Estas orientações foram escritas pelos pediatras da clínica Mon petit.
As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.
Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.
Escolher o pediatra adequado é uma das mais importantes decisões de qualquer casal que acaba de ter um filho. Uma das mais importantes e difíceis. Geralmente, essa escolha tende a ser feita durante a gravidez, chegando-se a uma conclusão no sétimo ou oitavo mês de gestação, tendo por base conselhos e opiniões de amigos, conhecidos e familiares ou do próprio obstetra que segue a mãe durante a gravidez. Quando indicado por amigos, trata-se de pessoas que já passaram pela tarefa de eleger um pediatra para acompanhar os filhos, e estão mais ou menos habilitadas a sugerir o nome deste ou daquele médico. Embora essas sugestões sejam muito importantes (até decisivas), tanto você como o seu parceiro não devem se esquecer de ponderar sobre algumas questões práticas que podem ajudar no momento da escolha.
São elas:
Embora seja uma situação desagradável e constrangedora, os pais do bebê não devem hesitar em mudar de pediatra, caso este não corresponda às suas expectativas. Uma vez que, em média, o pediatra é visitado uma dezena de vezes até ao primeiro ano de vida do bebê, convém que seja merecedor da confiança e respeito dos pais.
Comentário da revista Crescer (julho de 2010):
“Corte da sua lista, sem dó, aquele médico que não dá o número do celular. O pediatra cuidará da saúde do seu filho durante muitos anos e deve passar segurança para você”.
O mais importante é que o pediatra preencha os critérios expostos acima e conquiste sua confiança. Caso tenha um convênio que ofereça um pediatra que atenda seu filho desta maneira (pelo menos 1 hora de consulta, esteja disponível por e-mail e celular, etc), não há problema.
Lembre-se que estamos falando da pessoa mais importante das nossas vidas. Você deve se programar para ter um filho, pois ele não é apenas uma “plantinha” que cuidamos em casa. Ele precisa ser orientado, ensinado, acompanhado e é preciso ter paciência, persistência e dedicar tempo.
Valorize a educação e a saúde do seu filho.
O bebê deve ser acompanhado por um especialista, pelo menos, uma vez por mês, até completar os seis meses de idade. No entanto, muitos pediatras, optam por consultas mensais durante todo o primeiro ano.
Após 1 ano de vida e até os 2 anos as consultas são trimestrais. De 2 a 4 anos os encontros são semestrais e, por fim, anuais.
Importante: as consultas de emergência não eliminam as de rotina.
O pediatra deve ouvir as queixas e TODAS as suas dúvidas, perguntar sobre o desenvolvimento da criança e realizar o exame físico completo: pesar, medir, medir a cabeça, aferir a pressão mesmo nas crianças menores de 1 ano, colocar os dados na curva de crescimento e sempre orientar a respeito:
O cordão umbilical representa a ligação anatômica do bebê com a mãe. É cortado no nascimento do bebê e deve ser tratado com muito cuidado para que cicatrize bem, pois é um dos locais com maior risco de infecções para os recém-nascidos. Os bebês recebem os nutrientes e o oxigênio através do cordão umbilical quando estão no ventre das mães.
Depois do parto, um dos primeiros procedimentos se o bebê está respirando normalmente e tem as vias respiratórias libertas, é cortar o cordão umbilical. O médico coloca duas pinças no cordão e corta-o pelo meio. O procedimento é totalmente indolor para o bebê.
Posteriormente, o resto do cordão umbilical que ficou preso ao nível do abdome do bebê é cuidado pelos médicos, para que cicatrize mais facilmente.
Os cuidados com o cordão umbilical a partir do nascimento aplicam-se tanto aos profissionais de saúde, que tratam do bebê nos primeiros dias, como aos pais, já em casa.
O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco, colocado envolto em uma compressa esterilizada, embebida em álcool a 70%. Para que a fralda não interfira com o resto do cordão que permanece agarrado ao abdome do bebê, a colocação da fralda deve deixar o umbigo ao ar e nunca em contato com a urina.
A roupa mais apropriada para o bebê nos primeiros dias, desde que o clima não esteja muito frio, será bastante leve e larga de forma a permitir que o ar seque o cordão e o faça a cair mais depressa. Se demorar muito tempo a cicatrizar, é normal que apareçam pequenas partes de tecido agarradas ao cordão, que desaparecem com o tempo, sem motivo para preocupações.
Dada a fragilidade do cordão umbilical, é necessário verificar periodicamente se aparecem alguns sinais de risco. Os mais comuns são:
Se for detectado algum desses sinais, é necessário recorrer ao médico, uma vez que o bebê pode apresentar uma infecção que deve ser tratada com antibióticos. Dada a fragilidade da saúde do bebê nos primeiros dias, o tratamento precoce é essencial.
A queda do resto do cordão umbilical ocorre em cerca de 7 a 21 dias após o parto, ficando o bebê com uma cicatriz umbilical, como o característico de todas as pessoas. Poderão aparecer alguns vestígios de sangue nas fraldas do bebê no nível do umbigo, resultantes da queda do cordão, mas esse é um sinal perfeitamente normal.
A pele do bebê é muito sensível. Ela é cinco vezes mais fina do que a dos adultos e os bebês ainda não estão prontos para combater os problemas de pele, por isso, estão mais sujeito às assaduras.
A assadura é uma reação da pele ao contato com substâncias como a urina e as fezes acumuladas nas fraldas.
A assadura é mais frequente em bebês que urinam demais e evacuam a cada mamada. A urina e as fezes, com os germes, formam um pH diferente do da pele. Ela reage e surge a assadura. Quanto mais calor, pior é, pois a fralda abafa a região do bumbum e as bactérias aumentam.
Momentos que atormentam os bebês e preocupam os pais. A presença de cólicas atinge 50% dos recém-nascidos e desaparece por volta dos 3 meses. As causas ainda não foram descobertas pelos médicos, mas acredita-se que o problema seja decorrente da imaturidade do sistema gastrointestinal, além de outros fatores que podem colaborar, como por exemplo, o ar aspirado pelo bebê durante a amamentação e alimentos ingeridos pela mãe que causam fermentação durante a digestão.
Algumas características são típicas no recém-nascido
Não há medicação para tratar as cólicas. E os analgésicos são contra-indicados.
Existem medidas preventivas que os pais podem fazer para ajudar
Dica: Muitas mães dizem que chás de erva-doce e de camomila ajudam, mas não devem ser adoçados com açúcar, para que não ocorra a fermentação e a situação piore ainda mais.
A primeira, primordial, e insuperável forma de alimentar o recém-nascido é o aleitamento materno.
A recomendação pela Sociedade Brasileira de Pediatria, órgãos do governo e pela Organização Mundial de Saúde é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses e complementado pelo menos até os dois anos de idade.
Todo bebê chora. Eles não têm outra saída. Até bebês completamente saudáveis são capazes de chorar entre uma e cinco horas por dia no total, sem que haja nada de anormal. Como não podem fazer nada sozinhos, os bebês precisam dos outros para conseguir a comida, o calor e o conforto de que precisam.
Chorar é o único jeito que o bebê tem de comunicar essas necessidades. No começo, pode ser desesperador tentar descobrir exatamente qual necessidade é essa: ele está com fome? Com frio? Com sede? Com tédio? Quer colo? Está com sono? Com o tempo, porém, você e seu companheiro vão começar a distinguir um pouco melhor cada choro do bebê, e farão o que ele quer mais rápido – o que deve representar menos choradeira.
À medida que vão crescendo, os bebês aprendem outros meios de se comunicar conosco. Aperfeiçoam o contato visual, fazem barulhinhos e até sorriem. Tudo isso reduz a necessidade de choro. Se seu bebê não pára de chorar, experimente ir seguindo a lista item a item. Mesmo que nada dê certo, você vai ficar mais tranqüila, ao saber que fez tudo o que podia para consolar seu filho.
A fome é o motivo mais comum para um recém-nascido chorar. Quanto mais novo for o bebê, maior é a probabilidade de ele estar chorando de fome. Isso só não acontece no primeiro ou no segundo dia depois do nascimento, pois nessa fase há crianças que quase não se alimentam. Se você está amamentando, percebe isso fácil, pois o colostro, aquele riquíssimo primeiro leite, é produzido em quantidades pequenas. O leite mesmo só "desce" por volta do terceiro dia. O recém-nascido tem o estômago pequeno, que não aguenta uma quantidade muito grande de leite.
Assim, se o bebê chorar, tente oferecer leite. Pode ser que ele não pare de chorar na hora, mas deixe-o mamar. Conforme o estômago dele for se enchendo, ele deve se acalmar. Caso o bebê já esteja de barriga cheia e continue chorando, talvez esteja querendo dizer a próxima coisa da lista.
Com toda razão, os bebês reclamam se a roupa está apertada demais ou se estão com a fralda suja de cocô. Há bebês que não estão nem aí se a fralda está suja. Por outro lado, há outros que querem ser trocados na hora, principalmente se estiverem com a pele irritada. Verifique a fralda do seu filho e troque-a, se necessário. Talvez isso resolva o choro, portanto sempre vale à pena tentar.
Aproveite para verificar se não há nenhuma roupa apertando demais ou alguma outra coisa incomodando a criança, como um fio de cabelo enrolado nos dedinhos dela.
Alguns recém-nascidos detestam ficar pelados para a troca ou para o banho. Não estão acostumados a sentir o contato do ar com a pele e preferem ficar de roupa. Se seu bebê for um desses, você logo vai aprender a trocar a fralda em velocidade recorde, para acabar com as reclamações.
Tome cuidado para não exagerar nas roupas, senão a criança vai ficar com calor. Uma regra simples é deixar o bebê com um pouco mais de roupa que a sua: se você está de short e camiseta, pode colocar um macacãozinho comprido de algodão sem nada por baixo. Se você está de calça comprida e blusa de manga comprida, ponha nele um macacão com body e "mijão" por baixo.
Um bom jeito de verificar a temperatura do bebê é sentir a barriga dele. Se ela estiver quente e suando, tire um pouco de roupa. Se ela estiver fria, agasalhe-o mais. Não vá pelas mãos e pelos pés, porque eles tendem a ficar mais frios que o resto do corpo.
Cuidado para não exagerar nos cobertores na hora de dormir. O melhor é colocar uma mantinha embaixo das axilas do bebê, para não correr o risco de ele se enrolar nas cobertas.
Há bebês que precisam de mais colo para se sentir seguros. Crianças um pouco mais velhas já se acalmam só de ver você no quarto ou ouvir sua voz, mas os pequenininhos precisam do contato físico. Se seu filho está alimentado, de fralda trocada, e continua chorando, pode ser que só esteja querendo colo mesmo.
Muita gente tem medo de "estragar" o bebê se der colo demais, mas nos primeiros três meses de vida isso não acontece. As crianças são diferentes entre si: algumas não precisam de tanto contato físico, e outras querem ficar no colo quase o tempo todo. Se seu filho for da turma do colinho, você pode usar outras estratégias, como o canguru ou o sling (uma espécie de rede), que mantêm o bebê perto de você mas liberam suas mãos para fazer outras coisas.
Seria ótimo se os bebês simplesmente fechassem os olhos e dormissem sempre que estivessem cansados, mas muitas vezes eles não conseguem fazer isso. Pode ser por agitação – um dia cheio de visitas e atividades pode deixar o recém-nascido muito excitado, e ele tem dificuldade para "desligar". O excesso de estímulo – luzes, barulho, passar de colo em colo – pode deixar o recém-nascido inquieto, e é isso o que muitos pais percebem.
O bebê fica irritado no fim do dia, ou quando a casa está cheia. Talvez o bebê esteja só dizendo: "chega". Experimente levá-lo para um lugar calmo, reduzindo o nível de estímulo. Pode ser que ele ainda chore mais um pouco, mas depois finalmente se tranquilize e durma.
Se você já deu de mamar, já verificou se ele está confortável, e mesmo assim seu filho continua chorando, é inevitável começar a pensar que talvez ele esteja com alguma dor. Para pais de primeira viagem, é especialmente difícil saber se a criança fica insatisfeita com frequência só por temperamento (o que acontece com algumas delas, já que leva mais tempo para elas se adaptarem à vida fora do útero) ou se há algo de errado.
Quando o bebê está com alguma dor, ele chora num tom diferente do choro normal – pode ser um choro mais desesperado, ou mais gritado. Por outro lado, para um bebê que chora bastante por natureza, o silêncio é que pode ser o sinal de que há algo errado.
O mais importante é lembrar que você conhece o seu filho melhor que qualquer outra pessoa. Se você sentir que há alguma coisa errada, entre em contato com o Pediatra.
Haverá ocasiões em que você não vai conseguir descobrir o que está fazendo o bebê chorar. Muitos recém-nascidos passam por períodos de inquietação, e são difíceis de acalmar. A choradeira pode durar alguns minutos ou então horas a fio. O quadro de choro constante e inconsolável às vezes recebe o nome de cólica.
Oficialmente, a cólica é definida pelo choro inconsolável por pelo menos três horas ao dia, e que aconteça pelo menos três vezes por semana. É muito difícil lidar com um bebê com cólica. A família inteira sofre e fica estressada. Se você conseguir, tente se concentrar no fato de que isso vai passar.
A maioria dos bebês supera a cólica por volta dos 3 meses. Para mais idéias, leia nossas estratégias sobre como lidar com a cólica.
A perda de fôlego freqüentemente é objeto de preocupação dos pais que se sentem como se a criança fosse morrer. A grande dificuldade naqueles casos que cursam com perda de consciência é diferenciar das crises convulsivas ou epilépticas. Essa diferenciação pode ser ainda mais difícil naquelas crises que além da perda de consciência se manifestam com enrijecimento do corpo ou abalos musculares. Esses episódios são sempre precedidos por choro, desencadeado por contrariedade, susto ou dor por pequenos traumas. Por outro lado, a crise epiléptica é de ocorrência espontânea, geralmente sem um fator precipitante aparente.
As crises de perda de fôlego ocorrem geralmente entre os 6 meses e 3 anos e são de dois tipos: cianótica (quando a criança fica “roxinha”) e pálida.
Na hora da crise não adianta assoprar a criança. Os pais devem se manter tranquilos e não deixar a criança perceber que a situação preocupa a família. Quando a criança percebe que consegue chamar a atenção, ela passa a apresentar mais crises. Também não devem fazer tudo o que a criança quer para evitar que ela chore, pois isso vai gerar um problema maior no futuro. O mais importante é ter consciência da benignidade do quadro, entender que essas crises não deixam seqüelas e desaparecem com o tempo.
É o segmento da medicina que cuida dos adolescentes, período entre os 10 e 20 anos.
É fundamental que os pais tenham conhecimento em relação à segurança da criança, a fim de prevenir lesões não-intencionais. Seguem abaixo, algumas orientações divididas por idade (de 0 a 5 anos).
Os acidentes mais comuns que envolvem a praia e as respectivas recomendações são:
Aproveitem as férias, divirtam-se, brinquem muito, tirem fotos e filmem bastante.... O humor também melhora a imunidade!
O segredo está em estabelecer uma rotina. A criança precisa entender, desde bem pequena, a diferença entre o dia e a noite, e aprender que a noite foi feita para dormir. Daí a necessidade de uma rotina antes do sono, de horários mais ou menos estabelecidos e atividades que, noite após noite, repetem-se, mostrando que a hora de dormir chegou.
É um erro achar que a criança deve ser acordada para comer durante a noite. A única exceção fica por conta do recém-nascido, até mais ou menos o primeiro mês de vida, quando seu estômago ainda se esvazia rapidamente. Os intervalos para alimentá-lo, neste caso, deve variar entre 2 a 4 horas, e não mais do que isso.
Depois de maiores, as crianças não devem ser acordadas para comer. Se ela está dormindo 5, 6 horas durante a noite, por exemplo, é sinal de que não está incomodada, seja por fome ou por qualquer outro problema. A maioria das crianças conseguem dormir de 00:00 às 06:00 após os 2-3 meses, caso não haja nenhum condicionamento errado por parte dos pais.
E outro erro é, ao menor sinal de despertar da criança, os pais correrem para "acudi-la". Muitas vezes, qualquer resmungo já é motivo para a mamãe estar ao lado do berço. O ideal é esperar um pouco para ver se a criança volta a dormir. Às vezes, ela simplesmente despertou e, se não for estimulada, voltará a dormir naturalmente.
É claro que você não vai deixar o pequeno chorar insistentemente. Se o choro é repetido, é imprescindível checar o problema.
É fundamental que o bebê passe a dormir no próprio quarto o quanto antes. O ideal é que ele durma com os pais no máximo até o 2º mês de vida, quando as mamadas noturnas ainda interrompem demais o sono de todos.
Depois disso, ele deve ir para o próprio quarto, e assim aprender que toda a família deve ter privacidade. Por isso mesmo, é bom que o bebê seja colocado no berço sonolento, mas ainda acordado. Ele vai entender, com isso, que o lugar de adormecer é o berço.
Crie uma espécie de ritual para a hora de dormir. O horário vai depender muito da rotina e dos hábitos de cada família, mas é bom que seja mais ou menos o mesmo todos os dias.
Além disso, dar banho à noitinha é ideal para relaxar e tranqüilizar a criança, preparando-a para a hora do sono. Depois do banho, trocá-la e alimentá-la vai, pouco a pouco, criando o ambiente ideal para que ela adormeça. Música de ninar, massagens e brincadeiras bem leves também podem ser utilizadas.
Depois de tudo isso, é só ficar atento ao quarto do bebê, que deve estar calmo e silencioso.
Caso ele acorde à noite, os contatos deverão ser “secos” e desprovidos de interesse para o bebê (brincadeiras, colo, mamadas, etc..).
Ataque de cólera infantil, aparentemente desmotivado ou por um motivo aparentemente fútil. É importante parar para pensar: o que ela realmente deseja (atenção, disputa de poder, revide)? Existe alguma circunstância que serviu de gatilho (sono, cansaço, ciúme)?
É importante reconhecer que a birra é um processo normal de desenvolvimento da criança (que adquire maior relevância após o 2 anos), que ainda não controla suas emoções de raiva e precisa de um escape... A criança precisa dar vazão àquele turbilhão de sentimentos negativos que se acumulam. Quando isso não acontece ou quando reprimimos veementemente a birra corremos o risco de embotar os sentimentos da criança, tornando-a insegura e favorecendo que seja um adulto “engolidor de sapos” com “úlcera nervosa”...
Evitar uma situação previsível de encrenca é a saída ideal. Os pais costumam ver apenas duas soluções: ceder ou castigar. Imaginam que, assim, estão rompendo com o conflito. Não estão, pois, se a criança usa a birra para chamar a atenção, já conseguiu o que queria e vai repetir a dose.
Deixa-a se acalmar em um canto apropriado, para que ela tenha tempo de organizar seus sentimentos (“cantinho do pensamento” ou “time out”).
Agir mais e falar menos.
A criança não precisa de um longo discurso de argumentação. A explicação deve ser sucinta. Diante de uma birra, o mais acertado é ajudar a criança a se acalmar logo e, depois, lhe explicar por que não pode fazer ou ter o quer de forma resumida. Quando a criança sente que é ouvida e respeitada, confia mais no adulto e pode aceitar com mais facilidade as regras, mesmo numa situação imprevista.
