Clínica pediátrica Mon Petit

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Sheila Mariano

Sheila Mariano

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2002,logo em seguida fez 2 anos de residência médica de Pediatria e mais 2 anos de neurológia pediátrica no Hospital Infantil João Paulo II, antigo Centro Geral de Pediatria, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).

Em 2005 obteve o título de especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Devido ao interesse particular pelos Erros Inatos do Metabolismo, em 2006 fez estágio no serviço de genética médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência no país em estudos, diagnóstico e tratamento deste grupo de doenças.

Atualmente é neuropediatra concursada da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, atua ainda como interconsultora de neurologia pediátrica no Hospital Mater Dei e Hospital Infantil Sâo Camilo.

Na Monpetit atua como neuropediatra e estabelece contato fora da clínica com diversos profissionais da área médica e de reabiliatação.

A Neurologia pediátrica

A neurologia pediátrica é a parte da medicina que se dedica ao estudo do desenvolvimento do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), bem como dos nervos periféricos e músculos, desde o período fetal até a adolescência.

Envolve conhecimentos e habilidades específicas para efetuar o diagnóstico correto de doenças que se manifestam com atraso ou regressão do desenvolvimento neuropsicomotor.

O neuropediatra é o profissional mais indicado para tratar as crises convulsivas febris ou decorrentes de epilepsia. O principal objetivo é o controle total das crises. Este profissional também indica os exames necessários em cada caso para tentar estabelecer a causa da epilepsia, que pode ser genética, devido a síndromes epilépticas específicas da infância, malformações cerebrais, outras doenças do sistema nervoso ou não ter uma causa aparente.

Também são áreas de atuação do neuropediatra as cefaléias (dores de cabeça), meningites, tumores cerebrais e medulares, distúrbios do movimento (como por exemplo, coréia, tremores, tiques), doenças neuromusculares e os erros inatos do metabolismo.

Os erros inatos do metabolismo (ou doenças metabólicas) são causados pelo acúmulo ou deficiência de certas substâncias no organismo e com freqüência se manifestam por sinais e sintomas neurológicos. O diagnóstico deste grupo de doenças tem crescido junto com o avanço das técnicas laboratoriais.

Citam-se ainda o retardo mental, os distúrbios da aprendizagem e os distúrbios comportamentais, particularmente o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que constituem fronteira com a psiquiatria infantil, além da encefalopatia não progressiva da infância (paralisia cerebral). Aqui a função do neuropediatra é estabelecer as prioridades do tratamento multidisciplinar (fisiatria, ortopedia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia), orientando qual ou quais os profissionais mais indicados para atender as necessidades de cada criança e avaliar os resultados.

Neste contexto que abrange algumas doenças graves, o diagnóstico correto e a instituição precoce do tratamento podem evitar seqüelas. E mesmo naquelas doenças que ainda não possuem um tratamento eficaz ou que as seqüelas já estão instaladas sempre existem ferramentas que proporcionam uma melhor qualidade de vida ou tornam as deficiências apenas uma limitação e não um impedimento para uma vida próxima do normal.

Orientaçoes

  • O que fazer diante de uma crise convulsiva?
    • Presenciar uma crise convulsiva é algo que impressiona a maioria das pessoas. Para quem assiste é importante, acima de tudo, manter a calma e ter consciência de que não "pega". Conheça abaixo algumas medidas práticas:

      1. Coloque a pessoa no chão para evitar que ela caia.
      2. Remova da área objetos perigosos que possam ferí-la.
      3. Afrouxe as roupas.
      4. Vire a cabeça para um lado, pois isso deixa a saliva fluir, facilita a respiração e evita que a pessoa sufoque ou aspire as secreções.
      5. Não tente fazê-la voltar a si dando-lhe água para beber.
      6. Não tente conter os movimentos.
      7. Fique ao lado da pessoa até que sua respiração volte ao normal. Algumas pessoas ficam sonolentas ou confusas após a crise.
      8. A maioria das crises é de curta duração, mas se prolongar ou se forem repetidas leve a pessoa ao serviço de urgência mais próximo.
      9. Em caso de febre, coloque no banho imediatamente e dê um antitérmico, de preferência dipirona. Se necessário, em caso de febre persistente, intercale outros antitérmicos.
  • Em que situações a pessoa que tem dores de cabeça deve procurar o neurologista?
    • Quando a dor de cabeça for a mais intensa que a pessoa já teve, for acompanhada de sinais neurológicos como dormência ou diminuição da força em um lado do corpo, visão dupla ou sintomas como febre alta, pescoço duro, vômitos "em jato" (súbitos e sem enjôo) , quando mudar de características, piorar progressivamente em freqüência ou intensidade, apresentar sinais e sintomas que antes não ocorriam, acordar durante noite por causa da dor, consumir analgésicos mais de uma vez por semana ou a dor não melhorar com os analgésicos comuns.

