolha do tratamento mais adequado a cada caso, e deve ser sempre avaliado pelo seu pediatra.

      Entre as crianças que apresentam regurgitações com freqüência preocupante para os pais, apenas 2% necessitarão de investigação.

  • Como o pediatra sabe se o refluxo do meu bebê é normal?
    • Nas primeiras semanas de vida, muitos bebês normais regurgitam uma ou mais vezes por dia, pouco tempo após a alimentação. A regurgitação fisiológica, normal, ocorre quando a criança não apresenta outros sintomas, a evolução do ganho de peso é normal e a diminuição gradativa das regurgitações ocorre ao longo do tempo, cessando por volta dos sete a oito meses de idade.

      A abordagem diagnóstica do lactente com queixa de regurgitações freqüentes deve ser realizada, inicialmente, verificando-se a experiência materna com a alimentação do bebê. Em seguida, procura-se identificar, pela história e observação da amamentação da criança durante a consulta, se as seguintes situações, que podem causar regurgitação e vômitos, estão presentes: (1) aquelas que favorecem a ingestão excessiva de ar antes ou durante as mamadas como choro intenso, ou orifício do bico da mamadeira muito grande ou muito pequeno; (2) se o lactente em aleitamento artificial, especialmente no primeiro mês de vida, recebe excesso de leite em cada mamada; (3) se a criança é muito manipulada após as mamadas e (4) se o bebê não é colocado para arrotar após as mamadas. Durante os primeiros seis meses de vida, a criança respira durante a sucção e, conseqüentemente, ocorre preenchimento da orofaringe com ar, o qual é levado junto com o alimento para o esôfago e estômago. Esse fato explica a necessidade da criança de arrotar, sendo necessário mantê-la alguns minutos levantada, na posição vertical, após as mamadas. Se a criança é colocada na posição deitada imediatamente após ter mamado, a expulsão do ar por meio do arroto pode causar regurgitação do leite. Esse padrão geralmente cessa a partir dos seis meses de idade, quando a respiração e a sucção passam a ocorrer de forma alternada.

  • Quais os "tipos de refluxo gastroesofágico"?
    • Não existem tipos de refluxo, mas sim uma classificação que busca nos orientar quanto às diversas manifestações clínicas e seu prognóstico.

      FISIOLÓGICO (NORMAL)

      O refluxo fisiológico (normal) é mais comum nos primeiros meses de vida. As regurgitações pós-alimentares apresentam resolução espontânea, na maioria dos casos, até um a dois anos de idade. O crescimento da criança é normal, e não há outros sintomas ou complicações associadas. A freqüência das regurgitações diminui após seis meses de idade, coincidindo com a introdução de dieta sólida (sopinhas) e adoção de postura corporal mais ereta (mais assentadinha) pela criança.

      PATOLÓGICO (DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO)

      Suspeita-se de refluxo patológico quando os vômitos e regurgitações persistem de modo significativo após os seis meses de idade, não respondem às medidas de postura e dietéticas, e quando estão presentes repercussões clínicas como parada do crescimento, perda de peso ou sintomas e sinais sugestivos de inflamação do esôfago (esofagite), principalmente irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, e dificuldade para dormir em lactentes pequenos.

      REFLUXO OCULTO

      O refluxo é denominado oculto quando manifestações respiratórias, otorrinolaringológicas ou indicativas de esofagite ocorrem na ausência de vômitos e regurgitações.

      REFLUXO PRIMÁRIO

      Refluxo primário resulta da disfunção entre a união do esôfago com o estômago, facilitando as regurgitações e vômitos.

      REFLUXO SECUNDÁRIO

      O refluxo secundário ocorre como conseqüência de outras doenças, tais como estreitamento congênito do esôfago, comunicação entre a traquéia e o esôfago, distúrbios da deglutição, alergia ao leite de vaca, infecção urinária, parasitoses intestinais (vermes), fibrose cística, doenças neurológicas entre outras que são responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago.