Em vez de tentar convencer a criança a realizar algo (tomar banho, escovar os dentes, etc), simplesmente faça. Ela aprende que para algumas coisas não há negociação. Apelar para brincadeiras e fantasias pode ajudar na criança antes dos 4 anos.
As palmadas são um testemunho da incompetência dos pais como educadores. A criança pode até obedecer, mas o faz por medo de apanhar, e não por respeito. Um olhar seguro e bem dado é, sem dúvida, muito mais eficiente.
Funciona, sim. Ele alivia a culpa da criança, que paga o que estava devendo e tem direito a novos créditos. O castigo também age como disciplinador. Ele atirou um brinquedo contra a parede? Fica sem brincar com outro brinquedo por um ou dois dias. Uma falta grave pode ser castigada com a retirada de atenção. Você pode dizer que gosta muito de seu filho, mas ficou chateada com o que fez e não vai falar com ele durante um certo tempo.
O grito é um mau hábito. Ele não impõe disciplina. Um diálogo eficiente deve ser feito face a face, num tom de voz normal – ainda que você precise repetir a instrução para a criança.
Não. Até os 4 anos, a criança não deve receber muita explicação. Ela apenas quer autorização para fazer algo.
A conversa com a criança sobre como ela se sente é de particular importância, mas muitas vezes ignorada. Aos dois e três anos, crianças vivem uma turbulência de emoções: medo, braveza, tristeza e satisfação. Enquanto que as crianças podem não ter exatamente o mesmo significado que os adultos para essas emoções, elas podem aprender a rotular e identificar sentimentos bons e ruins. Não subestime a capacidade que elas têm de entender emoções e sentimentos.
Os pais podem ajudar seus filhos a desenvolverem uma linguagem para expressar e lidar com sentimentos dando nomes a eles. Ao fazer isso, os pais têm a responsabilidade de gerenciar seus próprios sentimentos para ajudar a criança a lidar com os dela. Pelo uso da brincadeira, você pode oferecer à criança algumas saídas emocionais para a raiva, o medo e a ansiedade.
O foco de brigas normalmente está em querer o brinquedo que alguma outra criança tem. A agressividade é uma parte normal do crescimento e pode estar relacionada aos nossos instintos de sobrevivência. A maioria das crianças é consideravelmente agressiva quando defende seus pertences ou a si mesmas.
Não existem respostas fáceis para como lidar com a agressividade excessiva, mas certamente não faz sentido para a criança ou para os pais resolver agressão com agressão.
A maneira com que os pais lidam com essas situações não influencia em quão agressiva a criança será. A criança menos agressiva vem de famílias não punitivas, não permissivas e que não rejeitam seus filhos. Os pais em famílias assim são consistentes na forma como lidam com a agressividade. Eles não utilizam punições físicas duras ou linguagem dura desnecessária, apenas estabelecem limites firmes e claros sobre o que esperam de seus filhos e o que aceitam deles.
A consistência é importante em qualquer técnica de intervenção que você utilize para lidar com a agressividade dos filhos. Uma técnica útil é tirar a criança da briga e isolá-la por alguns minutos. Cuidar rápido da situação, antes que a briga saia do controle, ajuda. Assim que o seu bebê de dois anos conseguir falar, pergunte o que ele sente e quer. Fazer isso ajuda-o a aprender a se expressar verbalmente ao invés de fisicamente.
Algumas vezes, oferecer à sua criança uma alternativa para a energia acumulada ajuda a reduzir o nível de agressividade. Exatamente como com adultos, exercícios físicos ajudam a liberar a tensão e a reduzir o nível de estresse. Brincadeiras criativas também ajudam a criança a trabalhar tendências agressivas. Pais podem contar com a imaginação da criança para ajudar a trabalhar conflitos.
Assistir muita televisão pode causar um impacto negativo nos níveis de atividade das crianças. Enquanto elas se sentam e olham o televisor, parecem zumbis. Mais tarde, essas mesmas crianças ficam superativas, correndo sem rumo e com pouco conteúdo nas brincadeiras. Para piorar ainda mais, normalmente é difícil dizer onde os desenhos acabam e os comerciais começam.
Contudo, assistir a televisão com moderação também pode ter fins positivos. Bons programas educacionais e desenhos têm muito a ensinar ao seu filho.
Mas lembre-se sempre de que muita televisão, mesmo com programas de boa qualidade, pode levar a um estilo de vida sedentário e nada saudável. Mesmo os melhores programas não superam os benefícios de experiências reais com pessoas reais.
A escola oferece alimentação? Como é o funcionamento da cantina? É preciso levar dinheiro para comprar ou a escola oferece fichas, que o pai compra e dá para o filho? E a qualidade dos alimentos oferecidos também deve ser observada. Porque o filho pode começar a voltar da escola e não querer comer em casa, por ter tomado muito refrigerante, por exemplo.
Qual é a estrutura do imóvel? Ele tem área de lazer? As classes são iluminadas e claras? Boa ventilação e acústica? Há limpeza e segurança para os estudantes? É fácil entrar e sair com uma criança?
Os estudantes terão muitos trabalhos de campo, visitas a museus, cinemas, teatros? A princípio, atividades como estas estimulam o aprendizado e deveriam ser realizadas 2 vezes por ano.
Seu filho é um miniartista? Um desenhista em potencial? Um atleta? Precisa de rigidez ou é tímido? Veja qual o perfil da criança e procure instituições de ensino que estimulem sua aprendizagem.
Nas grandes cidades, a distância da escola pode representar um problema. Ainda mais se os pais trabalharem e precisarem buscar os filhos no colégio. É fundamental escolher uma instituição localizada em área estratégica para a família – seja perto de casa ou perto do trabalho.
Como a escola mostra os resultados dos estudantes? Há nota ou conceito? A família tem acesso ao boletim? Vale lembrar que existem diferentes tipos de avaliação (há escolas que aplicam provas e outras que não as aplicam, por exemplo), e você pode procurar o colégio mais adequado aos seus valores.
A escola deve oferecer, no mínimo, três reuniões por ano, segundo recomendação do MEC (Ministério da Educação). Veja se a instituição de ensino proporciona um bom contato com as famílias.
O colégio dá tarefas longas para seu filho levar para casa? Isso pode ser bom ou ruim, dependendo de cada família. Veja se você tem condições de orientar seu filho nas lições de casa e se elas exigem a participação dos pais.
A biblioteca tem o acervo atualizado e permite que as crianças manipulem os livros? A biblioteca tem de ter livros destinados à faixa etária dos estudantes.
Os móveis são adequados para as crianças? Veja se as mesinhas e cadeiras estão em bom estado.
Peça informações sobre o material que será utilizado durante o ano letivo. Tome cuidado com material apostilado – procure verificar a qualidade.
Pergunte se o corpo de professores tem formação adequada para lecionar. Se a escola oferece tempo para pesquisa e para desenvolvimento das atividades, ela ganha pontos.
Os familiares recebem relatórios sobre as vivências, produções e aprendizagens pelo menos duas vezes ao ano?
A instituição permite a entrada dos familiares em qualquer horário? A escola deve estar sempre aberta aos pais.
Há no mínimo uma professora para cada agrupamento de 6 a 8 crianças de 0 a 2 anos?
Há no mínimo uma professora para cada agrupamento de 15 crianças de 3 anos?
Há no mínimo uma professora para cada agrupamento de 20 crianças de 4 até 6 anos?
A supervisão constante é uma medida de proteção ativa, entretanto as medidas de proteção passivas que modificam o ambiente são muito mais eficazes.
Nunca deixar os bebês sozinhos em camas, sofás ou trocadores, mesmo que eles ainda não consigam rolar, pois não podemos prever quando irão adquirir essa capacidade.
Quando a criança conseguir ficar de pé no berço, observar se a altura da grade é suficiente para evitar que a criança caia por cima. Se não for, a criança deverá dormir na cama com grades laterais. Mas se ela não conseguir descer sozinha da cama colocar o colchão no chão.
Nunca utilizar o andador, que é o maior vilão das quedas por conferir agilidade e velocidade para uma criança que ainda não tem controle.
Os móveis não devem ter quinas pontiagudas, mas arredondadas ou com proteção.
As janelas devem ter grades ou telas de proteção. Manter os móveis afastados das janelas para evitar que as crianças as alcancem.
Tanques, eletrodomésticos como TVs e móveis de grandes dimensões devem ter fixação e apoio adequados para evitar que caiam sobre as crianças.
Ambiente com boa iluminação (seja natural ou artificial), piso antiderrapante, corrimão nas escadas, retirar os tapetes. Evitar asfalto, concreto ou superfícies rígidas em playgrounds, preferir areia.
Bloquear o acesso a lajes e escadas com portões e travas que as crianças não consigam abrir.
Brinquedos como bicicletas, patins e skate devem ser usados em locais fechados, longe do trânsito, com a supervisão de um adulto e sempre utilizando equipamentos de proteção (capacete, cotoveleiras e joelheiras) que embora não evitem os acidentes, diminuem a gravidade das lesões.
O termo hiperatividade se popularizou tanto que qualquer criança mais agitada é facilmente rotulada de hiperativa. Hiperatividade significa excesso de atividade, não necessariamente um transtorno.
Realmente algumas crianças são mais agitadas que as outras, mas a questão de ser normal ou não depende também da disposição dos pais e cuidadores para acompanhar o excesso de energia delas. Eles reclamam que a criança não dorme, mas na maioria das vezes ela não dorme o tanto que os pais gostariam. Especialmente ao adquirir marcha independente, a criança entra numa fase em que deseja explorar o mundo e se frustra diante da impossibilidade de fazer isso. Aliás, nesta fase da vida são comuns as birras. Deve-se então permitir que a criança brinque e gaste toda sua energia, tomando-se os devidos cuidados para evitar acidentes e impor limites.
Alguns dados sugestivos do Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) já podem estar presentes bem cedo, como o excesso de movimentação intra-utero, distúrbios de sono, irritabilidade acentuada diante de situações rotineiras como tomar banho, escovar os dentes, comportamento audacioso ou agressivo, impaciência, etc. Entretanto é importante ressaltar que os comportamentos descritos no TDAH, embora inadequados, são aceitáveis em determinada faixa etária. O diagnóstico só poderá ser confirmado se os sinais e sintomas persistirem até uma idade em que não são mais esperados, trazendo nítidos prejuízos na esfera social e no rendimento escolar. Os sintomas de hiperatividade e impulsividade podem diminuir com a idade e assim predominar os sintomas de desatenção.
Infelizmente, não existe nenhum exame rotineiro que confirme o diagnóstico de TDAH, o diagnóstico é puramente clínico baseado nos critérios diagnósticos definidos pelo DSM-IV. Não basta preencher questionários e apresentar todos os sintomas comumente listados, os sintomas precisam trazer algum prejuízo para a criança (não apenas para os pais e professores) e não podem ser explicados por nenhum outro transtorno mental ou do desenvolvimento. O diagnóstico definitivo e o tipo de tratamento, considerando-se os riscos e benefícios de uma medicação controlada, só podem ser definidos pelo médico.
A leitura é uma habilidade muito complexa que envolve a participação de várias estruturas cerebrais. Para que ela ocorra é necessário o processamento dos símbolos gráficos (visão), conversão grafema-fonema, entendimento do significado e também manter uma atenção sustentada.
O diagnóstico da dislexia é clínico e deve ser realizado por uma equipe multiprofissional. Nenhum profissional é capaz de realizar sozinho o diagnóstico de dislexia.
Na realização do diagnóstico deve-se utilizar procedimentos que possibilitem determinar o nível funcional da leitura, a extensão da deficiência, seu potencial e capacidade. O fonoaudiólogo utiliza uma bateria de testes e jogos de palavras reais e inventadas.
Uma intervenção bem sucedida depende de uma avaliação criteriosa e multidisciplinar (neurologia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia ou psicopedagogia, oftalmologia, otorrinolaringologia). Outros fatores deverão ser descartados, como problemas afetivos anteriores ao fracasso escolar, déficit intelectual, deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais congênitas e adquiridas.
Alguns aspectos devem ser observados para se realizar o diagnóstico de dislexia:
Quanto ao tratamento, somente uma abordagem multiprofissional, que envolva a família, a escola e a criança, pode fazer com que as dificuldades cognitivo-lingüísticas da criança sejam superadas. O objetivo é desenvolver estratégias que possibilitem a melhora nas tarefas escolares que exigem leitura e escrita.
Os pais dão muita importância e geralmente sabem o peso e estatura de seus filhos, mas quase nunca lembram a medida do perímetro cefálico. Muitos pediatras também se preocupam excessivamente com a idade de fechamento da fontanela (“moleira”), sendo que este não é o dado mais importante. O fechamento antes ou depois da idade média esperada não terá significado clínico se o perímetro cefálico estiver crescendo adequadamente. Uma boa puericultura deve incluir a medida do perímetro cefálico. E não basta uma medida isolada, o mais importante é o ritmo de crescimento do perímetro cefálico. Assim como para o peso e estatura existem curvas padronizadas para acompanhar o crescimento do perímetro cefálico.
Algumas crianças têm medidas de perímetro cefálico abaixo ou acima do esperado para sua idade, mas isso poderá ser normal, principalmente quando for proporcional ao peso e estatura (micro e macrocrania constitucionais). A medida do perímetro cefálico dos pais também auxilia neste diagnóstico.
A microcefalia (cabeça pequena) pode ocorrer em várias síndromes genéticas.
A Síndrome Fetal alcoólica que decorre do uso abusivo de álcool na gestação, entre outras características, também cursa com microcefalia.
A macrocefalia (cabeça grande) pode ser devido à hidrocefalia, aumento do espaço subaracnóideo, tumores cerebrais, doenças genéticas e metabólicas (por exemplo, mucopolissacaridoses, acidúria glutárica tipo I, doença de Canavan, doença de Alexander, doença de Van der Knaap).
O líquor é um líquido que banha todo o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Ele preenche os ventrículos e circula por todos espaços cerebrais; é constantemente produzido e absorvido pelo organismo. A hidrocefalia é caracterizada pelo acúmulo anormal desse líquido na cabeça com dilatação dos ventrículos cerebrais. Ela pode ocorrer por aumento na produção, diminuição da absorção ou obstrução na circulação do líqüor. A hidrocefalia pode ser congênita, presente antes mesmo do nascimento, ou adquirida (por exemplo, por tumores). Nesse caso pode haver obstrução do escoamento do líqüor pelo próprio tumor, mas também existem tumores que produzem líqüor em quantidade aumentada (tumores do plexo coróide).
Portanto, quando o pediatra detectar um crescimento fora do habitual, deverá encaminhar a criança para avaliação especializada.
Presenciar uma crise convulsiva é algo que impressiona a maioria das pessoas. Para quem assiste é importante, acima de tudo, manter a calma e ter consciência de que não "pega". Conheça abaixo algumas medidas práticas:
Quando a dor de cabeça for a mais intensa que a pessoa já teve, for acompanhada de sinais neurológicos como dormência ou diminuição da força em um lado do corpo, visão dupla ou sintomas como febre alta, pescoço duro, vômitos "em jato" (súbitos e sem enjôo) , quando mudar de características, piorar progressivamente em freqüência ou intensidade, apresentar sinais e sintomas que antes não ocorriam, acordar durante noite por causa da dor, consumir analgésicos mais de uma vez por semana ou a dor não melhorar com os analgésicos comuns.
É muito difundido que "não pode deixar a criança dormir depois que bate a cabeça", entretanto a sonolência já pode ser um sinal de alteração da consciência e evitar que a criança durma não modifica a evolução do quadro. Quanto ao nível de consciência, a criança pode estar alerta, acordar ao chamado ou com outro barulho, com o toque, com um estímulo doloroso ou não acordar com qualquer estímulo. Aqui, cessado o estímulo a criança volta a dormir logo em seguida e quanto maior for o estímulo necessário para acordar a criança maior é o grau de comprometimento da consciência. Assim, se houver sonolência a criança deverá ser levada imediatamente a um serviço de urgência. Se o trauma acontecer à noite, os pais deverão acordar a criança algumas vezes e conversar com ela para ver se está consciente.
No local da batida pode aplicar gelo, mas o importante é saber que o inchaço vai desaparecer espontaneamente. Ele pode até mudar de lugar de um dia para o outro dependendo da posição que a criança dormir e também pode mudar de cor à medida que for sendo absorvido.
Se houver algum dos sinais de alerta descritos na resposta acima ou em caso de dúvida a criança deverá ser levada ao serviço de urgência mais próximo. Deverá permanecer internada se não houver um acompanhante confiável para observá-la no domicílio ou na impossibilidade de retornar rapidamente ao hospital se for necessário.
Pequenos traumas na cabeça são freqüentes na infância por causa do excesso de atividade física natural desta faixa etária. Os pais se preocupam excessivamente com aquele inchaço local, mais conhecido como "galo", que muitas vezes assusta, mas é um sinal externo (da pele, tecido subcutâneo e couro cabeludo). É comum a criança ficar "molinha" imediatamente após a queda ou pancada por causa do susto, mas se em poucos minutos ela estiver conversando, movimentando e brincando normalmente, a chance de alguma lesão cerebral mais grave é pequena. Existe uma situação, conhecida como intervalo lúcido, em que a pessoa tem uma perda de consciência logo após o trauma, fica bem por algumas horas e depois rapidamente deteriora o nível de consciência, isso acontece num tipo de coágulo intracraniano chamado hematoma extradural. A fratura de crânio também pode ocorrer na criança completamente assintomática, mas terá boa evolução se for isolada, sem lesão cerebral ou da dura-mater (membrana que envolve o cérebro). As lesões intracranianas podem localizadas (por exemplo, coágulo) ou difusas (por exemplo, o inchaço cerebral). Os seguintes sinais são alerta para lesão intracraniana:
Estas orientações foram escritas pela Drª. Fernanda Minafra.
As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.
Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.
A rinite é a inflamação da mucosa nasal, manifestando-se por um ou mais dos seguintes sintomas: espirro, coriza, prurido (coceira) e congestão nasal. É importante esclarecer que nem sempre os sintomas da rinite são decorrentes de exposição a alérgenos. Dentre outras causas desses sintomas, podemos citar infecções (p.ex: por virus, como Influenza); uso de medicamentos (rinite medicamentosa, principalmente decorrente do uso indiscriminado de descongestionantes nasais tópicos); obstrução anatômica, que pode ocorrer em casos de desvio de septo ou pela presença de pólipos nasais; e corpo estranho nas narinas, este mais comum em crianças.
O alergista deve definir se o paciente apresenta rinite alérgica através do quadro clinico e da investigação dos fatores desencadeantes. Com a ajuda de testes alérgicos, pode-se definir a causa principal e otimizar o tratamento.
No nosso meio, os ácaros (presentes na poeira) são identificados como os principais agentes desencadeantes dos sintomas de rinite alérgica, mas também têm grande importância alguns tipos de fungos (mofo), baratas e descamação de epitélios de animais, principalmente cão e gato.
Perfumes e outras substâncias com odores fortes (produtos do petróleo, solventes orgânicos, fumo) têm efeito irritativo, podendo desencadear sintomas em pacientes com rinite não-alérgica e exacerbar os sintomas nos pacientes com rinite alérgica.