  • O que fazer quando a criança bate a cabeça?
    • Quedas e pequenos traumas na cabeça são freqüentes na infância por causa do excesso de atividade física natural desta faixa etária. Aquele inchaço local (conhecido como “galo”) muitas vezes assusta, mas é um sinal externo, da pele, tecido subcutâneo e couro cabeludo.

      Os sinais de alerta para lesão cerebral são:

      1. Sonolência ou dificuldade para acordar (pode deixar dormir, entretanto acorde a criança algumas vezes à noite, converse com ela e veja se está orientada)
      2. Náuseas ou vômitos persistentes
      3. Convulsões, desmaios.
      4. Sangramento ou saída de líquido aquoso pelo nariz ou ouvido
      5. Dor de cabeça muito forte, que não melhora com dipirona ou paracetamol.É comum uma dor leve no local da batida.
      6. Perda de força em braços ou pernas
      7. Comportamento estranho ou confusão mental.
      8. Nas situações acima a criança deverá ser levada a um serviço de urgência imediatamente.

  • Orientações para insônia
      1. Ambiente calmo, tranqüilo, arejado, sem luzes, nenhum som ou ruído, mesmo que você ache que sejam “leves” e “facilitem” o sono. Colchão, travesseiro e cobertores adequados.
      2. Um banho morno é aconselhável antes de dormir, evitar banho muito frio ou muito quente.
      3. Evitar, à noite, o uso de bebidas ou comidas “pesadas”, muito temperadas ou condimentadas, e estimulantes (café, coca-cola, guaraná, chá preto). Prefira um leite morno ou chás calmantes (camomila, erva cidreira...).
      4. Não dormir com fome. Alimentar-se 1 a 2 horas antes de dormir.
      5. Evitar o uso de sedativos, pois alteram o ritmo de sono e muitas vezes causam dependência.
      6. Evitar atividades estressantes ou pesadas antes de dormir. Evite ficar em frente ao computador até tarde. Não deixar as crianças assistirem programas de TV que contenham cenas violentas ou que possam assustá-las.
      7. Não cochilar em sofás e poltronas. Deve-se dormir somente na cama. E só ir para cama quando estiver com muito sono.Nunca deitar para “ver se dorme”.
      8. Atividade física e tomar sol em horários apropriados (antes das 10:00 e depois das 16:00h) promove a saúde e ajuda a regular o ritmo de sono.
      9. As pessoas têm necessidades de sono diferentes. Calcule quantas horas de sono VOCÊ precisa. Após ter “regulado” seu sono, procure manter as recomendações e reservar um horário aproximado para ir dormir, ou “repôr” esse número de horas, se precisar ficar acordado após este horário (numa festa, por exemplo).
      10. Lactentes: a introdução do jantar diminui a necessidade de acordar à noite para mamar. Pode-se oferecer uma mamadeira ou uma sucção nutritiva ao seio materno antes dos pais dormirem (tentar adequar a rotina de sono e alimentação da criança à rotina da família). A criança deve ser acostumada a dormir no berço e no próprio quarto. Não dormir na cama dos pais (isso também prejudica a intimidade do casal). Não fazer o seio materno de chupeta.
  • Perda de fôlego
    • A perda de fôlego freqüentemente é objeto de preocupação dos pais que se sentem como se a criança fosse morrer. A grande dificuldade naqueles casos que cursam com perda de consciência é diferenciar das crises convulsivas ou epilépticas. Essa diferenciação pode ser ainda mais difícil naquelas crises que além da perda de consciência se manifestam com enrijecimento do corpo ou abalos musculares. Esses episódios são sempre precedidos por choro, desencadeado por contrariedade, susto ou dor por pequenos traumas. Por outro lado, a crise epiléptica é de ocorrência espontânea, geralmente sem um fator precipitante aparente.

      As crises de perda de fôlego ocorrem geralmente entre os 6 meses e 3 anos e são de dois tipos: cianótica (quando a criança fica “roxinha”) e pálida.

      Na hora da crise não adianta assoprar a criança. Os pais devem se manter tranquilos e não deixar a criança perceber que a situação preocupa a família. Quando a criança percebe que consegue chamar a atenção, ela passa a apresentar mais crises. Também não devem fazer tudo o que a criança quer para evitar que ela chore, pois isso vai gerar um problema maior no futuro. O mais importante é ter consciência da benignidade do quadro, entender que essas crises não deixam seqüelas e desaparecem com o tempo.

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