  • O que as crianças sentem quando têm refluxo?
    • Dependendo da idade de início dos sintomas, o refluxo pode ter vários significados e cursos clínicos distintos.

      Em lactentes (até os 2 anos de idade) a suspeita de inflamação no esôfago (esofagite) ocorre quando há choro excessivo, irritabilidade, distúrbios do sono, agitação e recusa da dieta (a criança passa a ter medo de alimentar-se e sentir dor).

      A criança maior pode queixar-se de queimação sobre o estômago, dor no peito, dor abdominal, dor durante a alimentação e excesso de salivação. O refluxo do adolescente pode ser um prolongamento da primeira, ou aparecer mais tardiamente; tem sintomas persistentes e, quase sempre, necessita de tratamento.

      Outras manifestações clínicas do refluxo são: ruminação (ficar com movimentos mastigatórios contínuos), disfagia (dificuldade de alimentar-se), arrotos, soluços, anemia e sangramentos; chiados no peito de repetição, pneumonias de repetição, laringites, sinusites, infecções do ouvido de repetição e outras.

      O refluxo tem sido associado a vários outros acontecimentos na vida da criança, como morte súbita do lactente, soluços, rouquidão e erosão dentária. Como pode ser constatado, somente o médico poderá fazer o diagnóstico diferencial entre tantas condições clínicas apresentadas pela criança que vomita.

  • Que exames precisam ser realizados?
    • Somente os lactentes e crianças que apresentam sinais e sintomas clínicos sugestivos de complicações de refluxo gastroesofágico deverão ser submetidos à investigação diagnóstica. Em muitos casos não é necessária a realização de exames. Apenas através de uma consulta detalhada e cuidadosa e um exame físico completo é possível estabelecer o tratamento mais adequado para seu filho.

      Não existe um único exame que possa confirmar o diagnóstico de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), na maioria das vezes eles são complementares.

      Exames disponíveis para investigação:

      1. Radiografia de esôfago, estômago e duodeno (REED)
      2. Manometria para medir a pressão da região situada entre o esôfago e o estômago
      3. Cintilografia gastroesofágica
      4. Ultrassonografia do abdome superior
      5. Estudo da deglutição: deglutograma baritado e videofluoroscopia
      6. Endoscopia digestiva alta e biópsia esofágica – indicada principalmente quando se pensa em esofagite e suas conseqüências
      7. Monitorização do pH do esôfago (pHmetria 24 horas)
      8. Impedanciometria esofágica intraluminal
  • Qual o tratamento?
    • A orientação aos pais é de fundamental importância. Eles devem conhecer a evolução do refluxo, suas principais conseqüências, o tempo de evolução e cura, bem como a importância do seguimento periódico de seu filho. Algumas vezes, somente com a orientação adequada, a freqüência das regurgitações e vômitos chega a diminuir.

      O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso.

      MEDIDAS POSTURAIS E DIETÉTICAS

      As modificações dietéticas propostas para reduzir os episódios de refluxo devem respeitar as necessidades nutricionais da criança. O espessamento da mamadeira tem maior eficácia para alívio das regurgitações.

      Alimentos e medicamentos que diminuem o tônus da junção entre o estômago e o esôfago ou aumentem a acidez gástrica devem ser evitados. Como, por exemplo, alimentos gordurosos, frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, etc), tomates, café, álcool, fumo (inclusive fumantes passivos, como as crianças); e alguns medicamentos, devem ser evitados.

      Recomenda-se, em geral, cabeceira do berço ou da cama elevada a 30 graus e manutenção da criança ereta (quase em pé) no período pós-alimentação.

      MEDICAMENTOS

      Cabe ao seu pediatra avaliar qual a medicação mais adequada para seu filho. Entre as medicações disponíveis para o uso estão: domperidona, metoclopramida, bromoprida, eritromicina, inibidores H2 e os bloqueadores da bomba de prótons. Hoje, excepcionalmente a cirurgia está indicada.