Podem-se realizar testes específicos com alérgenos (ácaros, fungos, barata, epitélio de cão e gato, por exemplo), mas não existem testes alérgicos para agentes irritativos (perfume, fumo, fumaça de carros).
A Imunoterapia também é conhecida como vacina contra alérgenos. É uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico. É realizada a administração do alérgeno, ao qual o paciente é sensível, em concentrações gradualmente crescentes, com o objetivo de criar tolerância a estímulos alérgicos. Consequentemente há uma melhora dos sintomas e da qualidade de vida. Tais vacinas podem ser administradas por via oral ou subcutânea, entretanto os estudos até o momento mostram eficácia comprovada principalmente com as vacinas aplicadas por via subcutânea.
A Imunoterapia está indicada para o tratamento de doenças alérgicas, principalmente em rinite, asma e alergia a picada de insetos (formiga, abelha, vespa). Pode estar indicada também em alguns casos de conjuntivite alérgica não responsiva ao tratamento farmacológico. Até o momento, não há indicação em asma grave, dermatite atópica ou alergia alimentar.
Dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por ressecamento da pele, prurido extremo, descamação e formação de crostas. Pode apresentar períodos de melhora e recidiva e sua localização varia de acordo com a idade do paciente. Em lactentes é mais comum na face, pescoço e superfícies extensoras de braços e pernas. Em crianças maiores as lesões ocorrem nas superfícies flexoras, pescoço, mãos e pés. Os adultos podem ter mais acometimento das mãos e pode haver associação com a atividade ocupacional.
Sabões, detergentes, água muito quente, amaciantes de tecido, tempo muito frio, suor podem ser desencadeantes ou agravantes de lesões de dermatite atópica, pois causam ressecamento da pele e podem ter ação irritativa.
Imunodeficiência é uma disfunção do sistema imunológico, que tem como conseqüência a incapacidade de se estabelecer uma resposta a antígenos (ex: bactérias ou vírus). Há várias partes do sistema imunológico que podem ser afetadas e as manifestações dependem de onde está essa desordem. As imunodeficiências resultam em uma maior suscetibilidade a infecções e certos tipos de câncer.
Quando hereditárias, elas são chamadas de Imunodeficiências Primárias. No entanto, podem surgir como resultado de uma doença, como a infecção pelo HIV ou ser secundária a drogas (imunosupressão), como no tratamento de doenças auto-imunes ou na prevenção contra a rejeição de um transplante de órgãos, então chamadas Imunodeficiências Adquiridas.
Existem 10 sinais de alerta para Imunodeficiências Primárias (IDP) que foram estabelecidas pela Fundação Jeffrey Modell para orientar quais são os pacientes que devem ser pesquisados para IDP. São eles:
Se seu filho apresenta qualquer um desses sinais, procure um Imunologista.
Dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por ressecamento da pele, prurido (coceira) extremo, descamação e formação de crostas. Pode apresentar períodos de melhora e recaídas, e sua localização varia de acordo com a idade do paciente. Em lactentes, é mais comum na face, pescoço e superfícies extensoras de braços e pernas. Em crianças maiores, as lesões ocorrem nas superfícies flexoras, pescoço, mãos e pés. Os adultos podem ter mais acometimento das mãos e pode haver associação com a atividade ocupacional.
Sabões, detergentes, água muito quente, amaciantes de tecido, tempo muito frio e suor podem ser desencadeantes ou agravantes de lesões de dermatite atópica, pois causam ressecamento da pele e podem ter ação irritativa.
Asma é uma doença respiratória secundária a uma inflamação crônica das vias aéreas do pulmão, onde o fluxo de ar fica limitado e isso gera sintomas como dificuldade respiratória, falta de ar, “chieira”, tosse. Essa inflamação torna as vias aéreas mais sensíveis a alérgenos, irritantes como fumaça, frio, etc. Cerca de 20% a 30% dos brasileiros sofrem dessa doença (principalmente as crianças), a qual apresenta grande característica genética. A asma é a terceira enfermidade que mais causa hospitalização.
Um erro comum é o tratamento apenas durante as crises. Mas, dependendo da gravidade da mesma, os tratamentos preventivos são essenciais para que seus filhos cresçam e tenham uma melhor qualidade de vida.
Antigamente, a asma era chamada de bronquite, bronquite alérgica ou bronquite asmática. O nome asma estava vinculado aos casos mais graves. O nome correto é simplesmente ASMA.
O principal objetivo do tratamento é reduzir o número de crises, os sintomas diários e a progressão da doença.
Os broncodilatadores são usados com ótima resposta em crises leves. Mas, diante de uma crise mais grave, pode ser necessário o uso de corticóide e, até mesmo, oxigênio.
A medida inicial a ser tomada é o controle ambiental, assim como orientado na Rinite. O tratamento medicamentoso é prescrito de acordo com a gravidade da asma.
O tratamento de sintomas apenas durante as crises só é indicado em pacientes com asma leve, mas em casos de asma moderada e grave também se indica o uso de medicamentos de uso contínuo para a prevenção das mesmas.
Pode-se lançar mão da imunoterapia em alguns casos específicos. Mas deve ser administrada por especialistas treinados. E tem o objetivo de diminuir a hipersensibilidade do paciente alérgico a um determinado alérgeno, reduzindo a frequência e a gravidade das crises. Consequentemente, com melhora da qualidade de vida dos pacientes asmáticos.
É extremamente comum os bebês apresentarem quadro de sibilos ou “chieira” nos primeiros 12 a 18 meses de vida. Geralmente esse quadro ocorre diante de uma infecção aguda viral (gripe) que leva a uma hiperresponsividade do pulmão. Nesses casos, a doença é auto-limitada. No entando, um número significativo dos bebês continua a apresentar crises de “chieira” associada ou não a quadros gripais. Esses lactentes não serão, necessariamente, asmáticos no futuro. São os chamados “bebê chiadores”.
Convém lembrar também que algumas crianças asmáticas podem ter sua primeira crise de asma no primeiro ano de vida. Tanto para o “bebê chiador”, quanto para o asmático, é necessário um acompanhamento especializado para ser realizado o diagnóstico correto e melhor conduta em cada caso.
Alergia é uma reação anormal do sistema imunológico a substâncias (antígenos) aparentemente inocentes, que, quando em contato com o organismo (seja ingeridas, inaladas ou por contato com a pele), podem desencadear uma maior irritabilidade.
Os principais tipos de manifestações alérgicas são asma, rinite, alergia alimentar e a dermatite (saiba mais sobre cada uma delas abaixo). As pessoas que apresentam essa maior sensibilidade são chamadas de alérgicas ou atópicas. E as substâncias capazes de desencadear alergias são os alérgenos.
Para desencadear alergia é preciso uma combinação entre predisposição genética da pessoa + um ambiente que favoreça seu aparecimento.
O tratamento de doenças alérgicas é baseado no controle ambiental, no uso correto das medicações e na imunoterapia. Cada um desses tem suas indicações, sendo o primeiro o mais importante deles. Seguindo corretamente as orientações do seu alergista, muito provavelmente você obterá sucesso no tratamento.
A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são duas condições clínicas diferentes, que não devem ser confundidas pelos pais, embora frequentemente isso aconteça.
Deve-se ser cauteloso com o diagnóstico de alergia ao leite de vaca, pois se cria um estigma devido à importante alteração na dieta das crianças.
A alergia ao leite de vaca é decorrente de uma resposta imunológica do intestino às proteínas do leite de vaca, que são reconhecidas como substâncias estranhas ao organismo, desencadeando a produção de anticorpos. Pode ser caracterizada por sintomas gastrointestinais, respiratórios e/ou dermatológicos. São eles: vômitos, diarréia, sangramento intestinal, constipação intestinal, cólicas, irritabilidade, anemia, dificuldade de ganho de peso, asma, otite, urticária, etc.
Para o diagnóstico, podem ser utilizados alguns testes laboratoriais e testes alérgicos cutâneos. No entanto, estes podem ser negativos, mesmo em reações alérgicas intensas. Em alguns casos, é necessária a realização de biópsia intestinal. Na verdade, a forma mais comum de fazer o diagnóstico é o teste terapêutico, através da utilização de fórmulas lácteas consideradas hipoalergênicas.
Em alguns casos de alergia à proteína do leite de vaca, a soja pode ser indicada, mas existem outras situações em que há reações “cruzadas” com outros alimentos. Portanto, para cada situação, há uma orientação alimentar específica. É importante ressaltar que o leite de cabra não é uma opção terapêutica para alergia ao leite de vaca. Além disso, é essecial a suspensão de todos os derivados do leite de vaca da dieta do paciente, lembrando que a alergia é um processo qualitativo e independe da quantidade da substância ingerida, ou seja, pequenas quantidades de leite de vaca ou seus derivados podem desencadear as mesmas reações alérgicas.
A intolerância à lactose caracteriza-se por uma deficiência de uma enzima chamada lactase (produzida no intestino), responsável pela digestão da lactose, que é um açúcar presente no leite de vaca e seus derivados.
Sem a enzima lactase ou com pouca lactase no intestino, o açúcar lactose pode não ser bem digerido e é fermentado pelas bactérias habitantes do intestino grosso, "puxando a água" e levando à diarréia e à maior produção de gases (cólica, desconforto ou distensão abdominal).
A intolerância à lactose pode ser primária ou congênita, na qual ocorre ausência total ou parcial da produção de lactase. O mais comum, no entanto, é que ocorra a diminuição gradativa da lactase no decorrer da infância, mantendo-se uma pequena produção da enzima em proporções variáveis, quando a criança (ou o adulto) é capaz de tolerar menores quantidades dos produtos que contém leite de vaca e derivados. O tratamento é realizado através da utilização de fórmulas lácteas à base de leite de vaca que não contenham lactose, ou através de fórmulas de soja. Para os indivíduos com intolerância parcial à lactose, existem leites com baixa lactose. É possível também, para os amantes incondicionais do leite, a ingestão da lactase.
Estas orientações foram escritas pelo Dr Rafael Mantovani.
As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.
Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.
A hiperplasia congênita das supra-renais é uma doença genética, causada por uma deficiência enzimática, levando à deficiência do cortisol e o conseqüente acúmulo dos seus precursores (hormônios androgênicos).
A sua forma mais comum é causada pela deficiência da enzima 21-hidroxilase, responsável por até 95% dos casos. Destaca-se ainda a forma perdedora de sal (75% dos casos), o que confere à doença um caráter emergencial para diagnóstico e tratamento.
O diagnóstico precoce da doença é fundamental para se evitar as graves consequëncias metabólicas e psicológicas.
O diagnóstico é realizado pelo exame clínico e pela dosagem de hormônios específicos (17-OH-Progesterona, androstenediona e testosterona), que se encontram persistentemente elevados.
Geralmente, as meninas têm seu diagnóstico realizado ainda no hospital, logo ao nascimento, pois apresentam ambigüidade genital. No entanto, casos leves da doença podem passar despercebidos, sendo diagnosticados tardiamente. Da mesma forma, os casos graves, que cursam com uma virilização intensa, também podem não ser identificados precocemente, pois o aspecto masculino da genitália pode induzir a classificação da criança como do sexo masculino.
Os meninos compõem um grupo de risco para o sub-diagnóstico da doença, já que não apresentam sinais precoces de virilização, que poderiam induzir a uma investigação ao nascimento. Muitas fezes morrem com um quadro de vômitos e desidratação sem que haja um diagnóstico.
A perda de sal geralmente se manifesta a partir da 2a semana de vida, com vômitos, desidratação, perda de peso e risco iminente de morte. Os exames laboratoriais mostram alterações hidroeletrolíticas, como perda de sódio e acúmulo de potássio.
Em longo prazo, caso não haja tratamento adequado, a doença pode provocar o fechamento precoce das cartilagens de crescimento, levando à baixa estatura, além da virilização corporal (excesso de pêlos, virilização da genitália, voz grave, hipertrofia muscular etc), alterações da puberdade e distúrbios de fertilidade. As conseqüências psicológicas nesses casos são desastrosas.
O tratamento envolve a reposição dos hormônios deficientes (hidrocortisona e fludrocortisona), apoio psicológico e correção cirúrgica da genitália, nos casos necessários. O objetivo do tratamento é reestabelecer um balanço hormonal fisiológico, evitando-se a desidratação e o excesso de hormônios androgênicos. Assim, a criança e o adolescente poderão levar uma vida normal, com crescimento e desenvolvimento adequados.
O endocrinologista pediátrico é o profissional habilitado a identificar e tratar as crianças com hiperplasia congênita das supra-renais. A participação de uma equipe multi-disciplinar (enfermeiro, assistente social, psicólogo, cirurgião pediátrico, endocrinologista pediátrico e pediatra) e o envolvimento da família no tratamento são fundamentais para o controle da doença.
As crianças crescem de forma diferente, durante as fases do seu desenvolvimento. No primeiro ano de vida, fase de maior crescimento de um indivíduo, um lactente cresce em média 25 cm! A partir daí, o crescimento desacelera-se progressivamente, voltando a aumentar na puberdade (“estirão puberal”). Os gráficos de crescimento são ferramentas muito úteis nessa avaliação, já que permitem a visualização das variações da estatura, geralmente os dados mais importantes na avaliação de um provável distúrbio. As grandes variações do crescimento, tanto para mais, quanto para menos, devem ser investigadas, pois podem representar algum problema de saúde, dentre os quais:
Considera-se como baixa a criança cuja estatura encontra-se abaixo da esperada para as crianças da mesma idade e sexo. O fato nem sempre representa um problema de saúde, especialmente se os pais da criança também apresentam altura abaixo da média da população. Para a avaliação inicial, utiliza-se um gráfico de crescimento de uma população de referência (clique aqui)
Em algumas situações, a criança, apesar de apresentar estatura semelhante à da população, está abaixo do esperado para a sua família. Nesse caso, considera-se que a criança está abaixo do esperado para o seu potencial genético.
Um dado de grande importância para a avaliação estatural é a velocidade de crescimento. Uma criança cuja velocidade de crescimento está baixa, mesmo que apresente estatura normal, deve ser avaliada por um Endocrinologista Pediátrico.
A "idade óssea" é um exame radiográfico da mão e do punho não dominantes, que pode ser empregado em ambos os sexos, para se avaliar o grau de amadurecimento dos ossos. Os métodos mais classicamente empregados são os de Greulich & Pyle e de Tanner & Withehouse.
A partir da idade óssea, pode-se ter uma melhor idéia do tempo que ainda resta para uma criança ou adolescente crescerem. A maturação esquelética pode ser diferente da idade cronológica, nem sempre representando um problema de saúde. O exame geralmente é parte da avaliação do crescimento e desenvolvimento sexual.
Para a avaliação da radiografia da mão e do punho, o radiologista e o endocrinologista analisam o número de ossos presentes, o formato desses ossos e o espaço entre os mesmos. Após a avaliação de todos esses dados, então é realizado um laudo que mostra a "idade biológica" do indivíduo.
A idade óssea é considerada atrasada quando há uma diferença de 1,5 a 2 anos em relação à idade cronológica. Em uma criança saudável, isso indica que ela apresentará o início da puberdade mais tardio, portanto, também o estirão puberal (a fase de maior crescimento) e terminará o seu crescimento numa idade mais avançada. Geralmente há uma história familar semelhante (a mãe que menstruou mais tarde ou o pai que após se alistar no exército ainda continuou crescendo, por exemplo). Na grande maioria das vezes, o adolescente atingirá o seu potencial de crescimento, pois há espaço entre as placas de crescimento.
Caso a idade óssea esteja atrasada além de 2 anos em relação à idade cronológica, deve-se avaliar se há algum problema de saúde que esteja interferindo no crescimento e desenvolvimento da criança ou adolescente. A avaliação pelo Endocrinologista Pediátrico deverá ser então realizada.
Também é uma situação que demanda atenção quando há aumento da velocidade de crescimento e a idade óssea está adiantada em relação à cronológica. Um exemplo disso seria o quadro de puberdade precoce, que pode levar a consequências irreversíveis à estatura caso não seja tratado a tempo.
A idade ósse é considerada atrasada quando há uma diferença de 1,5 a 2 anos em relação à idade cronológica. Em uma criança saudável, isso indica que ela apresentará o início da puberdade mais tarde, portanto, também o estirão puberal (a fase de maior crescimento) e terminará o seu crescimento numa idade mais avançada. Geralmente há uma história familar semelhante (a mãe que menstruou mais tarde ou o pai que após se alistar no exército ainda continuou crescendo, por exemplo). Na grande maioria das vezes, o adolescente atingirá o seu potencial de crescimento, pois há espaço entre as placas de crescimento.
Caso a idade óssea esteja atrasada além de 2 anos em relação à idade cronológica, deve-se avaliar se há algum problema de saúde que possa interferir no crescimento e desenvolvimento da criança ou adolescente. A avaliação do pediatra e, se necessário, do Endocrinologista Pediátrico, deverá ser realizada.
O material aqui disponível é fruto de um trabalho iniciado em 1997 pela Organização Mundial da saúde, para o desenvolvimento de gráficos e curvas para a avaliação do crescimento, do estado nutricional e o desenvolvimento motor de crianças e adolescentes.
O estudo contou com a participação de vários centros em todo o mundo, incluindo o Brasil, Gana, Índia, Noruega, Oman e os Estados Unidos, de modo a representar as seis principais regiões geográficas do mundo. No Brasil, o estudo contou com o apoio do Ministério da Saúde.
A característica mais marcante dessas curvas é o fato de terem sido construídas com crianças em aleitamento materno até os 4 meses e por terem como critérios de inclusão um conjunto de fatores que favorecem o pleno desenvolvimento de suas potencialidades de crescimento.
As curvas, assim como a descrição completa da metodologia de sua construção, estão disponíveis para download nos endereços:
http://www.who.int/childgrowth/en
http://www.who.int/childgrowth/standards/en
Para facilitar o seu trabalho, a Mon Petit disponibiliza aqui as principais curvas da OMS, para download e impressão. As curvas representam os percentis por idade e sexo, para comprimento/estatura, peso, perímetro cefálico e índice de massa corporal.
É necessária a instalação prévia do programa Acrobat Reader, para a leitura dos arquivos em PDF.
Quando as crianças nascem, são classificadas na maternidade com base no seu peso e estatura de acordo com a idade gestacional. Tal classificação permite identificar recém-nascidos com maior risco de complicações neonatais imediatas, como hipoglicemia, icterícia, infecções, etc.
Nos últimos anos, o avanço dos cuidados neonatais tem permitido uma maior sobrevivência de crianças nascidas prematuras e com baixo peso. Estima-se que cerca de 3% das crianças nascidas vivas sejam pequenas para a idade gestacional (PIG). Dessas, a grande maioria efetua um crescimento de recuperação (catch up) antes dos 2 anos de idade. No entanto, sem nenhum tratamento, aproximadamente 10% dos PIG permanecerão baixos, formando uma grande parcela dos adultos (cerca de 20%) com estatura inferior ao percentil 3 em relação à população de referência.
As crianças nascidas PIG podem ainda apresentar um maior risco de alterações da composição corporal, da puberdade, atraso do desenvolvimento neuro-motor e transtornos da aprendizagem, pubarca prematura, hiperandrogenismo ovárico e desenvolvimento da síndrome metabólica.
Dessa forma, o acompanhamento do seu crescimento e desenvolvimento torna-se peça fundamental para a detecção das crianças sob maior risco de problemas associados à prematuridade e ao baixo peso ao nascer e então para uma intervenção médica precoce, por medidas preventivas ou terapêuticas.
O endocrinologista pediátrico desempenha um importante papel no acompanhamento dessas crianças. Ele é o profissional habilitado para a identificação precoce e tratamento dos distúrbios do crescimento, da puberdade e do metabolismo glicêmico que essas crianças muitas vezes apresentam.
O hormônio de crescimento humano (GH) é classicamente administrado na infância para o tratamento da baixa estatura relacionada à deficiência de GH, Síndrome de Turner e insuficiência renal crônica. O emprego do GH para aumentar a estatura de crianças nascidas PIG foi recentemente aprovado nos Estados Unidos, em 2001, e na Europa, em 2003.
Os objetivos do tratamento das crianças PIG com GH são de recuperar seu crescimento o mais cedo possível, a manutenção do crescimento normal na infância e adolescência e adquirir uma estatura adulta dentro da normalidade, reduzindo o risco de alterações psicológicas secundárias a uma altura patológica.
Em 2006, durante um Fellowship clínico no Hospital Infantil Universitário Niño Jesús, em Madri (Espanha), adquiri experiência no tratamento com GH das crianças nascidas PIG. Mensalmente, dezenas de crianças eram acompanhadas por nossa equipe, um time de especialistas que envolvia o trabalho de endocrinologistas pediátricos, psicólogos, nutricionistas e enfermeiros. Pude ver pessoalmente como o GH melhorou a estatura e a auto-estima das crianças e adolescentes em tratamento. Além disso, o tratamento mostrou-se seguro e bem tolerado, o que é confirmado por vários estudos clínicos.
O acompanhamento do tratamento com GH das crianças nascidas PIG deve ser feito exclusivamente pelo especialista em Endocrinologia Pediátrica, pois envolve a avaliação rigorosa do crescimento, dosagens hormonais periódicas e, freqüentemente, a mudança de dose do GH.
Para se classificar as crianças de acordo com o peso e comprimento para a idade gestacional, deve-se usar gráficos apropriados. As curvas de Usher & McLean, de 1969, são as mais utilizadas no Brasil, assim como em vários países. As crianças são consideradas PIG quando seu peso e/ou comprimento estão abaixo do percentil 3, ou seja, menos 2 desvios-padrão (DP).
Clique aqui para fazer o download e impressão das curvas de peso e comprimento de acordo com o sexo e idade gestacional. É necessária a instalação prévia do programa Acrobat Reader, para a leitura dos arquivos em PDF.
Não.
Apesar de haver uma maior secreção do hormônio de crescimento durante a noite, o aumento das horas de sono não se relaciona a um maior crescimento.
A boa saúde do sono deve ser estimulada em todas as faixas etárias, especialmente na infância, de forma a prover todas as condições para um crescimento saudável.
Não.
O fato de haver mais jogadores altos praticando esportes como basquete e vôlei é explicado pela seleção de atletas de maior rendimento devido à sua estatura.
A prática de atividades físicas deve ser estimulada em todas as idades, pois além dos benefícios relacionados ao risco cardiovascular, promove a socialização dos jovens, com melhora da sua auto-estima e bem-estar. As atividades devem ser divertidas, adequadas à idade e direcionadas ao interesse e condições das crianças e adolescentes.
Não.
A seleção das crianças candidatas ao uso do hormônio de crescimento (GH, do inglês growth hormone) é um processo complexo, dependente de uma rigorosa avaliação clínica, que envolve dados do nascimento, da infância e da família, do exame físico, dentre outras questões. Os testes específicos para a avaliação hormonal devem ser solicitados pelo Endocrinologista Pediátrico nas situações em que são suspeitadas endocrinopatias, como a deficiência do hormônio de crescimento.
No Brasil, o uso do GH é liberado para o tratamento da deficiência do hormônio do crescimento (isolada ou associada a outras deficiências hormonais), assim como na síndrome de Turner, na insuficiência renal crônica, na baixa estatura das crianças nascidas pequenas para a idade gestacional e na baixa estatura idiopática. Esse último grupo compreende as crianças e adolescentes nas quais não se encontrou uma justificativa para seu déficit estatural, após a realização de extensa avaliação diagnóstica.
Considera-se como hipoglicemia o valor de glicemia abaixo de 70 mg/dL. O tratamento intensivo com insulina, ou seja, com múltiplas aplicações diárias, geralmente é acompanhado de alguns episódios de hipoglicemia, que, na maioria das vezes, são assintomáticos ou com sinais e sintomas leves.
O reconhecimento e o tratamento precoces da hipoglicemia deve ser realizado especialmente nos grupos de maior risco de sequelas neurológicas, como as crianças pequenas. Para tal, atenção deve ser dada à monitorização glicêmica tanto pré-prandial, como pós-alimentação. E nos casos de atividade física, monitorização durante e após o exercício. É importante lembrar que a hipoglicemia pode ocorrer muitas horas após o exercício físico.
Os sinais e sintomas incluem:
A hipoglicemia leve/moderada, com sintomas ou não, deve ser tratada simplesmente com a ingestão de carboidratos simples (20 gramas ou mais). Deve-se dar preferência a alimentos de fácil digestão, como líquidos contendo glicose. A seguir, repete-se a glicemia em cerca de 30 minutos e, a partir daí, segundo a necessidade. Após a rápida melhora, é desejável que o paciente faça a ingestão de maior quantidade de carboiratos complexos.
A hipoglicemia grave, caracterizada pelo rebaixamento da consciência e, portanto, pela incapacidade do paciente em se tratar, deve ser tratada com soluções parenterais (intra-musculares ou endovenosas). É aconselhável que todo paciente diabético tenha disponível um kit de glucagon para uso intra-muscular nessa situação. Nos casos graves, em casa, a administração do glucagon é a primeira opção, já que a ingestão de açúcar ou outros alimentos é contra-indicada (pelo risco de aspiração pulmonar). Após a adiminstração do glucagon, o diabético deverá se alimentar e manter maior monitorização glicêmica. Aquele paciente com hipoglicemia e que não tem o glucagon deverá ser conduzido imediatamente ao hospital, para receber solução glicosada endovenosa.
O sistema de infusão contínua de insulina, ou "bomba de insulina", foi criado para resolver duas das questões mais importantes do tratamento do diabetes: conforto e segurança. Uma de suas principais indicações, além da questão da comodidade, é o tratamento de crianças que apresentam uma maior sensibilidade à insulina (como os lactentes e crianças mais jovens), com maior risco de hipoglicemia grave.
As bombas de insulina são computadores em miniatura. Do tamanho de um pager, podem ser usados no cinto ou no bolso. A bomba envia uma quantidade medida e constante de insulina através de um tubo plástico flexível para uma pequena agulha que fica inserida na pele. Ao comando do paciente, a bomba também pode injetar doses extras de insulina (em bólus), caso necessário, como logo antes das refeições. Pode-se ainda pré-determinar diferentes dosagens da infusão contínua de insulina ao longo do dia, dependendo da idade e do metabolismo do paciente.
O equipamento tem um sistema de alarme, caso haja algum problema técnico, como entupimento do catéter, desconexão ou pilha fraca.
Apesar de promover um tratamento menos incômodo, sem as múltiplas aplicações subcutâneas de insulina, a bomba de insulina não dispensa um dos principais princípios da terapia diabética: a auto-monitorização. A glicemia capilar deverá ser realizada da mesma forma que no tratamento convencional, pois permite um ajuste de dose adequado.
O equipamento custa aproximadamente R$10.000,00 e ainda é preciso uma manutenção mensal de aproximadamente R$ 700, incluindo a insulina, os conjuntos de infusão e os suprimentos para exame de sangue. Além disso, a realização de um treinamento prévio é indispensável (fornecido gratuitamente pelos fabricantes), com equipe multi-disciplinar, de forma a prevenir o seu mau uso e como conseqüência o descontrole metabólico.
O diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção de insulina, na sua ação ou ambos.
O diabetes mellitus tipo 1 aparece como resultado de uma destruição das células beta produtoras de insulina, por uma resposta auto-imune. Este tipo de reação também ocorre em outras doenças, como Lupus, esclerose múltipla e doenças da tireóide.
A única fonte de insulina do organismo, as células beta, vão diminuindo em quantidade, já que não ocorre regeneração significativa para compensar sua perda. Assim, o diabetes tipo 1 é caracterizado por uma destruição seletiva e quantitativa de células beta.
Já o diabetes tipo 2 ocorre porque o corpo cria uma resistência à insulina, dificultando sua ação de baixar os níveis glicêmicos. Geralmente acomete as pessoas mais velhas e com sobrepeso. No entanto, na última década, a incidência de diabetes tipo 2 tem aumentado muito na faixa etária pediátrica.
Quando nos alimentamos, o pâncreas libera uma quantidade maior de insulina para permitir que a glicose que consumimos durante a refeição sirva como fonte de energia para o organismo, mantendo os níveis de açúcar no sangue dentro da normalidade.
A insulina é um hormônio que age transportando a glicose do sangue (absorvida da alimentação) para dentro da célula, para que sirva como fonte de energia. Trata-se de um hormônio essencial para a sobrevivência do organismo.
Pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem apresentar:
O diagnóstico é realizado com base na história e nos sintomas clínicos – emagrecimento, hálito cetônico, desidratação, etc. Exames laboratoriais são essenciais para a sua confirmação. Segundo os critérios da Associação Americana de Diabetes (ADA) e da Sociedade Internacional para o Diabetes na Infância e Adolescência (ISPAD), o diagnóstico é confirmado quando a glicemia de jejum é ≥ 126 mg/dl (confirmada por uma segunda medida), ou quando uma medida casual da glicemia é ≥ 200 mg/dl, associada a sinais e sintomas sugestivos da doença. Nos casos duvidosos, um teste de sobrecarga com dextrosol pode ser solicitado pelo médico.
A dosagem de anticorpos específicos, principalmente nos casos com dificuldade de diferenciação entre diabetes tipo 1 e 2, pode ser de grande utilidade.
O tratamento do diabetes tipo 1, na maioria dos casos, consiste na aplicação diária de insulina, uma vez que o organismo não produz mais o hormônio, além da prática regular de exercícios físicos e uma alimentação balanceada e disciplinada.
A quantidade de insulina necessária dependerá do nível glicêmico. Naturalmente, o controle da alimentação também é muito importante. Os métodos mais atuais de tratamento aliam a dosagem de insulina para uma quantidade pré-determinada de carboidratos da dieta, a chamada “contagem de carboidratos”. Exercícios físicos regulares são essenciais ao tratamento, pois ajudam a manter um melhor controle glicêmico, assim, diminuindo a necessidade de insulina.
Existem diferentes tipos de preparação de insulina, as quais se distinguem pela velocidade com que são absorvidas do tecido subcutâneo para o sangue (início da ação) e pela duração da sua ação.
Após ter o diabetes diagnosticado e iniciado o tratamento, é importante considerar alguns assuntos:
Para se atingir esses objetivos, é preciso aprender a cuidar do diabetes. E a auto-monitorização (controle domiciliar), testes simples e rápidos para a avaliação dos níveis de glicemia (glicose no sangue) e cetonúria (cetonas na urina), têm papel fundamental neste processo.
A realização da cetonúria ojetiva identificar a deficiência de insulina, quando então o organismo lança mão da queima de gorduras para tentar obter a energia que não foi conseguida com a utilização de glicose. Formam-se, então, os corpos cetônicos (responsáveis pelo hálito cetônico ou de maçã), que são excretados pela urina e sinalizam que o diabetes já está bastante descontrolado.
A presença de cetonas na urina é um sinal de alarme, indicativo que a situação metabólica está fora de controle. Por isso é preciso entrar em contato com o Endocrinologista Pediátrico, para a avaliação e conduta necessária. É recomendável que a cetonúria seja realizada sempre que houver persistência de hiperglicemia e/ou na presença de doenças intercorrentes.
A medida da glicemia capilar é o teste mais importante para o controle metabólico, pois reflete o nível de glicose sangüínea em um momento específico. E orientará a quantidade de insulina a ser aplicada para cada refeição, além de possibilitar o tratamento de hipo e hiperglicemias.
A monitorização laboratorial é importante para se avaliar o controle metabólico. A hemoglobina glicada (HbA1c) traduz a média das glicemias dos 3 últimos meses, e a frutosamina das 3 últimas semanas. A primeira deve ser realizada, portanto, a cada 3 meses. Seus valores são individualizados para cada faixa etária e devem ser interpretados juntamente com o Endocrinologista Pediátrico.
A compreensão das informações escritas aqui é muito importante. O bom conhecimento da doença e das formas de monitorização e tratamento são indispensáveis para o bom controle clínico. O papel do Endocrinologista Pediátrico é essencial, no sentido de orientar a família da criança diabética e estabelecer as metas do tratamento.
No diabetes mellitus tipo 1, é fundamental a compreensão do tratamento: como o pâncreas não produz insulina, e como este é um hormônio essencial à vida, o tratamento é necessariamente feito com sua reposição via subcutânea, através de seringas ou “canetas”. Não existem ainda preparações que possam ser absorvidas pela via oral. Em 2007, foi lançada uma preparação de insulina absorvida pela via inalatória, já retirada do mercado, após o fracasso de aceitação, elevado preço, além de suspeitas de doenças pulmonares, segundo recentes publicações científicas.
Para o controle adequado da doença, é necessário a aplicação de uma insulina de ação lenta, e de múltiplas doses de uma insulina de ação rápida (que controlará a glicemia após a refeição).
Insulina de ação ultra-rápida: cristalina e transparente, sua ação se inicia em poucos minutos (5-15 minutos), atinge o pico em 30 minutos, período máximo de ação persistente até 2,5 horas e dura de 3 a 4 horas. Age de maneira mais semelhante à produzida pelo pâncreas normal.
Insulina NPH: É uma insulina de ação basal. Começa a agir cerca de 2 horas após a aplicação. É usada para controlar a glicemia nos períodos em que não estamos nos alimentando, como durante a madrugada, agindo também durante a alimentação. Para o controle de glicemia pós-prandial, deve ser associada à insulina de ação rápida ou ultra-rápida.
Insulina de ação prolongada: fabricada através de técnicas de engenharia genética, possuem uma duração em torno de 18 a 24 horas. São as insulinas mais modernas, tentando aproximar-se da insulina basal ideal. É importante observar que os tempos de duração e absorção aqui descritos são apenas aproximados. A absorção da insulina sempre depende de fatores individuais. O tamanho da dose é outro fator: quanto maior a dose, a duração da ação tende a ser maior, na teoria.
Para um controle adequado, deve-se individualizar cada tratamento. Não existe uma insulina perfeita para todos os pacientes. Procura-se adequar a rotina do diabético e suas individualidades aos horários de aplicação e tipos de insulina. Essa é uma decisão do médico, do paciente e, muitas vezes, há a participação da sua família, que deve ser inserida no contexto do tratamento (principalmente das crianças mais novas).
É indispensável a participação de um profissional educador em diabetes para o treinamento da técnica correta de preparo e aplicação de insulina, além das orientações quanto ao armazenamento das medicações, uso de glicosímetros, troca de agulhas, etc.
| TIPOS DE PREPARAÇÕES DE INSULINA E PROPRIEDADES SUGERIDAS PELOS FABRICANTES | |||
| Tipos de insulina | Início de ação (h) | Pico de ação (h) | Duração da ação (h) |
| Análogos de ação ultra-rápida: - Aspart, Glulisina, Lispro |
0,15 – 0,35 |
1 – 3 |
3 – 5 |
| Análogos de ação intermediária: - NPH |
0,5 – 1 |
2 – 4 |
5 – 8 |
| Análogos de ação basal: - Glargina - Detemir |
2 – 4 1 – 2 |
Nenhum 6 – 12 |
18 – 24 20 – 24 |
Essas seringas têm a mesma aparência de uma caneta. Na extremidade, dão lugar a uma pequena agulha descartável. E no lugar da carga de tinta, há uma carga de insulina. Elas são populares devido à conveniência e precisão de dosagem. Não é preciso se preocupar em encher seringas ou carregá-las quando se está distante de casa. No entanto, as insulinas aplicadas por canetas não poderão ser misturadas para uma aplicação única (por exemplo, na administração de insulina NPH + regular).
Atualmente, a obesidade é um dos problemas mais graves de saúde pública, tanto na vida adulta quanto na infância e na adolescência. Devido ao crescimento acentuado de sua prevalência nas últimas décadas, é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia global. Além disso, crianças obesas freqüentemente se tornam adolescentes e adultos obesos com sérios riscos para a saúde.
Dados do IBGE de 2002-2003 mostraram um aumento considerável na proporção dos adolescentes brasileiros com excesso de peso: em 1974-75, estavam acima do peso 3,9% dos meninos e 7,5% das meninas entre 10 e 19 anos; já em 2002-03, os percentuais encontrados foram 18,0% e 15,4%, respectivamente.
A obesidade pode ser conceituada como um acúmulo corporal de tecido adiposo, por um balanço energético positivo, geralmente devido à ingestão calórica excessiva, associada ao gasto insuficiente de energia. O cálculo do índice de massa corporal (IMC) oferece uma medida razoável para avaliação de obesidade em crianças e adolescentes. Crianças e adolescentes com IMC superior ao percentil 95 para idade e sexo são classificadas como “obesas”. A categoria “sobrepeso” é reservada para aqueles com percentil de IMC entre 85 e 95.
Para o cálculo do IMC, deve-se dividir o peso (em Kg) pelo quadrado da altura (em metro). Para a identificação das crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade, devem-se utilizar gráficos de IMC apropriados. Clique aqui para baixar os gráficos de IMC para idade e sexo desenvolvidos pela OMS.
A obesidade está fortemente associada à hipertensão arterial, dislipidemia, intolerância à glicose e marcadores de inflamação crônica, levando a um aumento de fatores de risco cardiovascular, piora da qualidade de vida, e aumento do índice de mortalidade no adulto.
É de grande importância para prevenção da obesidade infantil, promover um ambiente saudável, tanto domiciliar como escolar, com opções de recreação e psicologicamente propício à prática de atividades físicas.
Há evidências que a obesidade infantil tem, muitas vezes, sua origem no ambiente intra-uterino. Esse, quando adverso, com o conseqüente atraso do crescimento fetal, influencia o acúmulo posterior de gordura e, dessa forma, o desenvolvimento de complicações relacionadas à obesidade. O rápido acúmulo de gordura, nos primeiros anos de vida (especialmente nos primeiros meses), está associado ao desenvolvimento da síndrome metabólica na idade adulta, que se caracteriza pela detecção concomitante de adiposidade abdominal, dislipidemia, hipertensão arterial e intolerância à glicose. Por outro lado, os filhos de mãe obesas (sem diabetes gestacional), classificados como grandes para a idade gestacional, também têm maior risco de obesidade futura e síndrome metabólica.
Ainda que raras, as causas endócrinas devem ser pesquisadas quando, além de obesidade, houver sinais clínicos sugestivos de algum distúrbio hormonal, como baixa estatura, fraqueza muscular, estrias violáceas, etc.