Dor Abdominal
  • O que é a Dor Abdominal Recorrente?
    • Qualquer dor localizada no abdome da criança e que se repete com freqüência, causando preocupação aos pais. No mundo científico é definida como três ou mais episódios de dores no abdome, pelo menos nos últimos três meses, intensos o suficiente para prejudicar o dia-a-dia da criança, de alguma maneira, durante o período em que estiver sentindo dor.

  • O que causa esta dor?
    • Pode ser devido à doença orgânica ou funcional. São inúmeras as doenças orgânicas que podem causar estas dores (ex: alergias alimentares, doença celíaca, intolerância a lactose, vermes, câncer, pedra na vesícula e rins, doenças do pâncreas, etc...). Em mais de 90% dos casos, no entanto, a dor é funcional. Nestes casos as crianças relatam a dor, mas todos os estudos e exames que forem feitos sobre a criança irão se mostrar normais, sem ela apresentar qualquer indício de doença orgânica que cause a dor.

  • O que significa Dor Funcional?
    • A dor funcional é aquela que a pessoa sente, mas que os médicos não encontram uma causa específica. Diversos fatores são implicados no surgimento deste tipo de dor. Muitos estudos realizados com pacientes mostram que estas pessoas possuem uma maior facilidade para experimentar sensações dolorosas frente a alguns problemas, e que a distensão intestinal nestas pessoas também se apresenta mais dolorosa quando comparados níveis semelhantes de estímulo entre pessoas “normais”.

      Os receptores de dor destas crianças são mais sensíveis aos estímulos dolorosos e também os mecanismos centrais de modulação da dor agem de forma incompleta no bloqueio de sensações dolorosas de menor intensidade e importância. Por enquanto, os exames que mostram estas alterações somente estão presentes em centros especializados, nos Estados Unidos e Europa. É importante ressaltar que a criança sente uma dor verdadeira, e não está mentindo ou chamando a atenção.

  • Porque esta dor é tão importante?
    • Primeiro, porque é muito frequente. Em segundo lugar, causam muita angústia aos pais que não sabem como lidar com as dores de seu filho (tem períodos que relevam mais a dor e períodos em que voltam ficar preocupados) e acabam por gerar uma infinidade de exames, induzindo a família a longas jornadas de investigação e mudanças frequentes de médicos.

  • Como a Dor Abdominal Recorrente Funcional se manifesta?
    • Na Dor Abdominal Recorrente Funcional podem ser percebidas três formas de manifestações, uma com dor periumbilical (em volta do umbigo) clássica, na qual a criança apresenta em geral apenas os episódios de dor periumbilical, que podem durar de alguns minutos a horas ou dias, não são encontrados outros sinais de acometimento sistêmico, e o exame físico do paciente é em geral normal.

      No segundo tipo, dispéptico, os pacientes podem apresentam vômitos, náuseas, gases e sensação de queimação com localização mais epigástrica porém também periumbilical. A dor piora com o jejum, melhorando com a alimentação.

      Já na Dor Abdominal Recorrente Funcional com dismotilidade intestinal, a dor em geral se localiza na porção inferior do abdome. Pode ocorrer diarréia ou constipação, ocorrendo alívio dos sintomas com o ato de evacuar.

  • É grave?
    • Não, mas pode gerar grande desconforto para a criança e afetar significativamente o seu dia a dia, levando muita angústia aos pais e até aos pediatras.

  • Como sei se meu filho(a) possui a Dor Abdominal Recorrente Funcional?
    • Somente o seu médico poderá dizer com segurança se a dor é funcional ou não. É imprescindível um bom tempo de consulta ou consultas e, dependendo do caso, são necessários alguns exames complementares, que podem ser poucos ou muitos. A necessidade destes exames é variável. Somente após esta avaliação o seu médico poderá fazer o diagnóstico de certeza.