Em síntese, a obesidade infantil é o resultado final da influência de fatores ambientais e comportamentais em indivíduos geneticamente susceptíveis. As mudanças na quantidade e na qualidade da alimentação, além da drástica redução da atividade física são os principais fatores responsáveis pelo aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes nos últimos 35 anos.
As conseqüências da obesidade incluem dislipidemia, hipertensão arterial, problemas ortopédicos, baixa auto-estima, intolerância à glicose ou até o início precoce do diabetes mellitus tipo 2. Freqüentemente, crianças e adolescentes obesos se tornam adultos obesos, com a manutenção dos riscos de doenças metabólicas e cardiovasculares.
O tratamento das crianças e adolescentes obesos visa à redução do peso e à diminuição das complicações associadas. É imprescindível a participação da família e de uma equipe multiprofissional (psicoterapeuta, nutricionista, endocrinologista pediátrico e professor de educação física) no processo de reeducação alimentar e de hábitos de vida.
O objetivo inicial do tratamento é restaurar o balanço energético, equilibrando a relação ganho/gasto calórico. Nos casos em que é clara a ingestão calórica excessiva, a restrição alimentar deverá ser aplicada, associada a um maior gasto energético, ou seja, aumento da atividade física. Deve-se objetivar, em longo prazo, alcançar o percentil 85 de IMC para sexo e idade, já que a gravidade da obesidade no adulto está relacionada à gravidade e persistência da obesidade na infância.
Quanto à abordagem nutricional, medidas simples podem ser muito eficazes para aqueles pacientes com erros alimentares graves. O aumento do consumo de frutas e vegetais, a diminuição das porções servidas, o intervalo regular entre as refeições, evitando longos períodos sem se alimentar, são exemplos de orientações que devem ser feitas inicialmente.
Como parte do tratamento das crianças e adolescentes obesos, recomenda-se o estímulo à atividade física. As atividades devem ser divertidas, adequadas à idade e direcionadas ao interesse e condições da criança. Os benefícios do exercício físico incluem a redução da gordura, o aumento da taxa de metabolismo basal e melhora do metabolismo da glicose e do colesterol.
Quando as mudanças de estilo de vida (sob supervisão médica) falham na redução de peso, o tratamento medicamentoso pode ser indicado aos adolescentes, como adjuvante à terapia comportamental, nos casos selecionados.
As drogas disponíveis no mercado para o tratamento da obesidade incluem agentes estimulantes (contra-indicados na faixa etária pediátrica), anorexígenos, redutores de absorção de nutrientes e drogas que alteram o metabolismo insulínico (produção e ação).
As indicações precisas do tratamento medicamentoso, assim como os medicamentos disponíveis e liberados para a faixa etária pediátrica, devem ser avaliadas com cautela pelo Endocrinologista Pediátrico, em conjunto com a família do adolescente.
É importante ressaltar que o uso de medicamentos não deve substituir o tratamento convencional, ou seja, a restrição alimentar associada à prática de atividades físicas. A farmacoterapia, quando indicada, deve-se somar às medidas comportamentais.
A cirurgia bariátrica se apresenta nos últimos anos como opção para os adolescentes com obesidade mórbida e co-morbidades associadas. Seu sucesso depende de uma integração do paciente, de sua família e da equipe multiprofissional envolvida.
É recomendável que, previamente à indicação cirúrgica, os pacientes-candidatos estejam psicologicamente preparados, e com uma estrutura familiar bem consolidada, condições mínimas necessárias para uma boa aderência ao tratamento. Uma equipe multidisciplinar deverá participar de todo o processo de seleção, preparo e procedimento cirúrgico, assim como o acompanhamento em curto e longo prazo.
A cirurgia poderá ser indicada aos adolescentes com no mínimo 6 meses de tratamento médico mal sucedido e que tenham preenchido critérios antropométricos, médicos e psicológicos. As indicações precisas devem ser estabelecidas pelo Endocrinologista Pediátrico que acompanha o adolescente obeso, em conjunto com sua equipe.
A obesidade pode ser conceituada como um acúmulo corporal de gordura, geralmente devido à ingestão calórica excessiva, associada ao gasto insuficiente de energia. A criança está acima do peso quando o seu índice de massa corporal (IMC) encontra-se acima do percentil 85, ou seja, superior ao IMC de 85% da população. Quando está acima do percentil 95, considera-se que a criança está obesa. Para essa avaliação, devem-se utilizar curvas padronizadas para a população, idade e sexo. Calcula-se o IMC dividindo-se o peso (em Kg), pela altura (em metros) ao quadrado.
A obesidade infantil é o resultado final da influência de fatores ambientais e comportamentais em indivíduos geneticamente susceptíveis. As mudanças na quantidade e na qualidade da alimentação, além da drástica redução da atividade física são os principais fatores responsáveis pelo aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes nos últimos 35 anos.
Se compararmos crianças com as mesmas condições de saúde e de alimentação, as diferenças observadas no seu fenótipo provavelmente são devidas às questões genéticas, que envolvem o padrão de gasto energético, a distribuição corporal de gordura e a capacidade de “poupar” energia.
Ao se avaliar crianças que apresentaram algum déficit nutricional durante a gestação (por exemplo, por alguma doença materna durante a gravidez) e que ao nascerem são expostos a uma “abundância” de nutrientes, percebe-se que esses lactentes tendem a apresentar um rápido ganho de peso nos primeiros meses de vida, de forma a compensar o período de má nutrição fetal (o chamado “rebote adiposo”). Estudos mostram que tais crianças (“poupadoras de energia”) apresentam um elevado risco de obesidade futura, e de suas complicações.
Outro fator que muitas vezes percebemos são os lactentes que não têm limite para mamar. Estabelecer uma rotina de mamadas desde o nascimento é essencial para a criança. A partir do segundo ou terceiro mês, o lactente já passa a ser capaz de dormir durante a noite, acompanhando o sono dos pais. No entanto, é freqüente encontrarmos lactentes que mamam várias vezes durante a madrugada. Sem dúvida, esse hábito tende a aumentar o seu risco de obesidade. O pediatra deve intervir nesse momento, orientando a família sobre as consequências da ingestão calórica excessiva. É uma das primeiras medidas preventivas da obesidade.
Nem sempre são apenas os erros alimentares que conduzem as crianças à obesidade, mas os hábitos de vida. A alimentação é um dos aspectos a serem abordados no tratamento do sobrepeso, mas mudanças de outros fatores, como a rotina da família, o número de horas de atividades sedentárias (TV, computador), o tipo e a quantidade de atividade física semanal, dentre outros, são imprescindíveis para o sucesso no tratamento.
Um grande estudo envolvendo mais de 8 mil crianças identificou nos primeiros anos de vida alguns fatores que se relacionaram à obesidade infantil: obesidade dos pais; ganho excessivo de gordura ou de IMC em idades muito precoces; hábito de assistir à televisão por mais de 8 horas por semana na idade de 3 anos; rápido crescimento nos primeiros meses de vida (catch up); maior peso aos 8 e 18 meses; ganho de peso excessivo no 1º ano de vida; peso ao nascimento; sono noturno menor que 10,5 horas na idade de 3 anos. Além desses fatores, evidências apontam como potenciais causas da obesidade infantil os hábitos dos pais, como tabagismo na gravidez, a educação dada aos filhos e a alimentação fornecida aos filhos nos primeiros meses de vida. Além disso, alguns trabalhos têm considerado o leite materno como protetor contra o sobrepeso futuro, em algumas populações.
O tratamento da obesidade infantil visa sobretudo à diminuição das complicações associadas, em curto e longo prazo. As crianças obesas têm maior vulnerabilidade às consequências decorrentes do excesso de tecido adiposo, justificando ações preventivas e terapêuticas. Tais consequências envolvem os distúrbios do metabolismo da glicose e das gorduras, a hipertensão arterial, as lesões ortopédicas, problemas psicológicos, entre outros.
A abordagem da obesidade em crianças e adolescentes geralmente necessita da participação de uma equipe interdisciplinar. Tais equipes devem incluir psicoterapeuta, nutricionista, endocrinologista e professor de educação física. O objetivo do trabalho em equipe é sobretudo propiciar uma abordagem mais ampla do paciente, procurando envolvê-lo, bem como seus familiares, no processo terapêutico.
O objetivo inicial do tratamento é restaurar o balanço energético, equilibrando a relação ganho/gasto calórico. Nos casos em que é clara a ingestão calórica excessiva, a restrição alimentar deverá ser aplicada, associada a um maior gasto energético, ou seja, aumento da atividade física. Deve-se objetivar, em longo prazo, alcançar o percentil 85 de IMC para sexo e idade, já que a gravidade da obesidade no adulto está relacionada à gravidade e persistência da obesidade na infância.
A estabilização do peso em crianças em crescimento reduz o IMC progressivamente. É um objetivo a ser atingido no tratamento de crianças de 2 a 6 anos obesas e sem complicações secundárias. A perda de peso é recomendada para crianças de 2 a 6 anos obesas e com complicações, e para as crianças maiores de 6 anos, cujos percentis de IMC para idade e sexo superem 85.
Quanto à abordagem nutricional, medidas simples podem ser muito eficazes para aqueles pacientes com erros alimentares graves. O aumento do consumo de frutas e vegetais, a diminuição das porções servidas, o intervalo regular entre as refeições, evitando longos períodos sem se alimentar, são exemplos de orientações que devem ser feitas inicialmente.
Restrições calóricas leves a moderadas são geralmente seguras e podem ser eficientes quando as crianças obesas e seus familiares estão suficientemente motivados para manter por tempo prolongado as mudanças de estilo de vida adotadas inicialmente.
A associação de restrição calórica e exercício físico no tratamento da obesidade infantil geralmente resulta numa redução efetiva do IMC em curto prazo.
Os benefícios do exercício físico incluem a redução da gordura, o aumento da taxa de metabolismo basal e melhora do perfil metabólico, com o aumento da sensibilidade à insulina, redução da concentração de colesterol LDL (conhecido como “colesterol ruim”) e triglicérides e aumento da concentração de colesterol HDL (“colesterol bom”).
A redução de 5 a 10% do peso e a sua manutenção por 2 a 5 anos melhora significativamente o metabolismo da glicose e das gorduras, além de outros benefícios, como melhora da hipertensão arterial, da auto-estima das crianças e adolescentes e um risco muito menor de apresentarem doenças cardiovasculares no futuro.
O sucesso do tratamento depende de uma integração da criança, de sua família e da equipe multiprofissional envolvida. A grande dificuldade encontrada no acompanhamento dessas crianças é a manutenção dessa perda peso, após os primeiros meses. Por isso, medidas simples, como dietas restritivas, não surtem efeito em médio e longo prazos. Como dito anteriormente, deve-se fazer uma abordagem mais ampla do paciente, procurando envolvê-lo, bem como seus familiares, no processo terapêutico, que envolverá mudanças no seu estilo de vida.
Em geral, medidas preventivas devem ser estimuladas, com a participação do governo, das escolas, das indústrias de alimentos e dos profissionais da saúde, estimulando hábitos de vida saudáveis
Não.
Após a menarca (a primeira menstruação), a menina ainda cresce em média 4 a 6 centímetros, mas com um ritmo mais lento, geralmente terminando seu crescimento em 2 a 4 anos.
Sim.
A musculação não é contra-indicada na adolescência. Deve-se, no entanto, assegurar que o jovem terá um acompanhamento adequado por um profissional de educação física, que ira privilegiar a prática de exercícios aeróbicos sob sua supervisão direta, até que o adolescente complete seu crescimento. A partir daí, é liberado para exercícios anaeróbicos de maior intensidade.
Nas meninas, geralmente o primeiro sinal de puberdade é o aparecimento do broto mamário (telarca), entre 8 e 13 anos (média de 10,7 anos). No entanto, cerca de 10% das meninas apresenta o desenvolvimento de pêlos pubianos (pubarca) como primeira manifestação puberal, também a partir dos 8 anos de idade.
A puberdade precoce deve ser investigada em toda menina com desenvolvimento puberal antes dos 8 anos de idade, principalmente se houver aumento da sua velocidade de crescimento. O Endocrinologista Pediátrico é o profissional habilitado para essa avaliação, que inclui dados da história clínica, do exame físico e a solicitação de exames laboratoriais específicos.
Sim.
O desenvolvimento de pêlos pubianos (pubarca) antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 anos nos meninos pode ser o primeiro sinal de uma endocrinopatia, como a hiperplasia congênita das supra-renais (forma não-clássica), tumores virilizantes, puberdade precoce ou mesmo o uso de medicamentos andrógenos. Muitas vezes representa apenas o início da atividade das glândulas supra-renais, sem que haja enfermidade alguma (“adrenarca fisiológica”), geralmente a partir dos 6 anos de idade.
Informações como a velocidade de crescimento dos pêlos, além da sua distribuição, a velocidade de crescimento da criança, a presença de acne, pelo oleosa e odor corporal são essenciais para a formulação de uma hipótese diagnóstica pelo Endocrinologista Pediátrico. Exames como a radiografia da mão e punho esquerdos (para a idade óssea) e a dosagem dos andrógenos (hormônios sexuais) podem ser úteis no processo diagnóstico.
Da mesma forma que o hipotireoidismo congênito, a hiperplasia congênita das supra-renais pode ser diagnostica pelo teste de triagm neonatal ("teste do pezinho").
A partir do 3o dia de vida, deve-se colher amostra de sangue para a dosagem do hormônio 17-OH-Progesterona, cujas concentrações aumentadas podem indicar a doença. Quando o exame é positivo, deve-se procurar atendimento especializado o mais rápido possível (por Endocrinologista Pediátrico), já que o diagnóstico precoce pode evitar o aparecimento das manifestações graves da doença.
Na consulta, são colhidas informações sobre o pré-natal, sobre o nascimento da criança e possíveis doenças no período neonatal (como infecções), e é realizado um detalhado exame físico.
As crianças com maior suspeita da doença são aquelas com dificuldade de ganhar peso, com vômitos e regurgitações recorrentes e sinais de dedidratação (pele e mucosas secas, olhos encovados, fontanela deprimida etc). As meninas apresentam ainda genitália ambígüa, com variados graus de virilização.
Crianças prematuras, com baixo peso e que apresentaram doenças ao nascimento, com internação prolongada, geralmente apresentam alteração do teste de triagem neonatal para Hiperplasia congênita das supra-renais. Além de ocorrer uma imaturidade do sistema enzimático dessas crianças, há uma elevação fisiológica dos níveis de Cortisol, em resposta ao estresse do organismo. Como a 17-OH-Progesterona é um hormônio precursor do Cortisol, seus níveis também estarãooaumentados nessas situações, podendo levar a um resultado falso-positivo do teste de triagem neonatal.
Mesmo com uma história não-sugestiva de doença, a criança com alteração do teste de triagem neonatal para hiperplasia congênita de supra-renais deve ser avaliada pelo especialista, para se descartar uma possível forma leve da doença, que pode se manifestar anos após o nascimento.
Em 2007, o estado de Minas Gerais incluiu no seu programa de triagem neonatal a pesquisa de Hiperplasia congênita das supra-renais, sob coordenação do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (NUPAD), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, órgão credenciado pelo Ministério da Saúde. Desde o início do projeto, tenho trabalhado diretamente no diagnóstico e acompanhamento das dezenas de crianças encaminhadas semanalmente ao Ambulatório São Vicente, da Faculdade de Medicina da UFMG. Juntamente com uma equipe multi-disciplinar, temos adquirido grande experiência com uma doença rara e de difícil diagnóstico, já que o NUPAD atende gratuitamente a população dos 853 municípios de Minas Gerais.
O Hipotireoidismo Congênito é causado pelo defeito da produção (baixa ou mesmo nula) dos hormônios tireoidianos. Como há métodos de diagnóstico precoce e tratamento da doença, é considerado a causa mais comum de retardo mental evitável.
A tireóide é uma glândula pequena, localizada na região anterior do pescoço. É responsável pela produção de hormônios considerados importantes e indispensáveis em todas as idades. Nas crianças pequenas, cujo metabolismo é acelerado e há um intenso desenvolvimento neurológico, a tireóide é fundamental para o crescimento físico e o desenvolvimento do cérebro e da inteligência.
O exame laboratorial para a detecção do hipotireoidismo é fundamental, pois os sintomas clínicos podem não ser aparentes nas primeiras semanas de vida da criança. Muitas vezes, as mesmas manifestações clínicas ocorrem em outras doenças, o que dificulta o diagnóstico precoce e o início do tratamento necessário.
Há cerca de 30 anos, vários programas de triagem neonatal para o hipotireoidismo congênito tem sido desenvolvidos em todo o mundo. Assim, tornou-se possível realizar diagnóstico e tratamento precoces da doença, evitando sua principal e temível sequela: o retardo mental irreversível.
O diagnóstico do hipotireoidismo congênito é realizado pelo teste do pezinho, pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico, da Faculdade de Medicina - UFMG, ou por laboratórios particulares, a partir de análise das amostras do sangue coletado nos recém-nascidos em Minas Gerais no 5º dia após o nascimento.
A prevalência do hipotireoidismo congênito é de aproximadamente 1:3.000 a 1:4.000 recém-nascidos triados.
O acompanhamento e tratamento são gratuitos e garantidos a todas as crianças diagnosticadas durante todo o período necessário. O tratamento consiste na reposição diária do hormônio tireoidiano (levo-tiroxina). A dose é individualizada, sendo maior no recém-nascido e diminuindo progressivamente com a idade. Na maioria das vezes, aos 3 anos de idade, interrompe-se o tratamento, para a realização de exames etiológicos, que ajudam a definir o tipo e a causa do hipotireoidismo congênito.
O seguimento clínico-laboratorial dessas crianças é essencial e realizado por Endocrinologista Pediátrico. Geralmente, a primeira consulta ocorre ainda no primeiro mês de vida. Após o início do tratamento, as avaliações ocorrem a cada três meses nos primeiros 03 anos de vida e a cada seis meses nos anos subseqüentes.
É de importância fundamental que seja garantida uma perfeita aderência ao tratamento, principalmente nos primeiros 3 anos de vida, para não haver comprometimento neurológico, decorrente de uma reposição hormonal irregular. O fato da criança estar se desenvolvendo bem, costuma sugerir aos familiares a possibilidade de interrupção do tratamento. Para que isso não ocorra, a equipe multiprofissional deve estar sempre atenta, reforçando a necessidade do tratamento regular, contínuo, sem esquecimentos, que é exatamente o que garante o crescimento e desenvolvimento normais.
A síndrome de Turner (ST) é uma condição genética que ocorre quando uma criança do sexo feminino nasce com a deficiência ou mutação de um cromossomo X. Na maioria dos casos, há a ausência de um dos cromossomos do par X das mulheres (monossomia do cromossomo X). A síndrome pode também estar associada ao mosaicismo cromossômico, ou seja, à presença de duas ou mais linhagens com constituições cromossômicas diferentes, mais comumente 45,X/46,XX. Os cromossomos contêm genes que determinam características físicas e do desenvolvimento. A ST tem uma incidência de 1 para cada 2.000 a 2.500 nascidas vivas e a razão para essa ocorrência parece ser um evento randômico. Dessa forma, qualquer menina pode nascer com a ST.