  • Quais os sinais de alerta para uma doença orgânica?
    • Há sinais e sintomas de alerta que sugerem origem orgânica para os episódios isolados de dor abdominal, tais como perda de peso, desaceleração do crescimento, dor distante da região umbilical, manifestações extra-intestinais (febre, erupções na pele, dor articular, aftas recorrentes e dificuldade para urinar), presença de sangue nas fezes, diarréia crônica, anemia, “exames de sangue” alterados e história familiar de doença ulcerosa ou inflamatória do tubo digestivo. A presença dessas alterações, associadas a outras mais específicas de cada causa orgânica, orienta para a realização de exames mais específicos.

  • A Dor Abdominal Recorrente Funcional tem tratamento?
    • Sim. Em primeiro lugar, o diagnóstico deve dado apenas pelo médico após os exames que ele julgar necessários. Uma vez concluída a investigação o médico iniciará o tratamento que inclui: medidas comportamentais, explicação exata da doença, orientação acerca dos sinais de alerta, técnicas para diminuir a intensidade da dor e algumas vezes até medicamentos placebos.

      A criança deve fazer consultas periódicas, principalmente nos primeiros 6 meses, para que sejam reforçados e esclarecidos os conceitos de Dor Abdominal Recorrente Funcional e as maneiras de lidar com a dor. Verificam-se nesses encontros se ainda estão presentes os ganhos secundários, sinais e sintomas de alerta ou outros achados que sugiram doença orgânica.

      A maioria das crianças melhoram após 3 meses de consultas. Grande parte dos pais se despreocupam definitivamente e vivem melhor e mais tranqüilos...

      Mesmo com esta abordagem, algumas crianças apresentarão dores por até cinco anos após o diagnóstico, e outras levarão queixas de dor, além da Dor Abdominal Recorrente Funcional, até a vida adulta, como enxaquecas e dores nas costas.

Neurologia pediátrica

Estas orientações foram escritas pela Drª. Sheila Mariano.

As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.

Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.

  • O que fazer diante de uma crise convulsiva?
    • Presenciar uma crise convulsiva é algo que impressiona a maioria das pessoas. Para quem assiste é importante, acima de tudo, manter a calma e ter consciência de que não "pega". Conheça abaixo algumas medidas práticas:

      1. Coloque a pessoa no chão para evitar que ela caia.
      2. Remova da área objetos perigosos que possam ferí-la.
      3. Afrouxe as roupas.
      4. Vire a cabeça para um lado, pois isso deixa a saliva fluir, facilita a respiração e evita que a pessoa sufoque ou aspire as secreções.
      5. Não tente fazê-la voltar a si dando-lhe água para beber.
      6. Não tente conter os movimentos.
      7. Fique ao lado da pessoa até que sua respiração volte ao normal. Algumas pessoas ficam sonolentas ou confusas após a crise.
      8. A maioria das crises é de curta duração, mas se prolongar ou se forem repetidas leve a pessoa ao serviço de urgência mais próximo.
      9. Em caso de febre, coloque no banho imediatamente e dê um antitérmico, de preferência dipirona. Se necessário, em caso de febre persistente, intercale outros antitérmicos.
  • Em que situações a pessoa que tem dores de cabeça deve procurar o neurologista?
    • Quando a dor de cabeça for a mais intensa que a pessoa já teve, for acompanhada de sinais neurológicos como dormência ou diminuição da força em um lado do corpo, visão dupla ou sintomas como febre alta, pescoço duro, vômitos "em jato" (súbitos e sem enjôo) , quando mudar de características, piorar progressivamente em freqüência ou intensidade, apresentar sinais e sintomas que antes não ocorriam, acordar durante noite por causa da dor, consumir analgésicos mais de uma vez por semana ou a dor não melhorar com os analgésicos comuns.

  • O que fazer quando a criança bate a cabeça?
    • Quedas e pequenos traumas na cabeça são freqüentes na infância por causa do excesso de atividade física natural desta faixa etária. Aquele inchaço local (conhecido como “galo”) muitas vezes assusta, mas é um sinal externo, da pele, tecido subcutâneo e couro cabeludo.

      Os sinais de alerta para lesão cerebral são:

      1. Sonolência ou dificuldade para acordar (pode deixar dormir, entretanto acorde a criança algumas vezes à noite, converse com ela e veja se está orientada)
      2. Náuseas ou vômitos persistentes
      3. Convulsões, desmaios.
      4. Sangramento ou saída de líquido aquoso pelo nariz ou ouvido
      5. Dor de cabeça muito forte, que não melhora com dipirona ou paracetamol.É comum uma dor leve no local da batida.
      6. Perda de força em braços ou pernas
      7. Comportamento estranho ou confusão mental.
      8. Nas situações acima a criança deverá ser levada a um serviço de urgência imediatamente.

  • Orientações para insônia
      1. Ambiente calmo, tranqüilo, arejado, sem luzes, nenhum som ou ruído, mesmo que você ache que sejam “leves” e “facilitem” o sono. Colchão, travesseiro e cobertores adequados.
      2. Um banho morno é aconselhável antes de dormir, evitar banho muito frio ou muito quente.
      3. Evitar, à noite, o uso de bebidas ou comidas “pesadas”, muito temperadas ou condimentadas, e estimulantes (café, coca-cola, guaraná, chá preto). Prefira um leite morno ou chás calmantes (camomila, erva cidreira...).
      4. Não dormir com fome. Alimentar-se 1 a 2 horas antes de dormir.
      5. Evitar o uso de sedativos, pois alteram o ritmo de sono e muitas vezes causam dependência.
      6. Evitar atividades estressantes ou pesadas antes de dormir. Evite ficar em frente ao computador até tarde. Não deixar as crianças assistirem programas de TV que contenham cenas violentas ou que possam assustá-las.
      7. Não cochilar em sofás e poltronas. Deve-se dormir somente na cama. E só ir para cama quando estiver com muito sono.Nunca deitar para “ver se dorme”.
      8. Atividade física e tomar sol em horários apropriados (antes das 10:00 e depois das 16:00h) promove a saúde e ajuda a regular o ritmo de sono.
      9. As pessoas têm necessidades de sono diferentes. Calcule quantas horas de sono VOCÊ precisa. Após ter “regulado” seu sono, procure manter as recomendações e reservar um horário aproximado para ir dormir, ou “repôr” esse número de horas, se precisar ficar acordado após este horário (numa festa, por exemplo).
      10. Lactentes: a introdução do jantar diminui a necessidade de acordar à noite para mamar. Pode-se oferecer uma mamadeira ou uma sucção nutritiva ao seio materno antes dos pais dormirem (tentar adequar a rotina de sono e alimentação da criança à rotina da família). A criança deve ser acostumada a dormir no berço e no próprio quarto. Não dormir na cama dos pais (isso também prejudica a intimidade do casal). Não fazer o seio materno de chupeta.
  • Perda de fôlego
    • A perda de fôlego freqüentemente é objeto de preocupação dos pais que se sentem como se a criança fosse morrer. A grande dificuldade naqueles casos que cursam com perda de consciência é diferenciar das crises convulsivas ou epilépticas. Essa diferenciação pode ser ainda mais difícil naquelas crises que além da perda de consciência se manifestam com enrijecimento do corpo ou abalos musculares. Esses episódios são sempre precedidos por choro, desencadeado por contrariedade, susto ou dor por pequenos traumas. Por outro lado, a crise epiléptica é de ocorrência espontânea, geralmente sem um fator precipitante aparente.

      As crises de perda de fôlego ocorrem geralmente entre os 6 meses e 3 anos e são de dois tipos: cianótica (quando a criança fica “roxinha”) e pálida.

      Na hora da crise não adianta assoprar a criança. Os pais devem se manter tranquilos e não deixar a criança perceber que a situação preocupa a família. Quando a criança percebe que consegue chamar a atenção, ela passa a apresentar mais crises. Também não devem fazer tudo o que a criança quer para evitar que ela chore, pois isso vai gerar um problema maior no futuro. O mais importante é ter consciência da benignidade do quadro, entender que essas crises não deixam seqüelas e desaparecem com o tempo.

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