A características da síndrome de Turner (ST) podem variar muito de paciente para paciente. Dessa forma, essa condição pode não ser diagnosticada até que a menina atinja a idade puberal ou até mais tarde. As características mais comuns da ST são a baixa estatura e a puberdade ausente ou incompleta. Além da baixa estatura, outras características clínicas podem incluir:
Ao nascimento, é comum a presença de linfedema (acúmulo anormal de linfa nos tecidos) de mãos e pés e redundância de pele, principalmente na região do pescoço. A presença desses dois sinais, principalmente associados a peso e estatura baixos ao nascer, é altamente sugestiva da síndrome.
Meninas e mulheres com ST têm maior risco de apresentar anomalias congênitas (presentes ao nascimento) do coração e dos rins, além de hipertensão arterial, infecções recorrentes do ouvido médio, hipoacusia (surdez), diabetes e dificuldade de aprendizado não-verbal (como dificuldade em matemática, por exemplo). Outros possíveis problemas médicos incluem o sobrepeso, catarata e ossos frágeis.
Por causa das suas condições físicas, problemas de saúde e infertilidade, algumas meninas com ST tendem a apresentar baixa auto-estima, ansiedade e depressão.
As características físicas podem sugerir a síndrome de Turner, mas a única ferramenta diagnóstica capaz de detectar a síndrome é através da análise cromossômica, ou cariótipo. Nesse exame, uma amostra de sangue é coletada e analisada em um microscópio para a detecção de cromossomos faltantes ou alterados.
Como a síndrome de Turner (ST) é uma desordem genética, não há cura, mas alguns de seus sinais/sintomas podem ser tratados individualmente. Duas dessas opções são:
É importante identificar precocemente as meninas com ST, para que o tratamento possa ser iniciado de forma a promover o crescimento e desenvolvimento normais. Os pais devem procurar um Endocrinologista Pediátrico, o especialista em questões relacionadas aos hormônios em crianças e adolescentes. Visitas regulares ao médico são necessárias para se monitorizar os efeitos do tratamento e para a avaliação de complicações medicas.
Estas orientações foram escritas pelo Dr Magno Veras.
As informações disponíveis no site da Mon Petit possuem apenas caráter educativo.
Procure o médico para realizar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento apropriados para o seu filho.
Novos conhecimentos sobre a alimentação ideal de crianças menores de 2 anos tornaram ultrapassados muitos conceitos e recomendações que fizeram parte da prática.
Obs: Entre sete e oito meses, respeitando-se a evolução da criança, deverá ser introduzida a segunda refeição de sal. Do 9º ao 11º mês gradativamente passar para a comida da família e no 12º mês idealmente, introduzir a comida da família.
Óleo vegetal e sal devem ser usados em menor quantidade, assim como, deve-se evitar caldos e temperos industrializados.
Legumes: são vegetais cuja parte comestível não são folhas. Por exemplo: cenoura, beterraba, abóbora, chuchu, vagem, berinjela, pimentão.
Hortaliças: são vegetais cuja parte comestível são as folhas. Por exemplo: agrião, alface, taioba, espinafre, serralha, beldroega, acelga, almeirão.
Tubérculos: são caules curtos e grossos, ricos em carboidratos. Por exemplo: batata, mandioca, cará, inhame.
A papa deve ser amassada, sem peneirar, nem liquefazer (NÃO USAR LIQUIDIFICADOR)
A carne não deve ser retirada, mas sim, picada e oferecida à criança.
Assim que possível, os alimentos não precisam ser muito amassados, evitando-se, desta forma, a administração de alimentos muito diluídos para propiciar oferta calórica adequada.
Aspectos importantes da evolução do comportamento alimentar na infância:
O processo de introdução deve ser gradual. Afinal, a única coisa que o bebê conhece em termos de alimentação é o leite.
Ao contrário do que acontecia quando éramos crianças, hoje em dia não existem restrições quanto ao tipo de fruta utilizada nos sucos. Na verdade, qualquer uma vale. É claro que as melhores frutas para elaborar sucos são aquelas ricas em vitamina C, pois essa vitamina tem um poder maior de absorver o ferro dos outros alimentos. Mas isso não quer dizer que o pequeno não possa ingerir sucos de maçã ou pêra, por exemplo. O que importa é que a fruta esteja fresquinha...
Você pode usar qualquer fruta para fazer o suco do bebê, como: laranja pera, laranja bahia, laranja lima, melão, mexerica, melancia, goiaba, manga, abacaxi e outras.
As melhores frutas são as da época, porque elas têm mais vitaminas, são mais saborosas e foram cultivadas sem muitos agrotóxicos.
O ideal é que o bebê só coma açúcar ou mel após um ano de idade (ideal após os 2 anos), então, não devemos dar sucos que precisam ser adoçados como limão e maracujá azedo.
Como os sucos devem ser oferecidos nos intervalos das mamadas, o melhor é prepará-los várias vezes ao dia, em pequenas quantidades, cerca de 50-100 ml. Ou seja, em vez de fazer uma jarra de suco de laranja e ir oferecendo aos poucos para o bebê, procure preparar antes da administração. Assim, além de ficar mais fresquinho, o suco não irá perder vitamina C - essa vitamina sofre forte oxidação pela exposição à luz - e o verdadeiro sabor, pois existem frutas, como a laranja, que depois de serem espremidas amargam com o tempo. Outras, como a pêra, ficam escuras. E não se espante se o pequeno tomar tudo ou rejeitar. O importante é que ele vá, aos poucos, se habituando com o novo sabor que cada fruta lhe apresenta.
Uma observação importante: nunca dê, no mesmo dia, sucos diferentes. O certo é oferecer um de uma única fruta. Se o baixinho aprovar, não tiver nenhum problema de alergia ou intestino (cólicas, distensão abdominal ou diarréia), você pode, no segundo ou terceiro dia, tentar outro tipo de fruta. Afinal, nessa fase, o que vale é experimentar todas elas.
Depois que o bebê conhecer o sabor de várias frutas, você pode misturá-las. Por exemplo, suco de laranja com mamão; laranja com goiaba, com maçã, tomate, etc. Alguns legumes devem sim ser oferecidos em forma de suco. Os mais usados são a cenoura e beterraba. Para introduzi-los, você deve seguir o mesmo procedimento adotado com as frutas. Se a criança gostar, pode misturá-los com frutas: cenoura com caju; beterraba com laranja; tomate com maçã. Apesar de parecerem misturas estranhas, ficam gostosas e são bem nutritivas.
Além de selecionar as melhores frutas, é preciso ter alguns cuidados com a preparação dos sucos - isso vale também para a preparação das papas de frutas. Depois de lavar cada item com água e detergente e enxaguar com água corrente em abundância, seque e descasque a fruta ou o legume - se você não for processá-los em uma centrífuga. Os utensílios: faca, colher, copo, liquidificador, peneira, coador, jarra, etc., que serão usados, devem ser bem limpos. Esse cuidado deve ser tomado até a criança completar um ano de vida. A melhor maneira de aproveitar praticamente toda a fruta são as centrífugas. Alimentos como beterraba, cenoura, pêra e maça devem ser centrifugados. No caso de laranjas e limão, o espremedor elétrico é melhor. Já o liquidificador deve ser usado para frutas como maracujá, uva, abacaxi, melão, melancia, mamão, jaca e figo, entre outras.
Já o uso de polpas congeladas deve ser evitado (mas não é proibido), apenas porque a fruta fresca é mais rica em vitaminas e sais minerais.
Você deve começar com sucos de frutas ricas em vitamina C. As melhores são: acerola, caju, melancia, goiaba, laranja serra d’água (menos ácida e mais adocicada) e laranja pêra. Em relação à quantidade, o melhor é começar com 50 ml e ir aumentando gradativamente, até chegar a 150 ml por dia (extremamente variável)
Procure oferecer frutas em temperatura ambiente. Afinal, a criança está acostumada ao leite na temperatura ambiente e não frio ou gelado.
Não é preciso adoçar o suco, pois as frutas têm frutose, que é um açúcar natural. Apenas as frutas mais ácidas, como limão e maracujá, devem ser adoçadas, e mesmo assim, com pouca quantidade de açúcar, de preferência não refinado (mascavo por exemplo).
Procure estabelecer um equilíbrio entre frutas consideradas como aceleradoras do transito intestinal ( laranja e outras cítricas, mamão, melão, banana nanica) e as que retardam o trânsito (goiaba, banana maçã, maçã).
Crianças de 2 a 3 anos de idade devem consumir três porções diarias de frutas (200 a 300g), enquanto para as menores de 2 anos é aconselhável consumir 2 porções (100 a 150g).
Bata no liquidificador o suco de duas laranjas lima ou pêra mais uma cenoura média. Se você tiver centrífuga, faça o suco da cenoura e depois misture com o de laranja.
Bata no liquidificador o suco de duas laranjas, uma fatia média de mamão e meia maçã.
Descasque um caju médio e bata no liquidificador com meia beterraba pequena, sem a casca e os talos. Se necessário, acrescente 20 ml de água filtrada e fervida.
Bata no liquidificador a polpa de um maracujá com meia pêra, sem casca. Se necessário, acrescente 20 ml de água. Depois, coe o suco antes de servir.
Escolha dois tomates médios maduros, tire as cascas e as sementes. Pique em pequenos pedaços e bata no liquidificador com 40 ml de água filtrada e fervida. Depois acrescente meia maçã, sem casca e sem caroço e bata mais um pouco.
Separe dez uvas sem caroço e bata no liquidificador com uma rodela de abacaxi. Se necessário, acrescente 20 ml de água filtrada e fervida ou o suco de uma laranja.
Escolha uma goiaba madura, de preferência vermelha. Tire a casca e veja com cuidado se no interior da fruta não há bichinhos. Faça o suco de duas laranjas e bata no liquidificador com a goiaba.
Oferecer o alimento sem estresse, em menor tempo = X
Oferecer o alimento com estresse + dispender grande tempo na alimentação = x + 3 colheres
Obs: as 03 colheres a mais (fruto do estresse, da insistência exaustiva e do grande tempo de alimentação) não farão seu filho ganhar peso e não compensa o estresse para os pais e para a criança podendo até gerar uma relação ruim da criança com o alimento.
90% do que seu filho come é nos primeiros 20-30 minutos, gastar mais tempo que isto não vale à pena....
"ROTINA QUANDO É BOA É HÁBITO, QUANDO É RUIM É VÍCIO."
Crianças abaixo de 1 ano não devem consumir mingau. Análise em 12 produtos, feita pela Pro Teste, mostra que eles contêm excesso de açúcar e menos nutrientes do que informam nos rótulos.
O tradicional mingau deve ser evitado antes de o bebê ter 1 ano de idade. A afirmação é da Associação Brasileira do Consumidor (Pro Teste), que testou 12 complementos alimentares à base de cereais para crianças. Os produtos contêm excesso de açúcar e quantidade inadequada de nutrientes. Segundo a Pro Teste, para uma nutrição adequada, cada produto tem uma idade recomendada que, muitas vezes, não é a que o fabricante aponta. O que chamou mais atenção no teste foi o Cremogema, que para os pesquisadores só deve ser consumido por crianças a partir de 7 anos, por ter o mais alto nível de açúcar entre os produtos avaliados.
A Maizena Arrozina Amido de Milho com Farinha de Arroz é o único dos produtos analisados que traz no rótulo indicação correta da idade ideal para o consumo (3 anos). Os três mingaus Mucilon pesquisados, da Nestlé, têm na embalagem a indicação de que podem ser consumidos a partir dos 6 meses de idade. E os demais produtos não trazem qualquer indicação de idade.
O Ministério da Saúde recomenda que até os 6 meses os bebês sejam alimentados apenas com leite materno. O mingau não deve substiyuir o almoço ou o jantar e deve ser sempre substituído por frutas quando possível.
A Nestlé e a Unilever (responsável pela fabricação do Cremogena) alegam cumprir parâmetros internos de qualidade. As demais empresas não comentaram a pesquisa.
Veja abaixo a relação de produtos adequados a cada faixa etária:
Quaker Aveia Flocos Finos, Yoki Creme de Arroz, Neston Aveia Flocos Finos, Quaker Farinha de Aveia, Maizena Amido de Milho.
Maizena Arrozina Amido de Milho com Farinha de Arroz. Este é o único dos produto pesquisados que apresenta a idade correta para consumo na embalagem.
Vitalon Turma da Mônica Mingau de 6 Cereais, Vitalon Turma da Mônica Arroz, Mucilon Arroz, Mucilon Arroz e Aveia, Mucilon Multicereais.
Maizena Cremogema (à base de milho)."
O cereal não deve colocado na mamadeira ou adicionado à fórmula infantil, pois é nutricionalmente inadequado. , aumentaria a consistência do leite, que deve adquirir o hábito de receber a fórmula infantil ou o leite materno sob a forma líquida. Além disso, o aumento da consistência da mamadeira favoreceria o uso de bicos com maiores diâmetros de escape e maior risco de broncoaspiração.
Não se deve substituir os alimentos complementares por alimento lácteo (MINGAU OU PAPA) após a fase de transição; este erro alimentar, muito comum no nosso meio, prejudica qualitativamente a alimentação da criança.
Não basta conhecermos qual alimento possui mais ou menos ferro. Mais importante é conhecer a sua biodisponibilidade (capacidade do ferro do alimento ser realmente aproveitado pelo organismo).
Abaixo listamos alguns alimentos prontos para o consumo considerados como fontes de ferro e sua biodisponibilidade:
| Teor de ferro Biodisponibilidade | ||
| Alimento | mg/100g | Medida caseira |
| Carnes | ||
| Bovina (magra) | 4,0 | 4 colheres de sopa ou 1 bife médio e fino Alta |
| Suína (lombo) | 3,2 | 1 bife médio e fino Alta |
| Peixes (anchova) | 1,4 | 1 filé médio Alta |
| Galinha | 1,7 | 4 colheres sopa rasa Alta |
| Vísceras | ||
| Fígado bovino | 5,1 | 1 bife médio e fino Alta |
| Coração | 5,4 | 1 xícara chá rasa Alta |
| Língua | 1,5 | 2 pedaços médios Alta |
| Miúdos de galinha | 4,3 | 1 xícara chá rasa Alta |
| Ovo | ||
| Gema | 2,3 | 5 gemas Baixa |
| Inteiro “poached” | 2,2 | 2 ovos Baixa |
| Leite | ||
| Humano | 0,5 | 1 xícara de chá Alta |
| Vaca pasteurizado | 0,1 | 1 xícara de chá Baixa |
| Leguminosas | ||
| Lentilha | 2,1 | 12 colheres de sopa Baixa |
| Soja | 3,4 | 12 colheres de sopa Baixa |
| Soja (farinha) | 8,8 | 10 colheres de sopa Baixa |
| Feijão vermelho | 2,4 | 12 colheres de sopa Baixa |
| Ervilha | 1,8 | 12 colheres de sopa Baixa |
| Cereais | ||
| Cereais matinais | 12,5 | 1 xícara de chá Alta |
| Farinha láctea | 4,0 | 7 colheres de sopa Alta |
| Aveia (farinha) | 4,5 | 7 colheres de sopa Baixa |
| Aveia (flocos) | 3,5 | 7 colheres sopa Baixa |
| Hortaliças | ||
| Nabo | 0,4 | 3 médios Alta |
| Brócolis | 1,3 | 1 xícara de chá Alta |
| Couve crua/cozida | 2,2/ 0,7 | 10 folhas médias Média |
| Batata inglesa | 0,5 | 2 batatas médias Média |
| Cenoura crua/cozida | 0,7/0,6 | 2 cenouras médias ou 1 xícara de chá Média |
| Espinafre | 3,2 | 4 colheres de sopa Baixa |
| Beterraba | 0,8 | 1 xícara de chá Baixa |
| Frutas | ||
| Suco de limão | 0,6 | 4 colheres de sopa Alta |
| Açaí (polpa) | 11,8 | 1 colher sobremesa Alta |
| Laranja | 0,7 | 1 pequena Alta |
| Banana prata | 2,0 | 1 média Média |
| Manga | 0,8 | 5 pedaços médios Média |
| Abacate | 0,7 | Meio médio Baixa |
| Outros | ||
| Açúcar mascavo | 3,4 | 5 colheres de sopa Alta |
| Rapadura | 4,2 | 4 porções pequenas Alta |
Muitas pessoas confundem a alergia alimentar como qualquer reação anormal após a ingestão de alimentos, como diarréia, dor abdominal, vômitos, enxaqueca, tosse, ou qualquer outro sintoma que ocorra como resultado da ingestão de alguma comida. Não é bem assim...
A reação adversa ao alimento inclui qualquer reação anormal após a ingestão de alimentos e pode ser resultado de:
Qualquer alimento pode causar alergia. No entanto dados de países desenvolvidos mostram que os alimentos mais frequentemente implicados são: leite, ovo, amendoim, nozes, peixe e mariscos em geral.
Nas crianças, a alergia alimentar mais comum é a alergia à proteína do leite de vaca, que afeta cerca de 6% das crianças abaixo de 3 anos. Normalmente as manifestações se iniciam no primeiro ano de vida e em 80% dos casos a criança desenvolve tolerância até os 5 anos, ou seja, nessa idade ela melhora e pode voltar a ingerir o leite de vaca.
Divide-se a alergia alimentar de acordo com o mecanismo imunológico envolvido. Pode ser mediado por um anticorpo denominado IgE (neste caso normalmente as reações são imediatas, acontecendo logo após a ingestão), mediado por IgE e por células (mista) ou apenas por células.
Podem ser os mais variados e podem ser divididos de acordo com o mecanismo imunológico envolvido:
Lesões vermelhas na pele (urticária), prurido, “inchaço” nas pálpebras e/ou nos lábios, edema ou “inchaço” na glote (obstrui a entrada de ar aos pulmões), choque anafilático (quadro grave que compromete a circulação e a oxigenação), hipersensibilidade gastrintestinal imediata (náuseas, vômitos ou diarréia que acontecem logo após a ingestão do alimento) e rinite.
Inclui algumas doenças como a dermatite atópica (lesões de pele), asma, esofagite eosinofílica (pode apresentar dor, vômitos e dificuldade de engolir) e gastroenteropatia eosinofílica (pode apresentar os mais variados sintomas gastrointestinais além de perda de peso, ascite e “inchaço” no corpo).
Proctite ou proctocolite (sangue nas fezes em criança aparentemente saudável), enteropatia (diarréia, vômitos, baixa estatura, desnutrição, anemia, distensão abdominal, enterocolite (similar à enteropatia, no entanto, com manifestações mais graves) e doença celíaca.
É variável e depende do mecanismo envolvido. Como visto acima apenas aqueles casos de alergia envolvendo o anticorpo IgE são imediatos (segundos a poucas horas após a ingestão). Em outros casos, no entanto, pode demorar semanas ou meses.
Sim. Não é pelo fato que nunca teve alergia a determinado alimento que esta não possa ocorrer em qualquer período da sua vida.
Não. A alergia alimentar ocorre na maioria das vezes, independente da quantidade. Podem ocorrer casos graves de alergia às vezes apenas com uma gota da substância respingando na pele.
Os alimentos mais causadores de urticária são: ovo, amendoim, nozes, trigo, peixe e marisco. Os corantes alimentares também têm sido implicados.
Os sintomas que podem estar envolvidos são: irritabilidade excessiva, cólica que ultrapassa os 3 meses, regurgitações (golfadas) e vômitos freqüentes, sangue nas fezes, diarréia persistente ou crônica, baixo ganho de peso, recusa alimentar, distensão abdominal, assaduras resistentes ao tratamento, anemia resistente ao tratamento, tosse crônica, problemas de pele, entre outros
Refluxo gastroesofágico, dermatite atópica, asma, cólica do lactente, constipação intestinal, esofagite eosinofílica e gastrenterite eosinofílica. No entanto, não é sempre que o leite de vaca está envolvido nestas situações.
O diagnóstico de alergia alimentar não é tão simples (nem para o médico) e deve ser sempre avaliado por um profissional. O médico baseia-se na história clínica bem detalhada, em alguns exames laboratoriais (nem sempre necessários), algumas vezes no teste de provocação (realizado com o paciente internado em muitos casos) e até biópsia intestinal (poucas vezes indicado).
O médico ainda exclui outras possíveis causas dos sintomas, avalia a gravidade do caso, prepara os pais para possível reação futura (cuidados e medicamentos necessários) e realiza a adequação nutricional (caso ocorra restrição de algum alimento importante para nutrição da criança).
As vacinas de rubéola, caxumba e sarampo (tríplice viral) são geralmente seguras para crianças alérgicas ao ovo, mas as vacinas de influenza e febre amarela podem conter quantidades relevantes de proteínas do ovo e causar reações alérgicas.
Entre em contato imediato com o pediatra de seu filho.
Existem testes realizados através de exames de sangue (chamados de RAST) e os testes cutâneos que podem ser de escoriação (Prick teste; em que se “raspa” a pele e coloca-se a substância própria a ser testada, chamada de antígeno), intradérmicos (injeta a substância sob a pele, contudo, hoje estes testes não são mais utilizados) ou através da oclusão do “alimento” na pele (Patch teste; em que se “gruda” o antígeno na pele).
Estes testes devem ser realizados apenas por profissional capacitado e NUNCA realizados em casa.
Os testes alérgicos nem sempre são necessários e precisam ser avaliados com cautela. Embora úteis, em algumas situações podem gerar falsos negativos (quando o exame é negativo, mas a criança apresenta a alergia) e em outras pode gerar falsos positivos (quando o exame é positivo, mas não se trata de alergia). A interpretação destes resultados depende da idade da criança, tipo de doença associada e manifestação clínica da alergia.
O melhor profissional é o pediatra em que os pais confiam. Usualmente os profissionais que mais estudam os casos de alergia alimentar são o alergologista ou imunologista pediatra e o gastroenterologista pediatra. Quando a manifestação é gastrointestinal normalmente é o gastroenterologista pediatra o profissional mais procurado.
O tratamento é a exclusão total do alimento que causa a alergia. Dependendo da manifestação alérgica algumas medicações são utilizadas para controle do processo como, por exemplo: anti-histamínicos, corticóides, cromoglicato e inibidor de leucotrienos.
As vacinas utilizadas para melhora da alergia buscam fazer a criança tolerar o alimento de maneira mais rápida. Na alergia alimentar ainda não existe comprovação de aceitável risco/benefício em seu uso. Deve ser utilizado com muito critério por profissional habilitado em raríssimas circunstâncias.
Não. Nem homeopatia nem nenhuma outra medicação halopata curam a alergia. Até o momento não existe cura, apenas controle. O que ocorre muitas vezes é que a criança melhora “sozinha” com tempo, pois desenvolve um fenômeno conhecido como tolerância (passa a tolerar o alimento que anteriormente desencadeava alergia).
Não ocorre alergia à lactose (açúcar do leite) e sim à proteína do leite. Provavelmente seu filho tem intolerância à lactose que se trata de outro distúrbio digestivo. Na alergia ao leite de vaca, não adianta dar apenas leite sem lactose. Em alguns casos a criança com alergia ao leite de vaca melhora com leite de soja, mas não é porque o leite de soja não tem lactose e sim porque apresenta uma proteína diferente.
Os leites que visam substituir o leite de vaca na alimentação das crianças menores de 2 anos de idade são aqueles que apresentam uma proteína diferente como o leite de soja ou os leites hidrolisados (em que ocorre quebra artificial da proteína). O tipo de leite depende da manifestação clínica e do tipo de reação envolvida. Em alguns casos não deve nem ser tentado o leite de soja. O leite de cabra não é recomendado em nenhuma circunstância devido à chamada “reação cruzada” (ou sensibilização simultânea – quando ocorre alergia a proteína do leite de vaca também ocorre à proteína do leite de cabra). O mesmo fenômeno pode ocorrer com o leite de soja.
Em alguns casos é possível contar com a ajuda do município ou do Estado. No Estado de São Paulo existe um programa específico para os casos de alergia ao leite de vaca. Em Minas Gerais, até o momento é preciso adquirir em juízo. Seu gastropediatra saberá lhe guiar através dos processos necessários.
Esses são os ingredientes que não podem ser consumidos por pessoas com ALV. Esta lista deve fazer parte da sua rotina de compras de alimentos. Verifique sempre se os alimentos que você está comprando possuem alguns desses ingredientes em sua composição.
Apesar de seus nomes, os ingredientes abaixo listados podem ser consumidos por pessoas com alergia às proteínas do leite.
| Produtos que contêm leite ou derivados | Produtos que PODEM conter leite/derivados |
|
Iogurte Manteiga Maionese industrialisada (pode conter leite em pó) Margarina (pode conter leite em pó ou outro derivado de leite) Biscoitos recheados Creme para café (coffe-creamer) queijos kefir Nata / creme de leite Requeijão Coalhada Pudim / Manjar Sorvete e alguns sorbets Sopas instantâneas cremosas Molhos cremosos para salada Purê de batatas / aipim / batata soutê Salgadinhos (batatinha frita e similares) Empanados Achocolatados ( o Nescau, apesar de não conter leite ou derivados em sua composição, hoje já está sendo rotulado como “contém traços de leite”) |
Cereais matinais Barras de cereais Tofu (pode conter caseína) Molhos cremosos Sopas prontas / instantâneas cremosas Alguns pães Atum / sardinha enlatada Frios (presunto, mortadela, e similares) Patês (pode conter caseína) Salsichas (pode conter proteínas do leite) Salames (pode conter proteínas do leite) |
Importante: Lembre-se que estas listas não são completas e os ingredientes dos produtos podem ser alterados a qualquer momento pelos fabricantes.
Referências:
Em alguns casos é para sempre sim (como na maioria dos casos de alergia ao amendoim, nozes, frutos do mar e morango). Mas em muitos casos a criança desenvolve tolerância clínica ao alimento, podendo voltar a consumi-lo sem problemas (maioria dos casos de alergia a leite). O momento mais adequado para testar de novo o alimento (quando necessário) é definido pelo seu médico. Algumas vezes este teste conhecido como teste da provocação deve ser realizado com a criança internada, sob supervisão médica.
Neste momento ainda não existem estudos conclusivos indicando que a dieta materna durante a gravidez ou a restrição de determinados alimentos irá prevenir a apresentação de alergia alimentar.
Atualmente, a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica (2008) recomendam que crianças com alto risco de alergia alimentar (forte antecedente familiar) sejam alimentadas com leite materno exclusivo até os 6 meses. Não há evidências que a restrição alimentar na gravidez impeça a sensibilização através do leite materno.
Existem alguns estudos que mostram que crianças com forte história familiar de alergia e que por algum motivo não podem receber o leite materno se beneficiem de fórmula infantil hidrolisada ou fórmulas de aminoácidos (leite especial).
Existem ainda algumas substâncias denominadas probióticos que parecem ter algum benefício em situações particulares (mãe lactante com forte histórico familiar de alergia). No entanto, são necessários mais estudos para sua ampla recomendação.
A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são duas condições clínicas diferentes, que não devem ser confundidas pelos pais, embora frequentemente isso aconteça.
Deve-se ser cauteloso com o diagnóstico de alergia ao leite de vaca, pois se cria um estigma devido à importante alteração na dieta das crianças.
Saiba mais sobre o TESTE DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE pelo hidrogênio expirado e agende seu exame. Para mais informações envie um e-mail para o Dr. Magno Veras.
A alergia ao leite de vaca é decorrente de uma resposta imunológica do intestino às proteínas do leite de vaca, que são reconhecidas como substâncias estranhas ao organismo, desencadeando a produção de anticorpos. Pode ser caracterizada por sintomas gastrointestinais, respiratórios e/ou dermatológicos. São eles: vômitos, diarréia, sangramento intestinal, constipação intestinal, cólicas, irritabilidade, anemia, dificuldade de ganho de peso, asma, otite, urticária, etc.
Para o diagnóstico, podem ser utilizados alguns testes laboratoriais e testes alérgicos cutâneos. No entanto, estes podem ser negativos, mesmo em reações alérgicas intensas. Em alguns casos, é necessária a realização de biópsia intestinal. Na verdade, a forma mais comum de fazer o diagnóstico é o teste terapêutico, através da utilização de fórmulas lácteas consideradas hipoalergênicas.
Em alguns casos de alergia à proteína do leite de vaca, a soja pode ser indicada, mas existem outras situações em que há reações “cruzadas” com outros alimentos. Portanto, para cada situação, há uma orientação alimentar específica. É importante ressaltar que o leite de cabra não é uma opção terapêutica para alergia ao leite de vaca. Além disso, é essecial a suspensão de todos os derivados do leite de vaca da dieta do paciente, lembrando que a alergia é um processo qualitativo e independe da quantidade da substância ingerida, ou seja, pequenas quantidades de leite de vaca ou seus derivados podem desencadear as mesmas reações alérgicas.
A intolerância à lactose caracteriza-se por uma deficiência de uma enzima chamada lactase (produzida no intestino), responsável pela digestão da lactose, que é um açúcar presente no leite de vaca e seus derivados.
Sem a enzima lactase ou com pouca lactase no intestino, o açúcar lactose pode não ser bem digerido e é fermentado pelas bactérias habitantes do intestino grosso, "puxando a água" e levando à diarréia e à maior produção de gases (cólica, desconforto ou distensão abdominal).
A intolerância à lactose pode ser primária ou congênita, na qual ocorre ausência total ou parcial da produção de lactase. O mais comum, no entanto, é que ocorra a diminuição gradativa da lactase no decorrer da infância, mantendo-se uma pequena produção da enzima em proporções variáveis, quando a criança (ou o adulto) é capaz de tolerar menores quantidades dos produtos que contém leite de vaca e derivados. O tratamento é realizado através da utilização de fórmulas lácteas à base de leite de vaca que não contenham lactose, ou através de fórmulas de soja. Para os indivíduos com intolerância parcial à lactose, existem leites com baixa lactose. É possível também, para os amantes incondicionais do leite, a ingestão da lactase.
É importante lembrar que a intolerância à lactose (IL) afeta as pessoas em diferentes níveis. Sendo assim, cada pessoa poderá digerir mais ou menos lactose, dependendo do grau de intolerância que possui. Para aquelas pessoas que possuem uma intolerância leve, é importante entender quais produtos possuem maior porcentagem de lactose. Desta forma fica mais fácil saber o que você poderá eventualmente incluir em sua alimentação sem sofrer com os sintomas da IL.
Algumas dicas importantes que você deve saber:
| Contém lactose | Contém baixo teor de lactose | Sem lactose |
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Além dos leites de soja, algumas empresas estão produzindo leites com baixo teor de lactose.
Enquanto 1 litro de leite comum possui em média 4,9g de lactose, os leites com baixo teor de lactose possuem apenas 1g, quantidade digerível por muitas pessoas que possuem IL. Para as pessoas que não gostam do sabor da soja, os leites com baixo teor de lactose possuem grande vantagem, pois além de você ingerir os mesmos nutrientes do leite comum, o sabor fica inalterado. Entre as marcas mais conhecidas estão:
Lembremos que crianças menores de 2 anos não devem ser alimentadas com leites semi-desnatados ou desnatados. Nestes casos, caso necessário, devemos utilizar as fórmulas infantis sem lactose (fórmulas de soja, NAN sem lactose, Aptamil sem lactose, Enfamil sem lactose) pois são nutricionalmente mais completas. Observe que a maioria dos leites sem lactose são semi-desnatados (menos gordura).
A procura por cápsulas de enzima lactase tem crescido consideravelmente no Brasil. É cada vez maior o número de pessoas que procuram seus médicos, fazem os exames e acabam descobrindo que os sintomas indesejáveis com os quais conviviam eram na verdade conseqüência de uma intolerância à lactose.
Uma excelente alternativa para quem tem maior dificuldade de se adaptar a novos hábitos alimentares é o uso de cápsulas de lactase. Entretanto, só é possível adquirir a enzima através da importação do produto (Lactaid Fast Act e outros) ou em farmácias de manipulação. Desvantagem da enzima manipulada é o fato que esta deve ser mantida sob refrigeração, o que impede que se coloque as cápsulas no bolso para levá-las aonde formos.
O melhor exame para diagnóstico é o teste do hidrogênio expirado, realizado de maneira simples, sem picadas ou agulhas. Este exame está disponível na MonPetit.
Para mais informações envie um e-mail para o Dr. Magno Veras.
Não ha firme evidência de que o que você come possa verdadeiramente causar Doença Inflamatória Intestinal (DII). Mas certos alimentos ou bebidas podem agravar os seus sintomas, especialmente durante a recorrência da doença. Algumas pessoas com colite ulcerativa necessitam restringir sua dieta todo o tempo, outras somente por algum tempo. Para um número reduzido de pessoas a dieta não faz nenhuma diferença. Assim, lembre-se que cada pessoa pode apresentar uma intolerância alimentar diferente e, portanto, não há uma dieta rígida a ser seguida.
Como acontece com todos nós a alimentação e o estilo de vida podem fazer toda a diferença, principalmente na vida das pessoas com retocolite.
É uma boa idéia tentar eliminar de sua dieta qualquer coisa que possa piorar os seus sintomas. Aqui estão algumas sugestões que podem ajudar:
Preste atenção ao seu intestino...
Se você começar a perder peso ou se a sua dieta está começando a ficar muito limitada, fale com um nutricionista.
Esistem dois tipos de fibras: solúveis (devem ser consumidas) e insolúveis (devem ser evitadas em pessoas com retocolite).
Insolúveis: pães integrais, casca de maça e uva, pipoca, farelo de trigo, brócolis, repolho, etc. Estas fibras não são digeridas e chegam ao cólon intactas podendo aderir à mucosa inflamada e agravar os sintomas. De modo geral tudo que chega às fezes em partículas não digeridas é considerado fibra insolúvel.
Solúveis: corpo das frutas (maça e pêra), vegetais cozidos (batata e cenoura), arroz. Podem até ajudar na colite
Óleo de peixe: benéficos para a colite (sardinhas principalmente)
Embora estresse não possa causar DII, ele pode fazer com que seus sintomas fiquem muito piores e pode desencadear uma recaída. Eventos estressantes podem ser desde uma pequena incomodação até algo pior.
Quando você está sob estresse, seu processo digestivo normal muda. Seu estômago se esvazia mais lentamente e secreta mais ácido. Estresse pode também acelerar ou diminuir a passagem de fezes através de seu intestino. Isso pode, também, por si só, causar mudanças no tecido intestinal.
Embora nem sempre seja possível evitar o estresse, você pode aprender técnicas que ajudem a manejá-lo. Algumas dessas estratégias incluem:
Exercício. Mesmo exercícios leves podem ajudar a reduzir estresse, aliviar a depressão e normalizar a função do intestino.
Yoga, hipnose, meditação, controle da respiração, artes marciais: são algumas das práticas praticados por pessoas com retocolite e que ajudam muito no controle da doença.
Aprender a evitar alimentos pode dar-lhe um melhor controle de sua doença e permitir uma maior liberdade para desfrutar de uma vida ativa. Apesar do fato não há nenhuma prova científica, muitas pessoas com colite ulcerativa descobriram que um ou mais dos seguintes alimentos podem desencadear seus sintomas:
Alimentos que normalmente não causam “problemas” nas pessoas com DII:
Dica de livro de "dietas" para retocolite: www.colitiscookbook.com
Para mais listas de alimentos:
www.crohnszone.org/lowfibre.html
www.ulcerativecolitis.org.uk
A palavra endoscopia significa "olhar dentro". A endoscopia é um teste diagnóstico desenhado para avaliar a superfície interna do trato gastrointestinal alto, e inclui:
O teste é realizado com um instrumento especial, chamado endoscópio. Um tubo longo e fino, com uma luz brilhante na extremidade e uma câmera de alta definição que transmite as imagens do interior do trato digestivo para um monitor, onde o médico interpreta as imagens, fotografa e realiza biópsias se necessário.
A prioridade é fazer o exame de maneira segura, com o máximo de conforto e gerando o mínimo de ansiedade aos pais e a criança.
Para cumprir com estes objetivos o exame deve ser realizado sempre observando os seguintes aspectos:
A endoscopia digestiva em crianças é um procedimento rápido e seguro, sem desconforto para a criança desde que observados todos os requisitos listados acima.
Em Belo Horizonte, o Hospital Mater Dei oferece todas estas condições, sendo o local ideal para realização da endoscopia digestiva alta na criança e no adolescente quando indicado.
O teste é realizado sob anestesia ou sedação, dependendo das necessidades da criança e da natureza do procedimento.
Durante a maioria dos procedimentos são realizadas biópsias. A biópsia significa retirar um minúsculo fragmento da mucosa para que seja avaliada através do microscópio por um médico patologista. A biópsia é indolor e ocorre um sangramento mínimo e limitado.
Dentre as indicações de endoscopia digestiva alta nas crianças, a mais freqüente é a dor abdominal recorrente, sendo realizada quando se suspeita de uma etiologia orgânica, e outras causas já foram excluídas.
Vômitos persistentes, de causa inexplicada, também correspondem à outra indicação de endoscopia, especialmente quando sugere doença péptica, inflamatória ou obstrutiva intrínseca do tubo digestivo alto.
A endoscopia é de grande valor na investigação e tratamento do sangramento intestinal, uma vez que além de diagnosticar o sítio de sangramento, permite tratar a maior parte das lesões sangrantes.
Este exame também é solicitado em unidades de emergência nos casos de ingestão de pequenos objetos, principalmente moedas em crianças pequenas. Situação que traz muita ansiedade para os pais.
Já a colonoscopia é extremamente útil na avaliação das inflamações do intestino (colites), na investigação de sangramento vivo ou oculto, e na suspeita de pólipos (pequenas "verrugas" no intestino). A indicação mais freqüente em pediatria é o sangramento retal, e sua causa varia conforme a faixa etária.
São muito poucas as contra-indicações para a endoscopia pediátrica. Uma vez sendo realizada com a aparelhagem adequada e por um profissional treinado, pode ser feita até em recém nascidos e prematuros. As contra-indicações estão mais relacionadas com as condições clínicas da criança. As complicações são raras.
A colonoscopia é o exame que avalia o intestino grosso e o final do intestino delgado. É realizada com as mesmas condições da endoscopia alta, no entanto, o endoscópio de calibre adequado é passado através do ânus. Exige um preparo adequado antes do exame para “limpeza” do intestino. Este preparo é individualizado e depende da idade e das condições clínicas da criança.
Os pais entram com a criança ou o adolescente na sala de endoscopia e permanecem junto com a mesma, segurando sua mão até a criança dormir ou até o anestesista avaliar como o momento mais adequado.
Assim que o exame termina o médico pessoalmente avisa os pais na sala de espera e adianta o resultado, caso avalie como pertinente.
Antes de a criança acordar os pais são chamados para permanecer juntos com a mesma de modo que a sensação que a criança tem é que os pais não saíram de perto, trazendo segurança, conforto e diminuindo a ansiedade da criança.
São muito poucos os pacientes que possuem complicações sérias e inesperadas durante ou após a endoscopia diagnóstica. A maioria dos pacientes têm uma dor de garganta leve e um pequeno sangramento na região das biópsias. Este sangramento é auto limitado e não é visível, a menos que o paciente vomite, o que não é comum. Raramente acontece um sangramento maior, podendo então ser necessária nova endoscopia para cauterização da área.
Perfuração é uma complicação rara e séria que requer internação, antibióticos e numa minoria das vezes cirurgia. A perfuração ocorre com maior freqüência durante procedimentos terapêuticos, mas ainda assim é rara.
A anestesia também possui seus riscos. Reações alérgicas, tosse, chiado no peito e rouquidão são possíveis. Os pais terão a oportunidade de discutir os aspectos específicos da anestesia com o médico anestesista antes do exame.
Por isso é muito importante que o exame seja realizado em ambiente hospitalar com todos os recursos disponíveis para tratar de imediato qualquer complicação.
Sob anestesia ou sedação a criança não sente absolutamente nenhuma dor e não se recorda de nada relativo à endoscopia. Após o paciente acordar pode sentir uma leve dor de garganta e um pouco de dor abdominal pois o médico injeta ar no estômago para melhor visualização.
O paciente fica na sala de endoscopia por 20 a 40 minutos para a endoscopia alta e por 30 a 120 minutos para a colonoscopia. O tempo de realização do exame é, no entanto, menor.
No “day-hospital” (segundo andar do bloco novo) do Hospital Mater Dei. Para mais informações contactar a secretaria de endoscopia pelo telefone: (31) 3339-9279
A criança permanece na sala de recuperação até passar o efeito da anestesia ou sedação, quando irá para a casa. Neste momento o médico entrega e explica o laudo e as fotografias para os pais que deverão entregar o resultado para o pediatra que solicitou o exame.
O médico irá lhe informar se há necessidade de uma dieta especial após o exame.
Atividade normal é permitida quando o efeito da anestesia passar e a criança pode ir à escola normalmente no dia seguinte.
Antes do procedimento, as instruções serão dadas pelo médico. Estas informações se referem ao tempo de jejum e à necessidade de interrupção do uso de medicações. No caso da colonoscopia, serão fornecidos detalhes sobre a “limpeza” do intestino que deve ser realizada antes do exame.
Nos casos de colonoscopia é sempre necessária uma consulta prévia.
Caso seja de interesse dos pais, poderá ser realizada uma visita prévia ao local acompanhada pelo médico que realizará o exame.
A secretaria de endoscopia funciona em horário comercial para agendamento dos exames (31-33399279).
Caso seja necessária mudança de horário ou cancelamento do exame favor entrar em contato. Caso a criança apresente febre ou tosse na semana que precede o exame, o mesmo deverá ser reagendado para outro momento.
Devemos entender como constipação intestinal crônica a dificuldade de evacuar ou diminuição da freqüência das evacuações. As fezes podem ser endurecidas, ressecadas, volumosas chegando a entupir o vaso sanitário, e até acompanhadas de sangramento intestinal em forma de raias de sangue, devido à formação de fissura anal. Pode ocorrer ainda um escape fecal caracterizado por uma "pasta escura" de fezes e com odor muito ruim na cueca ou na calcinha da criança. Este quadro às vezes é confundido com diarréia.
É importante lembrar que o bebê nos primeiros meses de vida pode apresentar um intervalo entre as evacuações de alguns dias, sem ser portador de constipação intestinal, desde que ele evacue fezes amolecidas, pastosas sem a presença de sangue e dor ao evacuar, o intervalo não importa e pode chegar até a 10 dias.
A constipação intestinal, na grande maioria das vezes, é de causa funcional por distúrbio da motilidade intestinal, e não como se acreditava anteriormente determinada unicamente por problemas emocionais. Na verdade, estes podem exacerbar o quadro.
Algumas doenças orgânicas também podem levar a constipação intestinal como o megacolon congênito ( doença de Hirschsprung), hipotireoidismo, estenose retal e ânus anteriorizado.
Não. Esta é uma área onde existem muitos mitos e onde parentes, vizinhos e amigos sempre procuram dar sua "receita" para melhora dos sintomas da criança. Apenas o pediatra do seu filho poderá orientar a melhor conduta e evitar um prejuízo e estresse ainda maior para a família.
É muito importante o acompanhamento do pediatra ou do gastroenterologista pediátrico que deverá orientar as medidas dietéticas e comportamentais a serem seguidas e que deverão ser individualizadas para cada criança. A maioria dos casos evolui com sucesso.
Os laxantes devem ser usados sempre sob orientação médica, já que muitos deles podem ser prejudiciais. Algumas vezes é necessária a realização de lavagens intestinais na presença de fecaloma (impactação de massa de fezes no reto).
O refluxo gastroesofágico (RGE) caracteriza-se pelo fluxo retrógrado (que volta) e involuntário do conteúdo do estômago para o esôfago.
O RGE é reconhecido como fenômeno fisiológico, normal, que ocorre ocasionalmente no ser humano, especialmente após alimentações e é muito freqüente em crianças menores de 1 ano.
O RGE fisiológico, também chamado de regurgitação infantil caracteriza-se por episódios de refluxos, sem qualquer transtorno maior para a saúde da criança. Normalmente ocorrem em crianças que além das regurgitações não apresentam nenhum sinal de agravo à saúde e nenhuma conseqüência negativa ao seu desenvolvimento (perda de peso, anemia, dor, chiado no peito, tosse crônica, perda da respiração, engasgos, etc). A tendência é de melhora aos 18 meses de idade.
Hoje existe uma grande preocupação com a excessiva solicitação de exames e o excesso de prescrição de medicamentos ou mudanças de dieta para as crianças que regurgitam. Se a criança não é conduzida de forma adequada (supervalorização ou subvalorização do diagnóstico), isso pode trazer prejuízo à sua saúde.
Por outro lado, quando o refluxo gastroesofágico está associado a sinais e sintomas que interferem com a qualidade de vida de seu filho é denominado Doença do Refluxo Gastroesofágico - DRGE (pode estar associado a engasgos, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragia digestiva, cianose, apnéia, pneumonias de repetição, chiado, asma, rouquidão, anemia, etc.).
Quando presente a DRGE é necessário determinar se a doença é primária (sem doença subjacente) ou secundária (com alterações estruturais, metabólicas, infecciosas, neurológicas ou alérgicas que podem ser responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago).
As crianças com RGE devem ser acompanhadas durante toda a infância, pois embora parte delas irá cessar os sintomas, outras continuarão com os mesmos, ou ainda apresentarão outras alterações clínicas associadas ao refluxo.
Quanto ao tratamento, é importante ressaltar que não vai curar o RGE e sim evitar as complicações. O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso
O refluxo considerado doença (refluxo patológico ou doença do refluxo gastroesofágico) pode apresentar repercussões clínicas como déficit do crescimento e peso, dor abdominal, irritabilidade, recusa alimentar, hemorragias digestivas, chiado no peito, tosse crônica, pneumonias de repetição ou complicações relacionadas ao nariz, ouvido, seios da face e garganta.
A distinção entre refluxo fisiológico e patológico exige habilidade no diagnóstico e atenção na escolha do tratamento mais adequado a cada caso, e deve ser sempre avaliado pelo seu pediatra.
Entre as crianças que apresentam regurgitações com freqüência preocupante para os pais, apenas 2% necessitarão de investigação.
Nas primeiras semanas de vida, muitos bebês normais regurgitam uma ou mais vezes por dia, pouco tempo após a alimentação. A regurgitação fisiológica, normal, ocorre quando a criança não apresenta outros sintomas, a evolução do ganho de peso é normal e a diminuição gradativa das regurgitações ocorre ao longo do tempo, cessando por volta dos sete a oito meses de idade.
A abordagem diagnóstica do lactente com queixa de regurgitações freqüentes deve ser realizada, inicialmente, verificando-se a experiência materna com a alimentação do bebê. Em seguida, procura-se identificar, pela história e observação da amamentação da criança durante a consulta, se as seguintes situações, que podem causar regurgitação e vômitos, estão presentes: (1) aquelas que favorecem a ingestão excessiva de ar antes ou durante as mamadas como choro intenso, ou orifício do bico da mamadeira muito grande ou muito pequeno; (2) se o lactente em aleitamento artificial, especialmente no primeiro mês de vida, recebe excesso de leite em cada mamada; (3) se a criança é muito manipulada após as mamadas e (4) se o bebê não é colocado para arrotar após as mamadas. Durante os primeiros seis meses de vida, a criança respira durante a sucção e, conseqüentemente, ocorre preenchimento da orofaringe com ar, o qual é levado junto com o alimento para o esôfago e estômago. Esse fato explica a necessidade da criança de arrotar, sendo necessário mantê-la alguns minutos levantada, na posição vertical, após as mamadas. Se a criança é colocada na posição deitada imediatamente após ter mamado, a expulsão do ar por meio do arroto pode causar regurgitação do leite. Esse padrão geralmente cessa a partir dos seis meses de idade, quando a respiração e a sucção passam a ocorrer de forma alternada.
Não existem tipos de refluxo, mas sim uma classificação que busca nos orientar quanto às diversas manifestações clínicas e seu prognóstico.
O refluxo fisiológico (normal) é mais comum nos primeiros meses de vida. As regurgitações pós-alimentares apresentam resolução espontânea, na maioria dos casos, até um a dois anos de idade. O crescimento da criança é normal, e não há outros sintomas ou complicações associadas. A freqüência das regurgitações diminui após seis meses de idade, coincidindo com a introdução de dieta sólida (sopinhas) e adoção de postura corporal mais ereta (mais assentadinha) pela criança.
Suspeita-se de refluxo patológico quando os vômitos e regurgitações persistem de modo significativo após os seis meses de idade, não respondem às medidas de postura e dietéticas, e quando estão presentes repercussões clínicas como parada do crescimento, perda de peso ou sintomas e sinais sugestivos de inflamação do esôfago (esofagite), principalmente irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, e dificuldade para dormir em lactentes pequenos.
O refluxo é denominado oculto quando manifestações respiratórias, otorrinolaringológicas ou indicativas de esofagite ocorrem na ausência de vômitos e regurgitações.
Refluxo primário resulta da disfunção entre a união do esôfago com o estômago, facilitando as regurgitações e vômitos.
O refluxo secundário ocorre como conseqüência de outras doenças, tais como estreitamento congênito do esôfago, comunicação entre a traquéia e o esôfago, distúrbios da deglutição, alergia ao leite de vaca, infecção urinária, parasitoses intestinais (vermes), fibrose cística, doenças neurológicas entre outras que são responsáveis pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago.
Dependendo da idade de início dos sintomas, o refluxo pode ter vários significados e cursos clínicos distintos.
Em lactentes (até os 2 anos de idade) a suspeita de inflamação no esôfago (esofagite) ocorre quando há choro excessivo, irritabilidade, distúrbios do sono, agitação e recusa da dieta (a criança passa a ter medo de alimentar-se e sentir dor).
A criança maior pode queixar-se de queimação sobre o estômago, dor no peito, dor abdominal, dor durante a alimentação e excesso de salivação. O refluxo do adolescente pode ser um prolongamento da primeira, ou aparecer mais tardiamente; tem sintomas persistentes e, quase sempre, necessita de tratamento.
Outras manifestações clínicas do refluxo são: ruminação (ficar com movimentos mastigatórios contínuos), disfagia (dificuldade de alimentar-se), arrotos, soluços, anemia e sangramentos; chiados no peito de repetição, pneumonias de repetição, laringites, sinusites, infecções do ouvido de repetição e outras.
O refluxo tem sido associado a vários outros acontecimentos na vida da criança, como morte súbita do lactente, soluços, rouquidão e erosão dentária. Como pode ser constatado, somente o médico poderá fazer o diagnóstico diferencial entre tantas condições clínicas apresentadas pela criança que vomita.
Somente os lactentes e crianças que apresentam sinais e sintomas clínicos sugestivos de complicações de refluxo gastroesofágico deverão ser submetidos à investigação diagnóstica. Em muitos casos não é necessária a realização de exames. Apenas através de uma consulta detalhada e cuidadosa e um exame físico completo é possível estabelecer o tratamento mais adequado para seu filho.
Não existe um único exame que possa confirmar o diagnóstico de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), na maioria das vezes eles são complementares.
Exames disponíveis para investigação:
A orientação aos pais é de fundamental importância. Eles devem conhecer a evolução do refluxo, suas principais conseqüências, o tempo de evolução e cura, bem como a importância do seguimento periódico de seu filho. Algumas vezes, somente com a orientação adequada, a freqüência das regurgitações e vômitos chega a diminuir.
O tratamento é dividido em medidas posturais, dietéticas e tratamento medicamentoso.
As modificações dietéticas propostas para reduzir os episódios de refluxo devem respeitar as necessidades nutricionais da criança. O espessamento da mamadeira tem maior eficácia para alívio das regurgitações.
Alimentos e medicamentos que diminuem o tônus da junção entre o estômago e o esôfago ou aumentem a acidez gástrica devem ser evitados. Como, por exemplo, alimentos gordurosos, frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, etc), tomates, café, álcool, fumo (inclusive fumantes passivos, como as crianças); e alguns medicamentos, devem ser evitados.
Recomenda-se, em geral, cabeceira do berço ou da cama elevada a 30 graus e manutenção da criança ereta (quase em pé) no período pós-alimentação.
Cabe ao seu pediatra avaliar qual a medicação mais adequada para seu filho. Entre as medicações disponíveis para o uso estão: domperidona, metoclopramida, bromoprida, eritromicina, inibidores H2 e os bloqueadores da bomba de prótons. Hoje, excepcionalmente a cirurgia está indicada.
Qualquer dor localizada no abdome da criança e que se repete com freqüência, causando preocupação aos pais. No mundo científico é definida como três ou mais episódios de dores no abdome, pelo menos nos últimos três meses, intensos o suficiente para prejudicar o dia-a-dia da criança, de alguma maneira, durante o período em que estiver sentindo dor.
Pode ser devido à doença orgânica ou funcional. São inúmeras as doenças orgânicas que podem causar estas dores (ex: alergias alimentares, doença celíaca, intolerância a lactose, vermes, câncer, pedra na vesícula e rins, doenças do pâncreas, etc...). Em mais de 90% dos casos, no entanto, a dor é funcional. Nestes casos as crianças relatam a dor, mas todos os estudos e exames que forem feitos sobre a criança irão se mostrar normais, sem ela apresentar qualquer indício de doença orgânica que cause a dor.
A dor funcional é aquela que a pessoa sente, mas que os médicos não encontram uma causa específica. Diversos fatores são implicados no surgimento deste tipo de dor. Muitos estudos realizados com pacientes mostram que estas pessoas possuem uma maior facilidade para experimentar sensações dolorosas frente a alguns problemas, e que a distensão intestinal nestas pessoas também se apresenta mais dolorosa quando comparados níveis semelhantes de estímulo entre pessoas “normais”.
Os receptores de dor destas crianças são mais sensíveis aos estímulos dolorosos e também os mecanismos centrais de modulação da dor agem de forma incompleta no bloqueio de sensações dolorosas de menor intensidade e importância. Por enquanto, os exames que mostram estas alterações somente estão presentes em centros especializados, nos Estados Unidos e Europa. É importante ressaltar que a criança sente uma dor verdadeira, e não está mentindo ou chamando a atenção.
Primeiro, porque é muito frequente. Em segundo lugar, causam muita angústia aos pais que não sabem como lidar com as dores de seu filho (tem períodos que relevam mais a dor e períodos em que voltam ficar preocupados) e acabam por gerar uma infinidade de exames, induzindo a família a longas jornadas de investigação e mudanças frequentes de médicos.
Na Dor Abdominal Recorrente Funcional podem ser percebidas três formas de manifestações, uma com dor periumbilical (em volta do umbigo) clássica, na qual a criança apresenta em geral apenas os episódios de dor periumbilical, que podem durar de alguns minutos a horas ou dias, não são encontrados outros sinais de acometimento sistêmico, e o exame físico do paciente é em geral normal.
No segundo tipo, dispéptico, os pacientes podem apresentam vômitos, náuseas, gases e sensação de queimação com localização mais epigástrica porém também periumbilical. A dor piora com o jejum, melhorando com a alimentação.
Já na Dor Abdominal Recorrente Funcional com dismotilidade intestinal, a dor em geral se localiza na porção inferior do abdome. Pode ocorrer diarréia ou constipação, ocorrendo alívio dos sintomas com o ato de evacuar.
Não, mas pode gerar grande desconforto para a criança e afetar significativamente o seu dia a dia, levando muita angústia aos pais e até aos pediatras.
Somente o seu médico poderá dizer com segurança se a dor é funcional ou não. É imprescindível um bom tempo de consulta ou consultas e, dependendo do caso, são necessários alguns exames complementares, que podem ser poucos ou muitos. A necessidade destes exames é variável. Somente após esta avaliação o seu médico poderá fazer o diagnóstico de certeza.
Há sinais e sintomas de alerta que sugerem origem orgânica para os episódios isolados de dor abdominal, tais como perda de peso, desaceleração do crescimento, dor distante da região umbilical, manifestações extra-intestinais (febre, erupções na pele, dor articular, aftas recorrentes e dificuldade para urinar), presença de sangue nas fezes, diarréia crônica, anemia, “exames de sangue” alterados e história familiar de doença ulcerosa ou inflamatória do tubo digestivo. A presença dessas alterações, associadas a outras mais específicas de cada causa orgânica, orienta para a realização de exames mais específicos.
Sim. Em primeiro lugar, o diagnóstico deve dado apenas pelo médico após os exames que ele julgar necessários. Uma vez concluída a investigação o médico iniciará o tratamento que inclui: medidas comportamentais, explicação exata da doença, orientação acerca dos sinais de alerta, técnicas para diminuir a intensidade da dor e algumas vezes até medicamentos placebos.
A criança deve fazer consultas periódicas, principalmente nos primeiros 6 meses, para que sejam reforçados e esclarecidos os conceitos de Dor Abdominal Recorrente Funcional e as maneiras de lidar com a dor. Verificam-se nesses encontros se ainda estão presentes os ganhos secundários, sinais e sintomas de alerta ou outros achados que sugiram doença orgânica.
A maioria das crianças melhoram após 3 meses de consultas. Grande parte dos pais se despreocupam definitivamente e vivem melhor e mais tranqüilos...
Mesmo com esta abordagem, algumas crianças apresentarão dores por até cinco anos após o diagnóstico, e outras levarão queixas de dor, além da Dor Abdominal Recorrente Funcional, até a vida adulta, como enxaquecas e dores nas costas.
